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BYD enfrenta desconfiança com falhas em sistema de direção assistida e avanço da Geely na China

Publicado 29/03/2026 • 19:06 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Falhas no “God’s Eye” colocam em xeque a segurança da principal aposta tecnológica da BYD.
  • Crise chega junto com queda nas vendas e perda de liderança para a Geely na China.
  • Especialista diz que erro em sistema de segurança é inaceitável e acende alerta para a montadora.

Divulgação

A BYD enfrenta mais uma turbulência na China depois que falhas relatadas por consumidores no sistema God’s Eye, a principal aposta recente da montadora em direção assistida, passaram a levantar dúvidas sobre a segurança e a maturidade da tecnologia, justamente num momento em que a empresa perdeu tração em seu mercado mais importante. O desgaste é especialmente sensível porque a fabricante transformou o recurso em vitrine comercial e decidiu levá-lo não só aos modelos premium, mas também a carros mais acessíveis da linha.

Batizado de God’s Eye, ou “Olho de Deus”, o pacote é o sistema proprietário de assistência ao motorista da BYD. Ele reúne funções como manutenção em faixa, controle de cruzeiro, mudanças automáticas de faixa, desvio de obstáculos, frenagem autônoma de emergência e recursos de estacionamento automático e remoto. A plataforma foi apresentada em fevereiro de 2025 em três níveis — DiPilot 100, 300 e 600 — para atender desde carros da marca BYD até modelos da Denza e da Yangwang. Na versão mais popular, o sistema usa câmeras, radares de ondas milimétricas e sensores ultrassônicos para apoiar a condução em rodovias e vias expressas, além de oferecer navegação assistida e valet parking.

A BYD vendeu essa ideia como uma democratização da direção assistida. Em fevereiro de 2025, a empresa passou a oferecer o God’s Eye em 21 modelos, inclusive em carros com preços abaixo de US$ 10 mil, sem cobrar à parte pelo pacote. A estratégia foi vista pelo mercado como uma forma de pressionar concorrentes e ampliar a vantagem da marca em tecnologia embarcada no maior mercado automotivo do mundo.

Leia também: Geely ultrapassa BYD e assume liderança de vendas em 2026

Mas os consumidores começaram a questionar a eficácia do sistema. Relatos em redes sociais chinesas como a Douyin, versão local do TikTok, usuários passaram a expor falhas atribuídas ao God’s Eye em diferentes situações de uso. Em um dos posts, o dono de um Tang L EV afirmou que o carro, já atualizado para a versão mais recente do sistema, “desativou automaticamente a função de assistência ao motorista em alta velocidade e colidiu contra um guarda-corpo”. Segundo ele, o pós-venda alegou que a falha teria sido causada por “força excessiva” aplicada ao volante, explicação que o motorista contestou e disse não aceitar “sem provas concretas”.

Em outra publicação, um usuário escreveu que o sistema da minivan de luxo Denza D9 “simplesmente ignorou obstáculos baixos” e afirmou que, por sorte, assumiu o controle a tempo, “caso contrário, toda a frente teria sido danificada”. Já um terceiro motorista relatou ter vivido “o primeiro momento de pânico em alta velocidade” depois que o modo de direção inteligente “repentinamente virou e invadiu a faixa de emergência”. Há ainda postagens de proprietários que dizem que o recurso “ainda não inspira muita confiança” em vias mais complexas e apontam erros em trocas tardias de faixa, conversões e decisões de rota.

Em outra frente, um vídeo que circulou nas redes mostrou uma demonstração de estacionamento automático de um modelo da BYD que terminou em acidente, episódio que virou alvo de ironias de usuários sobre o “God’s Eye”.

Esses episódios pesam ainda mais porque a montadora vinha tratando o God’s Eye como um sinal de confiança técnica. Em julho de 2025, a empresa chegou a prometer assumir as perdas em casos envolvendo o sistema em cenários de estacionamento inteligente na China. Agora, as queixas de consumidores passam a jogar contra essa narrativa.

Para Milad Kalume Neto, diretor-executivo da K.Lume Consultoria, especializada no setor automobilístico, o problema não pode ser relativizado. “É um sistema muito bom, num custo muito competitivo, mas está longe de ser um sistema preciso ainda e que não necessite nenhum tipo de ajuste ou que esteja já operando sem falhas”, afirmou.

O especialista pondera que, em um recurso dessa natureza, o parâmetro esperado é outro. “É um problema no freio do carro. Quase não teve problema, mas teve. Então, se você tiver um problema no freio do carro, você vai colocar a vida em risco, é a mesma coisa. A gente não quer nenhuma falha em um sistema de segurança”, completou.

Leia também: BYD tem primeira queda de lucro em quatro anos e perda de força na China

Pressão aumenta em momento sensível para a BYD

A pressão sobre o God’s Eye chega em um momento especialmente desconfortável para a BYD. Em fevereiro de 2026, as vendas globais da montadora caíram 41,1% na comparação anual, na pior queda para o mês desde fevereiro de 2020. Foi o sexto recuo consecutivo. No acumulado de janeiro e fevereiro, as vendas globais tombaram 35,8%, enquanto as vendas domésticas despencaram 65% em fevereiro, agravando a deterioração já vista em janeiro, quando a Geely tomou da rival a liderança do mercado chinês.

Do outro lado, a Geely abriu 2026 em ritmo forte. A companhia informou vendas globais de 206.160 veículos em fevereiro e 476.327 unidades no acumulado de janeiro e fevereiro. Nesse mesmo intervalo, as vendas de veículos de nova energia da empresa chegaram a 241.740 unidades, enquanto as exportações de fevereiro somaram 60.879 veículos. Os números reforçaram a percepção de que a rival entrou no ano com uma operação mais diversificada e com ganho de escala dentro e fora da China.

Para Milad, o avanço da Geely ajuda a mostrar que a BYD já enfrenta uma disputa mais dura em seu mercado principal. “A Geely é uma empresa extremamente forte, compete num segmento muito próximo do que a BYD, então essa competição vai ser natural.” Na avaliação dele, o momento exige atenção, mas ainda não configura uma virada definitiva. “A BYD era líder e perdeu essa posição agora para a Geely. Acende-se um sinal amarelo, mas está longe de ser um sinal vermelho.”

A situação da BYD ficou ainda mais exposta nesta sexta-feira (27). A montadora registrou em 2025 sua primeira queda anual de lucro em quatro anos, com recuo de 19%, para 32,6 bilhões de yuans. A receita avançou apenas 3,5%, no ritmo mais fraco em seis anos, e a companhia reduziu o quadro de funcionários em 10,2%. A empresa caiu do primeiro para o quarto lugar no mercado chinês no acumulado de janeiro e fevereiro, pressionada por concorrência intensa, demanda doméstica mais fraca e erosão de margens.

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