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Chefe do Instagram defende rede social em julgamento sobre saúde mental: “Não é vício”
Publicado 11/02/2026 • 19:55 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 11/02/2026 • 19:55 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Aplicativos da Meta vem sendo investigados por golpes aplicados em suas plataformas
Marcello Casal r/Agência Brasil
O chefe do Instagram, Adam Mosseri, afirmou nesta quarta-feira (11), durante depoimento em um julgamento de grande repercussão sobre redes sociais, que acredita que pode haver uso problemático das redes sociais, mas não considera que isso constitua um vício.
“Tenho certeza de que já disse isso antes, mas acho importante diferenciar entre vício clínico e uso problemático”, disse Mosseri, ressaltando várias vezes que não é um profissional da área médica.
Mosseri afirmou que, às vezes, o uso da palavra “vício” pode ser mais casual, observando que pode já ter dito que era “viciado” em uma série da Netflix, mas que isso não representa um vício clínico real.
“É algo pessoal, mas sim, acho que é possível usar o Instagram mais do que você se sente confortável”, disse Mosseri. “O que é ‘demais’ é relativo, é pessoal.”
Mosseri prestou depoimento no Tribunal Superior de Los Angeles, onde a autora do processo alega que as plataformas de redes sociais Meta, YouTube, TikTok e Snap enganaram o público sobre a segurança de seus aplicativos, mesmo sabendo que certas escolhas de design e recursos incentivavam efeitos prejudiciais à saúde mental de usuários jovens.
Embora TikTok e Snap fizessem parte originalmente do caso, as duas empresas não estão mais envolvidas após firmarem acordo com uma das autoras do processo.
“A questão para o júri em Los Angeles é se o Instagram foi um fator substancial nas dificuldades de saúde mental da autora”, afirmou um porta-voz da Meta.
O julgamento em Los Angeles gira em torno de uma autora identificada como “KGM” e sua mãe, que alegam que as empresas de tecnologia projetaram recursos como a rolagem infinita (infinite scroll), resultando em comportamento viciante e problemas de saúde mental.
“As evidências mostrarão que ela enfrentava muitos desafios significativos e difíceis muito antes de começar a usar redes sociais”, afirmou o porta-voz da Meta em comunicado.
Mark Lanier, advogado da autora, questionou Mosseri sobre vício em redes sociais e sobre certas decisões tomadas por executivos da empresa que teriam causado danos.
Quando Lanier perguntou se existe algo como uso problemático do Instagram, Mosseri respondeu: “Acho que depende da pessoa.”
Lanier pressionou Mosseri sobre seu papel como “tomador de decisões” no Instagram e se ele tende a priorizar decisões que gerem lucro antes de testes, ou se enfatiza testar produtos primeiro para proteger crianças.
“De modo geral, devemos focar na proteção de menores, mas acredito que proteger menores no longo prazo é bom para os negócios e para o lucro”, disse Mosseri.
O julgamento, que teve as declarações iniciais na segunda-feira, é um dos vários casos judiciais neste ano que se concentram na segurança das plataformas de redes sociais e no que as empresas sabiam sobre possíveis perigos para crianças.
Lanier apresentou como prova uma troca de e-mails de novembro de 2019 entre executivos da empresa debatendo se deveriam proibir filtros digitais capazes de alterar fotos de rostos para que parecessem resultados de cirurgia plástica.
Mosseri afirmou que a empresa decidiu, ao final, não permitir efeitos digitais que incentivassem cirurgia plástica, após discutir o que poderia ser considerado aceitável diante das capacidades avançadas da maquiagem moderna.
Na troca de e-mails (em que um subtítulo incluía a expressão “crise de RP sobre cirurgia plástica”) executivos da Meta discutiram preocupações da imprensa e de especialistas em saúde sobre se os efeitos de filtros digitais poderiam levar a problemas prejudiciais de saúde mental.
O chefe de tecnologia da Meta, Andrew Bosworth, afirmou na conversa que notificou o CEO Mark Zuckerberg sobre o filtro digital de cirurgia plástica e que o cofundador do Facebook “poderia querer revisar antes da implementação”.
“Ele está preocupado se temos dados suficientemente sólidos de que isso representa um dano real”, disse Bosworth sobre a visão de Zuckerberg em relação ao projeto.
O ex-executivo da Meta John Hegeman afirmou em outro e-mail relacionado à discussão que “uma proibição generalizada de coisas que não podem ser feitas com maquiagem vai limitar nossa capacidade de competir nos mercados asiáticos (incluindo a Índia)”.
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“Eu preferiria muito mais que desenvolvêssemos uma estrutura mais equilibrada para uso responsável, que ainda nos permita construir os produtos que as pessoas claramente querem e procuram intencionalmente”, escreveu Hegeman no e-mail.
Mosseri afirmou na quarta-feira que interpretou os comentários de Hegeman como um alerta de que uma proibição total dos filtros propostos prejudicaria a capacidade da empresa de competir nos mercados asiáticos. No entanto, disse que não acreditava que o ex-executivo estivesse falando sobre dinheiro, mas sim sobre relevância cultural.
Ele explicou que a Meta não ganha dinheiro com seus filtros e que o objetivo é manter relevância cultural para que as pessoas possam aproveitar a plataforma.
Lanier então apresentou uma troca de e-mails entre Mosseri e o executivo de políticas da Meta, Andy O’Connell, na qual o chefe do Instagram foi solicitado a escolher uma entre três opções antes de levar a decisão final a Mark Zuckerberg.
A primeira opção previa uma proibição temporária dos filtros de cirurgia plástica sob a política atual, com reavaliação quando houvesse dados mais definitivos sobre bem-estar. Entre os “prós”, estavam a mitigação de preocupações com bem-estar e a eliminação de riscos de relações públicas ou regulatórios. Entre os “contras”, estava a limitação do crescimento.
A segunda opção previa suspender a proibição dos filtros de cirurgia plástica, mas remover esses efeitos das recomendações feitas aos usuários do Instagram. Entre os “contras” dessa alternativa estava um risco ainda significativo ao bem-estar.
A terceira opção previa retirar totalmente a proibição, o que teria o menor impacto sobre o crescimento, mas o maior risco ao bem-estar e a possibilidade de gerar cobertura negativa na mídia.
Mosseri respondeu ao e-mail dizendo que preferia a opção 2, que, como observou Lanier, envolvia um risco relevante ao bem-estar.
“Respeito sua decisão e vou apoiá-la, mas quero deixar registrado que não acho que seja a decisão correta considerando os riscos”, escreveu Margaret Stewart, vice-presidente de design de produto e inovação responsável no Facebook, em resposta a Mosseri. Stewart defendia a proibição dos filtros.
Mosseri afirmou repetidamente no tribunal que a empresa acabou adotando uma “proibição mais direcionada”, envolvendo apenas um subconjunto de filtros digitais.
Durante o contra-interrogatório, Mosseri explicou ainda que os filtros digitais são utilizados por uma minoria de usuários que desejam tornar as postagens mais divertidas e entretenidas, mas que a empresa não obtém receita com essa tecnologia.
“Queremos ajudar as pessoas a se expressarem. Mas, quando se trata de receita, ela é baseada em quantos anúncios as pessoas veem no Instagram”, disse Mosseri. “Não vi nenhum dado que sugira que o uso de filtros impulsione o consumo de conteúdo ou de anúncios. Não é uma decisão baseada em receita.”
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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