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Eli Lilly projeta aumento de receita em 2026, enquanto Novo Nordisk prevê queda

Publicado 04/02/2026 • 20:24 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Tanto a Novo Nordisk quanto a Eli Lilly estão enfrentando pressão sobre os preços nos EUA, mas suas perspectivas para 2026 divergem fortemente.
  • Enquanto a Novo espera uma queda nas vendas, a Lilly prevê que a receita seguirá em forte crescimento graças aos seus medicamentos blockbuster.
  • A divergência nas projeções destaca a posição mais sólida da Lilly no mercado de medicamentos para obesidade e diabetes, sustentada por suas injeções mais eficazes e pela entrada precoce nas vendas diretas ao consumidor.

É a história de dois fabricantes de medicamentos no competitivo mercado de remédios para obesidade.

Tanto a Novo Nordisk quanto a Eli Lilly enfrentam preços mais baixos nos EUA, mas suas perspectivas para 2026 divergem: enquanto a Novo Nordisk prevê queda nas vendas, a Eli Lilly espera aumento de receita impulsionado por seus medicamentos blockbuster

A divergência nas projeções, mesmo diante de desafios semelhantes, destaca a força da Lilly no mercado de medicamentos para obesidade e diabetes, apoiada por suas injeções mais eficazes e pela adoção precoce de vendas diretas ao consumidor. Enquanto a Novo Nordisk popularizou esses medicamentos, a Lilly ganhou claramente vantagem em participação de mercado, e as previsões indicam que a tendência deve continuar em 2026.

“O diferencial no ritmo de vendas e na participação de mercado ficou evidente em 2025, mas a diferença entre as perspectivas das duas empresas se acentuou em apenas 24 horas, quando a Novo projetou resultados abaixo do consenso e a Lilly acima das expectativas”, disse David Risinger, analista da Leerink Partners, à CNBC.

“Isso reforçou a percepção de que a Lilly será a líder no mercado de obesidade daqui para frente”, acrescentou.

Neste ano, a atenção estará voltada para o desempenho da futura pílula para obesidade da Lilly, orforglipron, frente ao medicamento oral da Novo, Wegovy, que teve um lançamento explosivo nos EUA.

Segundo o CEO da Lilly, David Ricks, em entrevista ao “Squawk Box”, atualmente entre 20 e 25 milhões de pacientes usam medicamentos de ambas as empresas. Ainda assim, o mercado total de pacientes com obesidade é “gigantesco”.

Perspectivas divergentes

Na quarta-feira, a Lilly projetou vendas entre US$ 80 bilhões (R$ 419,2 bilhões) e US$ 83 bilhões (R$ 435 bilhões) para 2026, superando os US$ 77,6 bilhões (R$ 406,5 bilhões) previstos pelos analistas. O ponto médio da previsão indica crescimento de 25% nas vendas.

Em contraste, a Novo Nordisk prevê queda de 5% a 13% nas vendas e lucros, devido à redução de preços nos EUA e à expiração da exclusividade de seus medicamentos para obesidade e diabetes em mercados como China, Brasil e Canadá.

Ambas as empresas enfrentam pressão global de preços, resultado dos acordos históricos de “nação mais favorecida” firmados em 2020 e de esforços recentes para reduzir preços ao consumidor. Esses acordos devem pressionar as receitas, mas aumentarão o volume de prescrições, segundo analistas.

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A Lilly aposta em fatores que compensam a pressão sobre preços, como a demanda mundial contínua por Zepbound (para obesidade) e Mounjaro (para diabetes), o lançamento da pílula GLP-1 para obesidade, e a cobertura do Medicare para tratamentos de obesidade, prevista para julho, o que pode abrir acesso a 40 milhões de novos beneficiários.

Risinger chamou a orientação da Lilly de “muito encorajadora” e afirmou que o equilíbrio entre preço e volume está funcionando bem. Ele destacou que a tirzepatida, ingrediente ativo do Zepbound e do Mounjaro, é “superior” em eficácia e tolerabilidade à semaglutida, presente nos medicamentos da Novo, com comprovação em ensaio clínico direto realizado em 2024.

Outro diferencial é a proteção de patentes. Enquanto a Novo enfrenta expiração de patentes em alguns mercados, a Lilly deve manter exclusividade da tirzepatida nos principais mercados até a segunda metade da década de 2030.

Todos os olhos nas pílulas

A Novo Nordisk foi pioneira no lançamento da pílula GLP-1 para obesidade, alcançando 50 mil prescrições semanais em menos de três semanas. O CEO da empresa, Mike Doustdar, afirmou ao “Mad Money” que a Wegovy é a pílula de redução de peso mais eficaz disponível, e que a Lilly terá de competir fortemente.

A pílula da Novo promove perda de peso de cerca de 15%, similar à versão injetável, enquanto a futura pílula da Lilly parece ligeiramente menos eficaz, segundo estudos separados.

Risinger observou que a Novo se beneficiou da força da marca Wegovy e da publicidade direta ao consumidor iniciada em janeiro, mas destacou que a conveniência da pílula da Lilly pode impulsionar vendas globais.

A orforglipron, de molécula pequena, é mais facilmente absorvida pelo corpo e não exige restrições alimentares como a Wegovy, que precisa ser tomada com apenas 120 ml de água e com jejum de 30 minutos antes de ingerir qualquer alimento ou bebida. A Novo acredita que essas restrições não afetarão a adoção, mas Risinger afirma que elas podem favorecer a Lilly a longo prazo.

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