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Anderson Baranov

19 anos de diálogo: a mineração que o SIMINERAL ajudou a transformar no Pará

Publicado 30/09/2026 • 19:15 | Atualizado há 51 minutos

Foto: Divulgação/SIMINERAL

Por Anderson Baranov, Presidente do Conselho Diretor do SIMINERAL

O SIMINERAL (Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará) completa, no próximo ano, duas décadas representando as principais empresas de mineração que atuam no estado e como interlocutor do setor junto ao poder público, à academia e à sociedade em temas como regulação, sustentabilidade e desenvolvimento regional.

Há anos, o Sindicato vem construindo estruturas de diálogo em torno dessa missão. O Congresso Técnico do SIMINERAL, que em 2026 chegou à sua quinta edição, tornou-se o principal espaço de troca entre empresas, poder público, academia e sociedade sobre os desafios da mineração na Amazônia, amadurecendo de um evento corporativo para uma plataforma de debate setorial. Essa vocação para o diálogo aberto também está presente no Simineral ON, nosso boletim informativo, que chega à 75ª edição, e no Prêmio Simineral de Comunicação, iniciativa que reconhece e estimula um jornalismo e uma comunicação institucional mais qualificados sobre a mineração paraense.

É dentro dessa trajetória que nasce a Carta Santarém, documento construído a partir do diálogo entre empresas, poder público e especialistas, que estabelece princípios de sustentabilidade, transparência e responsabilidade socioambiental para o setor mineral na Amazônia.

Mais do que uma declaração de intenções, a Carta Santarém é acompanhada do primeiro Relatório ESG Setorial do SIMINERAL, com dados concretos sobre o desempenho ambiental, social e de governança das empresas associadas. Foi um ano de trabalho para chegarmos a essa linha de base, e a razão é simples: não bastava mais falar em compromisso; era preciso mostrar números.

A mineração no Pará opera em um dos territórios de maior sensibilidade ambiental e social do planeta. Essa condição é o que define o padrão de exigência que impomos a nós mesmos. Dois números do relatório merecem destaque. As empresas associadas administram, direta e indiretamente, cerca de 940 mil hectares sob diferentes instrumentos de gestão territorial: áreas operacionais, reservas legais, corredores ecológicos, áreas em recuperação e unidades de conservação. Desse total, apenas 77 mil hectares apresentam intervenção física direta da atividade mineral, o que representa cerca de 10 hectares protegidos ou geridos para cada hectare efetivamente impactado pela lavra.

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O segundo dado é sobre gente: cerca de 72% da mão de obra própria e terceirizada das empresas associadas foi contratada dentro do Pará, chegando a 100% em algumas operações, resultado de anos de investimento em formação profissional local. Esse número reforça o compromisso das empresas associadas com a geração de emprego e renda nas comunidades onde atuam.

Esses dados não surgem isolados. São o retrato de uma transformação que o setor vem construindo há pelo menos uma década. A mineração paraense de dez anos atrás não é a de hoje: o licenciamento ficou mais rigoroso, a fiscalização mais presente, a relação com o poder público mais próxima, e a exigência por transparência deixou de ser exceção para virar padrão. Empresas que antes mediam sucesso apenas pela produção passaram a medir também o impacto ambiental, a geração de emprego local e o diálogo com as comunidades. A Carta Santarém não nasce do zero: ela formaliza um amadurecimento que já vinha acontecendo no chão das operações.

Foi por reconhecer esse caminho que a atual gestão do SIMINERAL decidiu adotar a Carta Santarém como eixo central de sua atuação institucional. Não é um projeto de comunicação, mas uma escolha de identidade: assumir compromissos verificáveis, com uma linha de base clara, e aceitar ser cobrado por eles ano após ano.

Nenhum desses instrumentos nos deixa satisfeitos. A conservação da biodiversidade e a inclusão de mão de obra local são duas entre dezenas de dimensões que o relatório ESG trata: segurança de barragens, gestão hídrica, direitos humanos, diversidade de gênero e investimento social. Em todas há avanços reais e espaço para evoluir.

A Carta Santarém não é um documento de chegada. É um ponto de partida que estabelece a primeira linha de base do gênero no setor mineral paraense, para que possamos, ano após ano, mostrar à sociedade como avançamos. Colocar esses números à disposição pública é um exercício de responsabilidade: com quem vive nesses territórios, com o poder público que nos licencia e fiscaliza e com as gerações futuras que herdarão o que construirmos agora.

Nosso compromisso é seguir medindo, seguir mostrando e seguir avançando.

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