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Mercado em alerta: quem controla o petróleo da Venezuela após a prisão de Nicolás Maduro?
Publicado 05/01/2026 • 06:33 | Atualizado há 2 dias
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Publicado 05/01/2026 • 06:33 | Atualizado há 2 dias
KEY POINTS
Pixabay
Plataforma de petróleo
A prisão de Nicolás Maduro recolocou em evidência uma das indústrias petrolíferas mais politicamente sensíveis do mundo, forçando investidores a reavaliar quem controla os recursos de petróleo bruto da Venezuela e se eles podem ser efetivamente revitalizados após décadas de declínio.
Por enquanto, a resposta pode parecer simples. “A Petróleos de Venezuela (PDVSA), estatal do setor, controla a maior parte da produção e das reservas de petróleo”, afirmou Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates.
A empresa americana de energia Chevron opera no país por meio de produção própria e de uma joint venture com a PDVSA, enquanto companhias russas e chinesas também participam por meio de parcerias. Ainda assim, “o controle majoritário continua com a PDVSA”, disse Lipow.
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A Venezuela nacionalizou sua indústria de petróleo na década de 1970, o que levou à criação da PDVSA. A produção atingiu um pico de cerca de 3,5 milhões de barris por dia em 1997, mas desde então despencou para uma estimativa de 950 mil barris por dia, com aproximadamente 550 mil barris diários exportados, segundo dados da Lipow Oil Associates.
Caso se forme na Venezuela um governo mais alinhado aos Estados Unidos e favorável a investimentos, a Chevron estaria “em melhor posição” para expandir sua atuação, afirmou Saul Kavonic, chefe de pesquisa em energia da MST Financial. Empresas europeias como Repsol e Eni também poderiam se beneficiar, considerando suas posições já estabelecidas no país, segundo ele.
Qualquer mudança de regime pode interromper a cadeia comercial que mantém os barris venezuelanos em circulação, alertaram especialistas do setor.
“Como ainda não está claro quem está no comando na Venezuela, podemos ver as exportações pararem completamente, já que os compradores não sabem para quem enviar o pagamento”, disse Lipow. Ele acrescentou que a rodada mais recente de sanções dos Estados Unidos contra uma frota paralela de navios-tanque afetou severamente as exportações, forçando a Venezuela a reduzir a produção.
A chamada frota paralela refere-se a navios-tanque que operam fora dos sistemas tradicionais de transporte, seguro e regulação para movimentar petróleo de países sancionados. Essas embarcações são comumente usadas para transportar petróleo de nações como Venezuela, Rússia e Irã, que enfrentam restrições dos Estados Unidos às exportações de energia.
Lipow espera que a Chevron continue exportando cerca de 150 mil barris por dia, o que limitaria qualquer impacto imediato na oferta. Ainda assim, ele afirmou que a incerteza mais ampla pode adicionar um prêmio de risco de curto prazo de cerca de US$ 3 por barril.
Esse aumento ocorreria em um mercado que muitos analistas consideram adequadamente abastecido, ao menos por enquanto. “O mercado de petróleo atualmente caminha para um excesso de oferta”, disse Bob McNally, da Rapidan Energy Group, classificando o impacto imediato como “praticamente irrelevante”.
A importância de longo prazo da Venezuela está no tipo de petróleo que o país produz. O petróleo pesado e ácido venezuelano pode ser tecnicamente desafiador de extrair, mas é valorizado por refinarias mais complexas, especialmente nos Estados Unidos. “As refinarias americanas… adoram sugar esse petróleo espesso da Venezuela e do Canadá”, afirmou McNally.
“A grande questão é se a indústria de petróleo conseguirá voltar à Venezuela, reverter duas décadas de deterioração e negligência e retomar a produção.”
Se um novo governo liderado pela líder da oposição María Corina Machado for instalado rapidamente, as sanções poderiam ser flexibilizadas e as exportações de petróleo poderiam aumentar inicialmente com o uso de estoques para gerar receita, disse Lipow. No entanto, ele acrescentou que esse aumento de curto prazo poderia pressionar os preços.
Ainda assim, qualquer perspectiva de recuperação sustentada enfrenta limites físicos significativos. “A indústria petrolífera venezuelana está em um estado tão precário que, mesmo com uma mudança de governo, é improvável que haja um aumento relevante na produção por anos, já que são necessários investimentos substanciais para reabilitar a infraestrutura existente”, observou.
De forma semelhante, Helima Croft, do RBC, alertou que o caminho para a recuperação é longo, citando o “declínio de décadas sob os regimes de Chávez e Maduro”. Segundo ela, executivos do setor afirmam que seriam necessários pelo menos US$ 10 bilhões por ano para reverter a situação, sendo um “ambiente de segurança estável” um pré-requisito absoluto.
“Em um cenário caótico de mudança de poder, como ocorreu na Líbia ou no Iraque, todas as apostas são descartadas”, afirmou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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