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Google aposta em data center com energia limpa, mas especialistas questionam custos da expansão elétrica

Publicado 19/10/2026 • 12:20 | Atualizado há 49 minutos

KEY POINTS

  • Data centers de inteligência artificial devem impulsionar o crescimento da demanda por eletricidade na América do Norte na próxima década, exigindo uma ampla expansão da rede elétrica.
  • Google e Xcel Energy afirmam que o data center de 780 megawatts planejado em Minnesota ampliará a infraestrutura elétrica com energia mais limpa, sem transferir os custos para os clientes atuais.
  • Especialistas afirmam que boa parte dessa expansão poderia ser evitada e alertam que as concessionárias de energia têm incentivos financeiros para continuar construindo infraestrutura.
Google

Foto: AFP

Google propõe data center de 780 MW em Minnesota para ampliar o uso de energia limpa, especialistas questionam os custos e a expansão.

Se há algo com que a maioria dos americanos parece concordar é que não quer um data center no próprio quintal. Uma pesquisa da Gallup realizada em março constatou que 71% dos americanos se opõem à construção de um data center em sua região. Entre as principais preocupações está o consumo de energia. Metade dos americanos entrevistados pelo Pew Research Center em julho e agosto afirmou que os data centers seriam predominantemente prejudiciais ao meio ambiente e aos custos de energia das famílias.

Agora, o Google aposta que um enorme data center voltado à inteligência artificial pode ajudar a financiar uma rede elétrica mais limpa e confiável. O acordo proposto com a Xcel Energy acrescentaria uma capacidade de geração de energia e armazenamento em baterias superior à que o data center deverá consumir.

Pelo acordo, o Google ajudaria a pagar pela capacidade adicional e continuaria arcando com os custos mesmo que não utilizasse toda a energia disponível.

Leia também: Google terá uma nova fonte de energia; conheça o projeto de US$ 4 bilhões

A aposta do Google de que a IA pode financiar uma rede mais limpa

Pine Island, em Minnesota, é uma pequena cidade com cerca de 4 mil habitantes, localizada a uma hora a sudeste de Minneapolis. O Google espera que seu projeto de data center de 780 megawatts fortaleça o relacionamento com a comunidade local e ajude a empresa a cumprir a meta de operar com energia livre de carbono 24 horas por dia, sete dias por semana, até 2030.

O Google, cuja divisão de computação em nuvem sustenta sua própria inteligência artificial Gemini e gerou quase US$ 25 bilhões em receita no segundo trimestre, alta de 82% em relação ao mesmo período do ano anterior, afirma ter encontrado um modelo para desenvolver esse tipo de projeto de maneira adequada.

A empresa planeja financiar a adição de 1.400 megawatts de energia eólica, 200 megawatts de energia solar e 300 megawatts de armazenamento em baterias à rede da Xcel.

Essa capacidade adicional supera a potência do próprio data center. Segundo o Google, isso ocorre porque as fontes eólica e solar não geram energia continuamente. A Xcel Energy afirmou que a nova eletricidade atenderá a todos os consumidores da região, e não apenas ao Google. A concessionária também disse que as melhorias contribuirão para ampliar o fornecimento de energia livre de carbono na rede local.

O acordo proposto entre Google e Xcel inclui cobranças mínimas por demanda e taxas de saída. Segundo o Google, essas cláusulas manterão a empresa responsável pelos custos da infraestrutura construída para atendê-la, mesmo que o crescimento da inteligência artificial perca força.

O Google pagará por pelo menos 75% da capacidade contratada, mesmo que utilize menos energia. Caso encerre o contrato antecipadamente, poderá ter de pagar o equivalente a até oito anos dessas cobranças mínimas por demanda.

“Ninguém quer realizar uma grande expansão e depois não ter para onde direcionar essa energia nem quem pague por ela”, afirmou Amanda Rome, vice-presidente executiva e diretora de relacionamento com clientes da Xcel Energy. “É para isso que servem essas proteções.”

O acordo entre Google e Xcel Energy ainda depende da aprovação da Comissão de Serviços Públicos de Minnesota.

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Data centers impulsionam expansão histórica da rede elétrica

Novos data centers responderão pela maior parte do aumento projetado da demanda por eletricidade na próxima década, segundo a North American Electric Reliability Corporation, organização reguladora sem fins lucrativos.

O Departamento de Energia dos Estados Unidos, durante o governo do presidente Joe Biden, informou que mais de 70% das linhas de transmissão e dos transformadores elétricos do país tinham pelo menos 25 anos. O órgão também concluiu que as alternativas mais baratas para atender à demanda futura exigiriam mais que dobrar a capacidade do sistema nacional de transmissão até 2050.

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As grandes empresas de tecnologia que operam serviços de computação em nuvem, conhecidas como hyperscalers, argumentam que podem financiar melhorias necessárias à rede elétrica e, ao mesmo tempo, torná-la mais limpa e confiável.

“O momento desta revolução industrial não poderia ser mais perfeito”, afirmou Amanda Peterson Corio, chefe global de energia e eletricidade do Google. “Isso acontece justamente quando precisamos de capital para consertar a infraestrutura envelhecida dos Estados Unidos.”

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Os data centers poderiam utilizar a rede existente?

Jigar Shah, sócio da Multiplier, consultoria que ajuda startups de energia limpa a abrir capital, afirmou que as operadoras de data centers poderiam construir instalações menores em locais onde a rede elétrica já possui capacidade ociosa. Isso reduziria a necessidade de construir – e financiar – novos equipamentos de geração e transmissão.

“Se o crescimento da carga elétrica desejado pelos data centers fosse acomodado na rede existente, as tarifas de todos cairiam bastante”, disse Shah.

Isso ocorre porque a rede elétrica existente tem custos fixos elevados, relacionados à infraestrutura já instalada, como usinas, linhas de transmissão e subestações. Quando um novo consumidor entra na rede e assume uma parcela significativa desses custos, as contas dos demais usuários podem diminuir.

“Então, a verdadeira questão é: por que as empresas não estão construindo data centers de 25 megawatts? Por que estão construindo instalações de 1.000 megawatts? Acontece que as pessoas simplesmente têm preguiça”, afirmou Shah. “Elas pensam: ‘É mais fácil contratar um data center de um gigawatt do que descobrir como construir cerca de 40 data centers de 25 megawatts cada’.”

Entidades que fiscalizam o setor também alertam para outro motivo pelo qual as concessionárias de energia frequentemente preferem construir novas instalações em vez de aproveitar melhor a rede existente.

“Quando as concessionárias constroem algo novo, financiam parte desse investimento com recursos de investidores de Wall Street e obtêm retornos extraordinariamente elevados, geralmente em torno de 10%”, afirmou David Pomerantz, diretor-executivo do Energy and Policy Institute, organização que monitora a atuação das concessionárias.

Construir um data center que se encaixe na rede elétrica existente oferece poucas oportunidades para que a concessionária gere novas receitas.

E se uma grande empresa de tecnologia se oferecer para financiar esses investimentos na rede?

“Uma maneira de usar os data centers para reduzir as contas de energia é fazer com que eles forneçam esse capital a custos muito menores do que os das concessionárias”, disse Pomerantz. “Mas isso representa um grande problema para as empresas do setor. E esse conflito já está começando a surgir.”

Ainda assim, Shah afirmou que o projeto do Google com a Xcel em Minnesota é um bom exemplo de como um data center pode funcionar como catalisador para a adoção de tecnologias mais novas e sustentáveis.

“O Google chegou e disse: ‘Aqui está uma nova maneira de fazer as coisas, utilizando novas tecnologias. Que tal fazermos assim?’ Isso beneficia os consumidores, e a concessionária respondeu: ‘Sim, faz bastante sentido’.”

Assista ao vídeo acima para conferir a reportagem completa, incluindo uma entrevista com a chefe global de energia e eletricidade do Google.

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