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Cobrança sem transparência da IA na nuvem leva empresas a buscar arquiteturas híbridas de código aberto, mostra levantamento
Publicado 23/10/2026 • 10:26 | Atualizado há 23 minutos
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A conta da nuvem virou problema de gestão para as grandes empresas quando a inteligência artificial saiu da fase de testes e passou a rodar em produção, avalia Fernando Arditti, vice-presidente e gerente-geral para a América Latina da WSO2.
O Private Cloud Outlook 2026, relatório da Broadcom conduzido pela consultoria Radius Tech com 1.800 executivos de TI de empresas com mais de mil funcionários em oito países, indica que 97% dos líderes acreditam que parte do gasto com nuvem pública é desperdiçada. Metade das empresas já levou parte das cargas de volta para ambientes privados, segundo o estudo.
A WSO2 atribui esse movimento, que o mercado chama de “Cloud Regret” (arrependimento com a nuvem), ao que descreve como efeito Black Box. Nele, as organizações pagam por modelos e integrações que funcionam como caixa-preta, com uma composição de custos que escapa a quem consome.
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Para Arditti, o efeito Black Box decorre do modo como a IA chegou às empresas. Os primeiros projetos foram montados em nuvens proprietárias porque ali estavam a capacidade e as ferramentas para testar casos de uso com rapidez, diz ele. Quando passaram a operar em escala, modelos, integrações e dados já estavam atrelados à lógica de cobrança por consumo de um único provedor.
“Essa opacidade faz com que o crescimento do uso se converta em uma fatura cada vez mais difícil de prever”, afirma o executivo.
O efeito sobre o planejamento, segundo ele, é que a área de tecnologia perde a capacidade de antecipar quanto cada nova aplicação de IA vai custar quando sair do piloto. A área financeira, por sua vez, lida com uma despesa que cresce junto com o uso e sem referência clara de valor.
No Brasil, o Radar da Nuvem, benchmark de custos conduzido pela Samax com mais de 130 empresas, mostra que 75% delas têm custos de nuvem acima ou muito acima do esperado.
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Siga o Times | CNBCArditti defende que arquiteturas híbridas sustentadas por tecnologias de código aberto distribuam as cargas entre nuvem pública, nuvem privada e infraestrutura própria, conforme o custo e a criticidade de cada uma.
“A empresa recupera a decisão sobre onde cada carga deve rodar e pode mudar essa decisão sempre que a conta deixar de fazer sentido”, diz ele, referindo-se ao caso em que a camada que conecta aplicações, dados e agentes é construída sobre código aberto.
O executivo reconhece que a migração exige preparo. Redistribuir cargas entre ambientes diferentes significa manter integrações, regras de acesso e governança funcionando de forma consistente em cada um deles, tarefa que depende de equipes com um conhecimento que o mercado ainda não oferece em quantidade suficiente.
O relatório da Broadcom aponta a operação de infraestrutura de IA como a principal lacuna de habilidades nas equipes de TI, citada por 40% dos entrevistados.
Para Arditti, a escolha da arquitetura passa a pesar tanto quanto a da infraestrutura, porque padrões abertos reduzem a dependência de conhecimentos específicos de um único fornecedor e facilitam a formação das equipes internas.
A tendência, segundo o executivo, é que essa reorganização ganhe velocidade à medida que agentes de IA passem a executar tarefas, acionar sistemas e acessar dados sensíveis dentro dos fluxos corporativos.
Nesse modelo, afirma ele, as empresas vão precisar que integração, gestão de APIs, controle de identidade e regras de governança funcionem da mesma forma em qualquer ambiente em que as cargas estejam rodando.
A decisão sobre onde e como rodar a IA tende a ser tratada cada vez mais como escolha financeira e de controle, guiada pela previsibilidade de custos e pela autonomia sobre dados e sistemas, avalia Arditti.
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