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Inteligência Artificial

Uso de IA avança no mundo jurídico, mas ‘alucinações’ preocupam advogados, mostra pesquisa

Publicado 29/07/2026 • 13:50 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Pesquisa da AASP mostra que 87,4% dos advogados já usam ferramentas de IA na rotina profissional
  • Para 54% dos advogados, o maior risco da IA são as chamadas alucinações, erros gerados pela tecnologia
  • 85,3% dos advogados reconhecem a necessidade de capacitação específica para usar IA no Direito

Flickr

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF).

O uso de Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina da Advocacia brasileira, mas ainda exige capacitação e supervisão humana, segundo pesquisa inédita divulgada pela AASP, Associação dos Advogados de São Paulo. O levantamento mostra que 87,4% dos advogados respondentes já utilizam alguma ferramenta de IA na atividade profissional, e desse total, 62,1% afirmam fazer uso frequente da tecnologia.

Conforme a AASP, a pesquisa quantitativa foi realizada entre 14 de maio e 14 de julho de 2026, reunindo 1.149 respostas de pessoas associadas à entidade, de diferentes estados, faixas etárias e áreas de atuação jurídica. O questionário abordou o perfil dos participantes, a frequência de uso de ferramentas de IA, os impactos na produtividade, o nível de confiança nas respostas geradas e os principais riscos percebidos pela categoria.

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Alucinações lideram lista de preocupações

Segundo a AASP, mais da metade dos participantes, 54%, aponta como maior risco as chamadas alucinações da IA, ou seja, a produção de informações incorretas pela ferramenta. Em seguida aparecem o uso sem supervisão humana, com 23,2%, a dependência excessiva da tecnologia, com 14%, e os riscos relacionados ao sigilo profissional, com 7,2%.

🔍 Alucinação de IA: termo usado para descrever quando uma ferramenta de Inteligência Artificial gera informações incorretas ou inventadas, apresentando-as como se fossem factuais.

Mesmo diante dos riscos apontados, a pesquisa indica que a percepção predominante entre os advogados é de complementaridade, e não de substituição da profissão pela tecnologia. De acordo com a AASP, a maioria dos profissionais acredita que a IA assumirá atividades operacionais e repetitivas, enquanto funções ligadas à interpretação jurídica, ao julgamento e ao relacionamento humano continuarão sendo desempenhadas pela Advocacia.

Confiança condicionada à revisão humana

A pesquisa da AASP mostra que, para 75,4% dos entrevistados, as respostas produzidas pela IA são confiáveis desde que submetidas à revisão humana. Apenas uma parcela reduzida do grupo afirma confiar de forma integral no conteúdo gerado pelas plataformas.

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Para 84,3% dos profissionais ouvidos, a IA aumenta a produtividade ao apoiar atividades como pesquisa jurídica, elaboração de peças, organização de informações e análise de jurisprudência, segundo o levantamento. A entidade destaca que essas tarefas tradicionalmente demandam grande volume de tempo e passam a ser executadas com maior agilidade, permitindo que advogados concentrem esforços em atividades analíticas e na relação com clientes.

Maioria defende regulamentação e ferramentas nacionais

De acordo com a AASP, 74,2% dos respondentes defendem que o uso da IA na Advocacia seja regulamentado, enquanto a pesquisa também aponta que três em cada quatro advogados apoiam a criação de regras específicas para disciplinar o uso da tecnologia na profissão.

O levantamento mostra ainda que 90,3% dos participantes acreditam que uma solução de IA desenvolvida especificamente para a Advocacia brasileira seria mais segura e eficiente do que plataformas de uso geral, treinadas sem foco na legislação, jurisprudência e linguagem técnica do Direito nacional.

Apesar da adoção elevada da tecnologia, a AASP destaca que 85,3% dos respondentes reconhecem a necessidade de capacitação específica para utilizar essas ferramentas de forma adequada na prática jurídica.

Perfil dos respondentes

Segundo a AASP, a amostra reúne majoritariamente profissionais experientes, com 81,3% acima de 45 anos. Em relação ao gênero, 49,9% se identificam como homens cisgênero e 43,7% como mulheres cisgênero. A pesquisa também mostra diversidade de especialidades jurídicas, com predominância do Direito Civil, com 31,4%, seguido por profissionais que atuam em múltiplas áreas, com 14%, Direito do Trabalho, com 13,8%, Direito de Família e Sucessões, com 11,6%, e Direito Empresarial, com 9,7%.

Para 95,6% dos participantes, a IA provocará mudanças relevantes na Advocacia nos próximos dez anos, sendo que 77,5% acreditam que essas mudanças serão profundas, de acordo com o levantamento.

“A pesquisa demonstra que a Advocacia entrou em uma nova etapa de maturidade em relação à Inteligência Artificial. A tecnologia deixou de ser uma tendência para se tornar parte da rotina profissional”, afirma Paula Lima Hyppolito Oliveira, presidente da AASP.

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