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Moda & Têxtil

SPFW 2026: moda movimenta bilhões e atrai grandes empresas para além das passarelas

Publicado 13/10/2026 • 11:00 | Atualizado há 42 minutos

KEY POINTS

  • O São Paulo Fashion Week começa nesta terça-feira (13), com 24 desfiles e uma movimentação econômica estimada historicamente em R$ 1,5 bilhão por edição.
  • Grandes empresas ampliam investimentos e estratégias na moda, conectando beleza, entretenimento, licenciamento e agronegócio.
  • Aos 30 anos, o evento inaugura uma nova fase do calendário nacional e abre espaço para marcas independentes e novos modelos de negócios.
SPFW

O São Paulo Fashion Week (SPFW) inicia nesta terça-feira (13) sua 61ª edição, reunindo 24 desfiles em uma temporada que evidencia a força da moda como atividade econômica. Entre marcas consolidadas, novos estilistas e grandes grupos empresariais, o evento encerra as comemorações de seus 30 anos com uma programação que conecta criação, indústria, consumo e oportunidades de negócios.

A dimensão financeira ajuda a explicar o interesse das empresas. Em 2025, Paulo Borges, idealizador do SPFW, estimou em cerca de R$ 1,5 bilhão o impacto econômico gerado por edição, considerando a rede de atividades e negócios associados ao evento. O valor não representa a arrecadação direta da organização, mas a movimentação de um ecossistema que envolve moda, serviços, produção e turismo.

Na última temporada, realizada em outubro de 2025, o SPFW recebeu aproximadamente R$ 5 milhões em investimentos e mobilizou uma estrutura estimada em mais de 10 mil profissionais, direta e indiretamente. Da montagem dos desfiles à contratação de equipes criativas, fornecedores e prestadores de serviços, a realização do evento movimenta diferentes atividades econômicas.

A edição de 2026 também marca uma mudança na organização do calendário brasileiro. Sob a gestão da IMM, responsável pelo SPFW e pelo Rio Fashion Week, as duas semanas passam a ocupar períodos distintos: o Rio de Janeiro concentra as apresentações do primeiro semestre, enquanto São Paulo assume a segunda metade do ano.

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A reorganização estabelece dois momentos de exposição para a produção nacional e amplia as possibilidades de relacionamento entre criadores, compradores e empresas. O movimento acompanha uma transformação na forma como a moda é utilizada comercialmente, não apenas para apresentar coleções, mas também para construir marcas, lançar produtos e alcançar novos públicos.

Grandes empresas ampliam estratégias na moda

A aproximação de companhias de outros setores com o universo fashion é um dos destaques desta edição.

A Mantecorp Skincare, marca da Hypera Pharma, é um exemplo dessa movimentação. Depois de participar de apresentações da Mondepars e atuar no Rio Fashion Week, a empresa assume posição de destaque no SPFW, ampliando sua presença em um território que reúne beleza, comportamento e experiências de consumo.

A estratégia da companhia vai além da exposição institucional. No evento paulista, a Mantecorp terá um espaço dedicado à experimentação de produtos e prepara um lançamento ainda não revelado. A iniciativa integra o esforço da marca para aproximar o cuidado com a pele do cotidiano e das experiências ligadas à moda.

“A moda é um território que nos permite ampliar as formas de conversar com o consumidor”, afirma Adalmario Couto, diretor executivo da unidade de negócios de skincare da Hypera Pharma.

A iniciativa mostra como o ambiente da moda passou a ser utilizado por empresas de diferentes segmentos para fortalecer sua relação com o público e explorar novas oportunidades comerciais.

No entretenimento, a aposta está na transformação de propriedades intelectuais em produtos. A MSP Estúdios, responsável pelo universo de Mauricio de Sousa, levará ao SPFW uma coleção de 35 looks assinada pelo estilista Dario Mittmann, encerrando o calendário de homenagens aos 90 anos do criador da Turma da Mônica.

O projeto reúne moda, quadrinhos e produtos licenciados. Em parceria com a Panini, a MSP lançará uma história inédita da Turma da Mônica, cujo desfecho será apresentado durante o desfile. A Piticas, por sua vez, terá quatro modelos de camisetas relacionados à coleção, destinados às suas lojas físicas.

A iniciativa explora o potencial comercial de personagens que atravessam gerações e mostra como o licenciamento pode ampliar a presença de uma marca em diferentes categorias de consumo. Nesse modelo, a passarela funciona também como ponto de partida para produtos que chegam diretamente ao varejo.

A conexão entre moda e outras atividades econômicas aparece ainda na parceria entre Ronaldo Fraga e o movimento Sou de Algodão, criado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que celebra dez anos.

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A apresentação coloca em evidência uma cadeia que começa no agronegócio, passa pela indústria têxtil e chega ao consumidor por meio de peças de maior valor agregado.

Essa integração já produz resultados mensuráveis. Segundo a Abrapa, o programa SouABR, que utiliza tecnologia blockchain para rastrear a origem do algodão, registrou 319.647 peças rastreáveis produzidas em 2025.

O projeto contou com a participação de empresas como Calvin Klein, C&A e Dudalina, além de produtores rurais, fiações, tecelagens e confecções. Em 2026, a iniciativa entrou em uma nova fase de expansão, buscando ampliar a adesão de marcas e fornecedores.

Para a indústria, a rastreabilidade permite associar informações sobre a origem da matéria-prima ao produto final, criando oportunidades de diferenciação comercial e valorização da produção brasileira.

A força das marcas brasileiras e os novos negócios

Enquanto grandes empresas exploram a moda para ampliar sua presença em outros mercados, marcas independentes encontram no SPFW uma oportunidade de fortalecer sua identidade e conquistar espaço comercial.

A programação reúne nomes como Alexandre Herchcovitch, João Pimenta, Lilly Sarti e Amir Slama, ao lado de criadores que apostam em técnicas artesanais, matérias-primas regionais e processos de produção próprios.

Entre eles estão a cearense Catarina Mina, a alagoana Foz e a baiana Dendezeiro, marcas que incorporam diferentes referências culturais e produtivas à construção de suas coleções.

A valorização dessas características também tem uma dimensão empresarial. Ao transformar conhecimentos tradicionais e técnicas manuais em produtos autorais, as marcas buscam diferenciação em um mercado competitivo e criam oportunidades de trabalho para profissionais envolvidos em suas cadeias de produção.

A renovação do setor aparece ainda na estreia de duas marcas: Ammi, dirigida por Amanda Felisberto e especializada em crochê, e Hisha, que participou do Rio Fashion Week em abril. A presença das duas no calendário paulista mostra a integração entre as semanas de moda e abre novas possibilidades de exposição para negócios em diferentes estágios de desenvolvimento.

Outro destaque é o Cria Costura, programa do Instituto Nacional de Moda, Design e Economia Criativa (INMODE), realizado em parceria com a Prefeitura de São Paulo. A iniciativa reúne formação técnica, desenvolvimento de produtos e conhecimentos de gestão para aproximar novos talentos da indústria.

O projeto parte de uma questão central para a economia criativa: a necessidade de transformar habilidades e repertórios culturais em negócios capazes de gerar renda e construir trajetórias profissionais.

Esse movimento se conecta à própria transformação do SPFW ao longo de três décadas. Criado como uma plataforma para apresentar e valorizar a moda brasileira, o evento passou a reunir diferentes modelos comerciais, aproximando marcas autorais, indústrias, grandes companhias e profissionais de diversos setores.

A 61ª edição também reforça essa relação com a cidade de São Paulo. Com desfiles distribuídos entre o Pavilhão das Culturas Brasileiras (PACUBRA), no Parque Ibirapuera, e espaços como a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), o Teatro Cultura Artística e a Praça Charles Miller, a programação mobiliza estruturas de produção e serviços em diferentes regiões da capital.

O resultado é uma atividade econômica que não se limita à comercialização de roupas. Ela envolve investimentos em comunicação, tecnologia, desenvolvimento de produtos, serviços especializados e experiências de consumo.

Ao completar 30 anos, o São Paulo Fashion Week evidencia como a moda se conecta a decisões empresariais que atravessam diferentes setores da economia. Das estratégias de grandes grupos à valorização da produção artesanal, a nova temporada reúne iniciativas que mostram como a criatividade brasileira pode se traduzir em negócios, geração de renda e valor para as marcas.

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