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O impacto bilionário que o fim das patentes das canetas emagrecedoras pode causar no setor
Publicado 10/02/2026 • 21:04 | Atualizado há 8 meses
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Publicado 10/02/2026 • 21:04 | Atualizado há 8 meses
KEY POINTS
Foto: REUTERS/George Frey/Foto de arquivo
Medicamento Mounjaro
A discussão sobre medicamentos para obesidade e diabetes no Brasil ganhou um novo fator de risco. Não por uma decisão de agência reguladora ou por um movimento de mercado, mas por um gesto político que colocou sob dúvida a exclusividade um dos ativos mais valiosos da indústria farmacêutica global.
A aprovação na Câmara dos Deputados do regime de urgência para o projeto de lei que declara o Mounjaro e o Zepbound, da Eli Lilly, como medicamentos de interesse público, colocou oficialmente no radar a possibilidade de licenciamento compulsório da tirzepatida no Brasil.
Embora o mérito do texto ainda precise ser votado, a simples aceleração da tramitação foi suficiente para mudar o tom da conversa entre investidores, analistas e empresas do setor. Em mercados intensivos em pesquisa e desenvolvimento, a previsibilidade da proteção intelectual é um dos principais pilares do modelo de negócios. Quando esse pilar passa a ser questionado, o efeito imediato não é apenas jurídico, mas também financeiro.
Leia também: Câmara aprova urgência para projeto que quebra patentes do Mounjaro e Zepbound
Essa percepção fica mais clara quando se observa o ciclo de inovação por trás de uma molécula desse tipo. O professor de varejo da Strong Business School, Ulysses Reis, chama atenção para o tempo e o investimento envolvidos no desenvolvimento e aprovação de um medicamento inovador, e para como uma intervenção no período de exclusividade pode afetar o retorno econômico esperado.
“Para você criar uma molécula nova, precisa de pelo menos 12 anos… Provavelmente a Eli Lilly investiu de 12 a 20 anos para criar esse produto no desenvolvimento e na aprovação. Para eles, isso não é nada bom”, apontou ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
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Siga o Times | CNBCO debate brasileiro acontece, ainda, num momento em que a categoria de agonistas de GLP-1 e terapias relacionadas deixou de ser um nicho e virou um mercado com escala e visibilidade, grande o suficiente para entrar em relatórios de equity, consumo e saúde. Um relatório do BTG Pactual, citando dados da IQVIA, estima que o segmento de GLP‑1 tenha movimentado algo em torno de R$ 5 bilhões em 2024 no Brasil, com expectativa de continuar crescendo. Estimativas de bancos como Itaú BBA e XP apontam que o mercado pode ter alcançado cerca de R$ 10 bilhões em 2025, à medida que novos produtos e concorrentes ampliaram a oferta.
Na prática, esse peso aparece primeiro na precificação. À medida que concorrentes entram no mercado, o prêmio cobrado pelo produto original tende a encolher, comprimindo margens e redistribuindo valor ao longo da cadeia. Para Ulysses, esse movimento segue um padrão clássico de ciclo de vida de produtos. “Lançando um produto premium aqui no Brasil como esse, os fabricantes brasileiros podem chegar até 50% [do preço do medicamento de referência]. Provavelmente em um ano já vai cair até chegar a 30% ou menos [do preço do original], depende da procura e da concorrência.”
Leia também: Senado discute quebrar patente do Mounjaro e levar remédio da obesidade ao SUS
Ao mesmo tempo, a relevância econômica da classe cria um efeito colateral importante: os impactos “fora da prateleira” começam a ser modelados. O Goldman Sachs, por exemplo, analisou como o avanço de GLP-1 pode pressionar segmentos como bebidas alcoólicas em determinados cenários e discutiu possíveis implicações para companhias do setor — um sinal de que o tema passou a ser tratado como variável econômica, não apenas de saúde.
O ponto central para negócios não é a existência de um mecanismo legal (já previsto em lei), mas o fato de que o Congresso colocou esse mecanismo no centro do debate de um medicamento que, globalmente, é tratado como ativo estratégico. O mercado passa a recalcular o valor da exclusividade no Brasil e a precificar, desde já, um risco que não depende apenas do ciclo de patentes, mas de decisões políticas.
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