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Oncoclínicas abre investigação sobre gestão anterior em meio à crise financeira e dívidas de R$ 5,1 bilhões

Publicado 15/10/2026 • 08:37 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Oncoclínicas cria comitê independente para investigar contratos, investimentos e decisões da gestão anterior.
  • Empresa enfrenta crise financeira, acumula cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas e recorre à recuperação extrajudicial.
  • Disputas entre acionistas e questionamentos sobre vínculos com o Banco Master aumentam as incertezas sobre a companhia.

Foto: Divulgação

A Oncoclínicas anunciou, nesta quarta-feira (14), que está investigando decisões e operações realizadas durante a gestão anterior da companhia. A apuração é conduzida por um comitê especial criado pelo Conselho de Administração em 25 de agosto de 2026, em meio ao agravamento da situação financeira da rede de tratamento oncológico.

A iniciativa busca examinar procedimentos administrativos, movimentações financeiras e negócios realizados pela empresa. Segundo a Oncoclínicas, os trabalhos continuam em andamento e ainda não há resultados que permitam apontar eventuais irregularidades.

Investigação abrange contratos, despesas e investimentos

O Comitê Especial Independente é formado por integrantes do Conselho de Administração e pelo presidente-executivo (CEO) da companhia. O grupo ficou responsável por coordenar a análise de diferentes áreas da administração anterior, incluindo contratos comerciais, investimentos, operações societárias e gastos realizados por executivos.

Segundo o InvestNews, também estão sob avaliação transações com partes relacionadas, que envolvem negócios entre a companhia e pessoas ou empresas com vínculos com seus administradores ou acionistas. Outro ponto da investigação são os mecanismos internos de controle e prevenção de irregularidades, conhecidos como programas de integridade e compliance.

Para auxiliar nos trabalhos, a Oncoclínicas contratou a consultoria Ernst & Young (EY) e o escritório Tozzini Freire Advogados, responsáveis por prestar apoio técnico e jurídico às apurações. A empresa destacou que a abertura da investigação não significa que tenham sido identificadas práticas ilegais ou condutas inadequadas. Até a divulgação do comunicado, o comitê não havia apresentado conclusões sobre os fatos examinados.

Leia também: Médicos acionistas da Oncoclínicas cobram auditoria e questionam gestão em meio à crise financeira

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Endividamento pressiona situação financeira

A revisão dos atos administrativos ocorre em um momento de dificuldades financeiras para a Oncoclínicas. Após um período de expansão acelerada, sustentado em parte pela contratação de empréstimos e outras obrigações financeiras, a companhia passou a enfrentar problemas relacionados ao elevado endividamento.

O volume de dívidas é estimado em aproximadamente R$ 5,1 bilhões. Diante desse cenário, a empresa recorreu à recuperação extrajudicial, mecanismo que permite negociar a reestruturação de determinadas obrigações diretamente com credores, conforme as regras previstas na legislação.

O procedimento busca estabelecer novas condições para o pagamento dos compromissos financeiros, sem a necessidade de recorrer inicialmente a um processo tradicional de recuperação judicial. A pressão sobre as contas da companhia também amplia os desafios para a manutenção das operações e para a definição de uma estratégia de reorganização financeira.

Disputas societárias aumentam incertezas

Além das dificuldades para administrar suas dívidas, a Oncoclínicas enfrenta divergências envolvendo acionistas e investidores, entre eles o banco Goldman Sachs e o fundo de investimentos Centaurus. As disputas acrescentam um componente de instabilidade ao processo de reorganização da companhia, principalmente em relação à sua estrutura de controle e às decisões sobre os próximos passos do negócio.

O cenário também é marcado por questionamentos relacionados a vínculos da empresa com o caso de fraude envolvendo o Banco Master. As informações apresentadas, contudo, não permitem estabelecer que essas relações tenham resultado em irregularidades praticadas pela Oncoclínicas ou por seus administradores.

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