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Tecnologia & Inovação

Executiva da Google DeepMind defende preparação para mudanças em decorrência da IA

Publicado 06/10/2026 • 13:15 | Atualizado há 44 minutos

KEY POINTS

  • Lila Ibrahim está na DeepMind desde 2018 e recentemente deixou o cargo de diretora de operações para assumir sua nova posição no C-level como Chief AI Readiness Officer.
  • A ex-engenheira de chips da Intel e investidora de venture capital compartilhou como utiliza a IA na vida profissional e pessoal em entrevista a Julia Boorstin, da CNBC, no podcast “CNBC Changemakers”.
  • Ibrahim afirma que, à medida que as mudanças provocadas pela IA na sociedade se aceleram, será fundamental que a próxima geração, incluindo seus próprios filhos, aprenda a usar a tecnologia de forma responsável para poder exigir “ter de fato um papel na forma como essa mudança acontece”.
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Foto: unsplash

Executiva da Google DeepMind destaca aprendizado contínuo e participação social como essenciais para lidar com os impactos da IA.

Lila Ibrahim, Chief AI Readiness Officer da Google DeepMind, pode ser a única pessoa no mundo com esse título. Ela afirma que não teria aceitado o cargo se não acreditasse que, no fim, os benefícios da inteligência artificial superarão os riscos.

“Não acho que conseguiria fazer este trabalho se não acreditasse que os benefícios vão superar os riscos”, disse ela à jornalista Julia Boorstin, da CNBC, no episódio mais recente do podcast “CNBC Changemakers”.

Ibrahim passou quase uma década ajudando a Google DeepMind a desenvolver inteligência artificial e a se antecipar às complexas questões éticas – e até mesmo existenciais – relacionadas ao rápido avanço da tecnologia. Agora, seu foco está em avaliar se trabalhadores, escolas e comunidades estão preparados para o que vem pela frente.

Ibrahim foi incluída na lista de Changemakers da CNBC de 2025.

No início deste ano, Ibrahim assumiu o novo cargo após atuar como diretora de operações da Google DeepMind. Segundo ela, a função não diz respeito à preparação da própria DeepMind para a IA, mas a ajudar o restante do mundo a compreender e se adaptar à aceleração das mudanças, à medida que a IA deixa os laboratórios e passa a fazer parte de mais áreas da vida cotidiana, da pesquisa científica e da previsão do tempo à educação e à produtividade no trabalho.

Para Ibrahim, a questão não é saber se a IA ficará mais capaz, nem exatamente de que maneira isso acontecerá. A pergunta mais importante, segundo ela, é se as pessoas terão voz sobre como a tecnologia será utilizada.

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“Embora eu possa não saber o que ela fará, sei que ainda podemos – temos a capacidade de influenciar como chegaremos lá”, afirmou. Ela acrescentou, porém, que “não é possível moldar o futuro certo sem fazer isso junto às comunidades que serão impactadas”.

Para trabalhadores que acompanham manchetes sobre demissões provocadas pela IA e automação, o conselho de Ibrahim é simples: começar a usar a tecnologia.

“Você precisa começar a usar IA por conta própria e criar tempo e espaço para isso”, disse. “Você não precisa ser a pessoa mais inteligente da sala.”

Como as equipes corporativas da DeepMind usam IA diariamente

Ibrahim e suas equipes na DeepMind colocam essa ideia em prática todos os dias. Segundo ela, o uso mais “transformador” da IA em seu trabalho diário está relacionado a documentos de briefing.

“Entrei na engenharia em parte porque não queria ter que ler e escrever muito, e a capacidade de sintetizar [informações] de uma forma que consigo absorver muito rapidamente foi transformadora, não apenas para mim, mas também para a equipe que precisa preparar esse material”, afirmou.

Diante do volume de acontecimentos e da necessidade de avançar rapidamente, ela avalia que a IA permite que as equipes sejam mais eficientes e liberem tempo para trabalhos que exigem mais reflexão.

Ibrahim resume o uso diário da IA em três perguntas que faz a todos os integrantes de sua equipe:

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  • Como você está usando IA?
  • O que ajudaria você a usá-la mais?
  • Onde você não está usando IA?

A terceira pergunta envolve o papel do talento humano, que, segundo ela, é fundamental.

“É para isso que precisamos contratar; precisamos recompensar. É isso que queremos continuar desenvolvendo em nossos funcionários”, afirmou.

Ela acrescentou que a lógica também vale para si mesma. “A IA pode ajudar a automatizar todas as minhas tarefas, mas não pode automatizar minhas terças-feiras”, disse Ibrahim.

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Educação para a próxima geração

Pensando em suas duas filhas adolescentes, Ibrahim afirma que o aprendizado sobre IA precisa começar muito antes de os jovens entrarem no mercado de trabalho.

“Elas vão herdar a tecnologia que estamos desenvolvendo e, ainda assim, não estão tendo voz sobre como isso está sendo ensinado a elas, como está sendo integrado às escolas ou às suas vidas. Então, eu adoraria que víssemos as escolas se envolverem um pouco mais e trabalharem com os professores”, afirmou.

Segundo Ibrahim, os professores devem continuar liderando o processo junto aos estudantes para definir como explorar os limites do uso da tecnologia.

Ao mesmo tempo, ela defende que os alunos precisam “crescer com mais conhecimento sobre o que a tecnologia é e o que não é, e também sobre quais são os usos responsáveis para ela”.

Ao relembrar sua trajetória profissional, que começou na pós-graduação em engenharia elétrica, passou pelo desenvolvimento do processador Pentium da Intel e chegou à Google DeepMind e à inteligência artificial, Ibrahim afirmou que muitas mudanças já ocorreram durante sua vida — e que o mesmo deve acontecer com a próxima geração.

“Tudo o que podemos fazer é ensinar o amor pelo aprendizado e pela curiosidade, além da resiliência para saber que a mudança está chegando e que eles podem, de fato, ter um papel na forma como essa mudança acontece.”

“Uma das coisas que acredito que será importante é o aprendizado contínuo”, afirmou.

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