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iPhone Duo testa poder da Apple como símbolo de status
Publicado 16/10/2026 • 17:41 | Atualizado há 46 minutos
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Publicado 16/10/2026 • 17:41 | Atualizado há 46 minutos
KEY POINTS
Foto: Getty Images
O CEO da Apple, John Ternus, ao lado da vice-presidente de design industrial, Molly Anderson, apresenta o novo iPhone Duo durante um evento da Apple no Steve Jobs Theater, no Apple Park, em Cupertino, Califórnia, em 9 de setembro de 2026
O iPhone Duo, o aparelho mais caro já lançado pela Apple, entrou em pré-venda nesta sexta-feira, com o estoque para retirada no dia do lançamento esgotado e algumas estimativas de entrega pela internet já adiadas para o fim de janeiro.
Em comunicado, a companhia afirmou que a procura na pré-venda foi “simplesmente extraordinária”.
“Estamos trabalhando intensamente para colocar esse novo produto revolucionário nas mãos dos clientes o mais rápido possível e continuaremos aceitando pedidos online”, informou a Apple.
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O primeiro celular dobrável da Apple custa a partir de US$ 1.999 (R$ 10,2 mil) e ultrapassa US$ 3.000 na versão de 2 TB, que chega a US$ 3.199 (R$ 16,3 mil). É a maior mudança no desenho físico do iPhone em anos e cria uma faixa de preços inteiramente nova, acima dos modelos Pro e Pro Max.
A corrida inicial pelas unidades oferece uma primeira indicação da demanda por trás da aposta da Apple: saber se um design radicalmente novo pode convencer os consumidores a gastar mais e reforçar ainda mais o iPhone como símbolo de status.
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Analistas ouvidos pela CNBC, porém, afirmaram que a aposta da Apple não depende de os dobráveis se tornarem subitamente um produto de massa. A expectativa é que um grupo relativamente pequeno de seus consumidores que mais gastam se torne significativamente mais valioso.
Os celulares dobráveis devem representar pouco mais de 2% das unidades de smartphones vendidas no mundo neste ano, mas quase 7% da receita do setor, segundo a IDC. Até 2030, a consultoria prevê que a categoria responderá por 10% da receita e apenas cerca de 3% das unidades.
Essa diferença entre volume e valor está no centro da oportunidade da Apple.
“O Duo está rapidamente se tornando um dobrável aspiracional”, disse Nabila Popal, da IDC, à CNBC, comparando seu apelo à posição mais ampla da Apple como marca de smartphones desejada pelos consumidores.
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Popal, diretora sênior global de pesquisa da equipe de dispositivos de consumo da IDC, afirmou que a tecnologia em si não representa necessariamente uma ruptura. Celulares Android dobráveis existem há anos. A novidade é a Apple levar esse formato à enorme base de usuários que já fazem parte do ecossistema do iPhone.
A própria Apple estuda esse formato há mais de uma década. Em 2011, Ternus e outros cinco engenheiros da empresa apresentaram um pedido de patente para dispositivos eletrônicos dobráveis, segundo um perfil recente publicado pela TIME.
“Não é que seja uma inovação revolucionária ou uma tecnologia nova, mas é da Apple”, disse Popal.
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O Duo também pode ser mais acessível do que alguns observadores do setor esperavam. Anshel Sag, analista da Moor Insights que participou do evento de lançamento, disse que muitos previam um preço inicial entre US$ 2.400 (R$ 12.192) e US$ 2.500 (R$ 12.700).
Ao estabelecer o preço inicial em US$ 1.999 (R$ 10.154,92), a Apple indica, segundo Sag, que “quer uma grande participação de mercado”.
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Sag espera que o Duo se torne “um grande símbolo de status” durante a temporada de festas de fim de ano e possivelmente também no próximo ano.
Esse apelo de status pode ser reforçado pela escassez. Tarun Pathak, diretor da Counterpoint Research, disse à CNBC que a consultoria espera que a demanda inicial supere a oferta.
A Apple tem uma base instalada de aproximadamente 1,4 bilhão de iPhones, observou ele. Isso significa que mesmo uma pequena parcela de compradores pioneiros poderia esgotar as cerca de 6 milhões de unidades, ou menos, que a Counterpoint espera disponíveis no curto prazo.
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A IDC também prevê restrições iniciais de oferta devido à complexidade do aparelho e aos padrões de fabricação e qualidade da Apple. “A exclusividade faz parte do apelo atual”, disse Popal.
A Apple já fez apostas explícitas no luxo. Quando lançou o primeiro Apple Watch, ofereceu uma edição de ouro de 18 quilates, com preço inicial de US$ 10 mil (R$ 50.800). Também estabeleceu uma parceria duradoura com a Hermès para pulseiras e designs premium.
Esse movimento ocorreu durante a passagem de Angela Ahrendts, ex-CEO da Burberry que ingressou na Apple em 2014 para comandar as lojas físicas e online, quando a companhia experimentava incorporar às lojas e aos produtos elementos de apresentação e linguagem da moda de luxo.
O Duo leva essa ideia ao principal negócio de produtos da Apple.
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A IDC espera que a Apple entregue aproximadamente 7 milhões de unidades neste ano, o equivalente a cerca de 3% do total de aparelhos enviados pela empresa em 2026.
Popal prevê que as entregas do Duo possam crescer mais 70% no próximo ano. Isso daria à Apple aproximadamente 40% do mercado global de dobráveis e a tornaria a maior fabricante da categoria, superando Samsung e Huawei.
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Siga o Times | CNBCSegundo a projeção da analista, a Apple poderia entregar em seis meses tantos Duos quanto os antigos líderes da categoria entregaram durante todo o ano de 2025.
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Mas o número mais importante para a Apple talvez não seja o de unidades. Analistas esperam que boa parte dos compradores do Duo já tenha um iPhone, incluindo consumidores que, de outra forma, comprariam um Pro Max e agora migrariam para um aparelho centenas de dólares mais caro.
Outros poderão adquirir o Duo como um segundo smartphone, aproveitando o ecossistema da Apple para alternar de maneira relativamente simples entre ele e seu iPhone principal.
Popal afirmou que a migração de iPhones premium de aproximadamente US$ 1.200 (R$ 6.096) para um dispositivo que começa perto de US$ 2 mil deverá proporcionar um “impulso saudável” à receita da Apple, mesmo que os volumes totais continuem relativamente pequenos.
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O JPMorgan chegou a uma conclusão semelhante. O banco espera que o Duo tenha impacto desproporcional sobre a receita do iPhone por causa do preço médio de venda muito mais alto, embora o total de unidades vendidas de iPhone deva permanecer praticamente estável no próximo ano.
O JPMorgan afirmou que o ciclo do iPhone 18 tende cada vez mais a ser impulsionado por preços e pela composição dos modelos vendidos, e não pelo crescimento das unidades.
Gil Luria, analista da D.A. Davidson, disse que a Apple precisa que o Duo tenha sucesso, já que enfrentará bases de comparação difíceis em seus resultados depois do ciclo de atualização mais forte em anos.
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“Sem um impulso do Duo, eles podem registrar um crescimento de receita bastante modesto”, disse Luria à CNBC.
O aparelho oferece várias maneiras de gerar esse impulso, acrescentou. Ele aumenta o preço médio de venda ao atrair fãs fiéis da Apple que comprariam um Pro Max, pode conquistar usuários de dobráveis Android que não tinham opção equivalente na Apple e pode produzir um efeito positivo sobre toda a linha de iPhones.
Luria afirmou que alguns consumidores visitarão as lojas da Apple especificamente para conhecer o Duo, “mas provavelmente sairão com um iPhone ou iPhone Pro pela metade do preço”.
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Isso significa que o Duo pode beneficiar a Apple mesmo quando o consumidor decide não comprá-lo.
Os prazos de entrega do iPhone 18 Pro diminuíram em vários mercados em comparação com o ciclo anterior, enquanto o Pro Max, mais caro, manteve desempenho melhor, segundo o acompanhamento do JPMorgan.
O Morgan Stanley afirmou separadamente que suas verificações na cadeia de suprimentos são compatíveis com reduções incomumente antecipadas nos pedidos de componentes para Pro e Pro Max, embora ainda não tenha encontrado evidências de que os ajustes tenham resultado em cortes na produção de iPhones acabados.
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Isso coloca mais pressão sobre o Duo para atrair compradores ao topo da linha da Apple.
A decisão da Apple de oferecer um iPhone mais caro ocorre quando a economia do mercado mais amplo de smartphones se torna cada vez mais difícil. Os consumidores já estão mantendo os aparelhos por mais tempo, e o crescimento global do setor desacelera.
Wayne Lam, analista da TechInsights, disse que posicionar o iPhone em uma faixa de preço ainda mais elevada oferece à Apple outra forma de proteger a receita gerada por seu produto mais importante.
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“Considerando que o iPhone tem quase 20 anos, realmente não há muito mais para onde ir, dada a posição da Apple no mercado”, disse Lam à CNBC.
Com a expectativa de desaceleração das vendas de smartphones, ele afirmou que “avançar para o segmento mais caro permite à Apple manter as receitas tão importantes do iPhone que ela divulga a cada trimestre”.
Lam descreveu o Duo como um produto aspiracional ou de luxo, e não como algo destinado ao consumidor médio.
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Mas, diferentemente dos produtos Vision da Apple, ele acredita que o dobrável tem caminho para se tornar uma categoria maior ao longo do tempo, especialmente à medida que a inteligência artificial transforma a forma como os consumidores interagem com seus aparelhos.
A contrapartida é que preços mais altos também podem levar os consumidores a esperar mais tempo antes de trocar de celular.
Segundo Lam, iPhones mais caros podem prolongar ainda mais os ciclos de substituição, criando um possível círculo vicioso: os dispositivos ficam mais caros, os consumidores os mantêm por mais tempo e a demanda geral cai.
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Ainda assim, Lam espera que a procura pelo Duo seja elevada em relação à oferta inicialmente limitada e afirmou que o aparelho poderá “estabelecer o padrão para os iPhones premium daqui para a frente”.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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