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Justiça francesa convoca Elon Musk para “entrevista voluntária” e amplia investigação sobre X
Publicado 03/02/2026 • 09:37 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 03/02/2026 • 09:37 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Brendan Smialowski/AFP
A Justiça francesa convocou Elon Musk para uma “entrevista voluntária”, nesta terça-feira (3), enquanto autoridades especializadas em crimes cibernéticos realizaram buscas nos escritórios da rede social X no país. A operação contou com apoio da Europol e integra uma investigação aberta em janeiro de 2025 sobre suspeitas de uso do algoritmo da plataforma para influenciar o debate político francês.
Os promotores também enviaram convocações para depoimentos marcados para abril de 2026 à então CEO da empresa à época dos fatos, Linda Yaccarino, que deixou o cargo no ano passado.
A apuração começou após denúncias de parlamentares franceses ligados ao presidente Emmanuel Macron, que alegam redução da diversidade de opiniões e interferência direta da administração da plataforma desde a aquisição da companhia por Musk, em 2022.
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Segundo reportagem do Le Monde, promotores confirmaram que a operação foi conduzida pela seção especializada em crimes cibernéticos do Ministério Público de Paris, com apoio da unidade nacional de cibersegurança da gendarmaria francesa e da Europol. Magistrados também convocaram funcionários da empresa para depor como testemunhas entre 20 e 24 de abril de 2026.
Ainda de acordo com o jornal francês, o inquérito passou a abranger suspeitas de: administração ilícita de plataforma digital; extração fraudulenta de dados; manipulação de sistemas automatizados e falsificação de processos algorítmicos.
O Ministério Público também investiga possíveis falhas na detecção de conteúdos ilegais envolvendo menores. De acordo com dados citados pelo Le Monde, mudanças nos sistemas de monitoramento em 2025 teriam provocado uma queda superior a 80% nos alertas enviados pela empresa a organismos internacionais de proteção infantil.
O escopo foi ampliado ainda após denúncias relacionadas ao chatbot Grok, ferramenta de inteligência artificial integrada ao X, acusada de gerar deepfakes sexualizados sem consentimento e conteúdos sensíveis. Relatórios analisados por investigadores apontaram milhares de imagens produzidas em poucos dias, parte delas com aparência de menores.
Outra frente envolve suspeitas de difusão de discursos negacionistas, o que abriu apuração por possíveis crimes contra a humanidade – uma das áreas mais sensíveis do arcabouço jurídico europeu.
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A direção francesa do X reagiu afirmando que mantém políticas rígidas contra discurso de ódio e desinformação e classificou a investigação como “politicamente motivada”. Autoridades dos Estados Unidos também criticaram o processo no ano passado, dizendo que defenderiam companhias americanas diante do que consideram tentativas de censura regulatória na Europa.
O episódio ocorre em meio ao endurecimento das regras europeias para grandes plataformas digitais, com foco crescente em:
Esses temas passaram a integrar de forma central as análises de risco de investidores institucionais e operadores de infraestrutura digital no continente.
Para o mercado, o avanço das investigações amplia a percepção de risco regulatório para empresas que operam serviços digitais em larga escala no continente europeu. Analistas avaliam que processos desse tipo podem afetar:
O caso do X soma-se a uma série de disputas regulatórias envolvendo big techs no bloco europeu, em um momento em que governos buscam reforçar o controle sobre plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial – um movimento acompanhado de perto por fundos globais e players estratégicos do setor.
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