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Oracle está construindo data centers do passado com dívida do futuro
Publicado 09/03/2026 • 18:57 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 09/03/2026 • 18:57 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A velocidade com que os chips de inteligência artificial evoluem está superando o ritmo de construção de data centers, expondo um risco crescente para o mercado de infraestrutura de IA e para a estratégia de expansão financiada por dívida da Oracle.
A OpenAI decidiu não avançar com a expansão de sua parceria com a Oracle em Abilene, no Texas, onde está localizado o data center Stargate, porque pretende utilizar clusters com gerações mais recentes de GPUs da Nvidia, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.
O site atual em Abilene deve utilizar os processadores Blackwell da Nvidia, e a energia necessária para o funcionamento completo do complexo não deve estar disponível por cerca de um ano. Até lá, a OpenAI espera ter acesso ampliado a chips de próxima geração da Nvidia em clusters maiores instalados em outros locais, disse a fonte, que pediu anonimato por motivos de confidencialidade.
Leia também: Oracle: por que o plano bilionário de IA derrubou as ações da empresa?
A Bloomberg foi a primeira a informar que as empresas estavam encerrando os planos de expansão em Abilene. Em publicação no X, no domingo, a Oracle afirmou que reportagens sobre o tema eram “falsas e incorretas”, acrescentando apenas que os projetos já existentes continuam no cronograma, sem comentar diretamente os planos de expansão.
A Oracle havia garantido o terreno, encomendado equipamentos e investido bilhões de dólares (US$ bilhões – R$ bilhões) em construção e contratação de funcionários, esperando ampliar significativamente o projeto.
Um porta-voz da Oracle se recusou a comentar o caso.
Do ponto de vista da OpenAI, a decisão é considerada lógica, já que a empresa não quer utilizar chips que possam se tornar obsoletos rapidamente. No passado, a Nvidia lançava novas gerações de processadores para data centers a cada dois anos. Agora, sob liderança do CEO Jensen Huang, a empresa passou a lançar uma nova geração todos os anos, com saltos significativos de desempenho.
O chip Vera Rubin, apresentado na CES em janeiro e já em produção, oferece cinco vezes mais desempenho em inferência do que o Blackwell, reforçando a velocidade da evolução tecnológica.
Leia também: Oracle anuncia saída de diretores mais velhos e reduz conselho
Para as empresas que desenvolvem modelos de IA de ponta, mesmo pequenas melhorias de desempenho podem gerar grandes diferenças em benchmarks e rankings de modelos, métricas acompanhadas de perto por desenvolvedores e que impactam diretamente uso da plataforma, receitas e valuation.
Esse cenário revela um problema estrutural para o setor. Para empresas de infraestrutura, garantir um terreno, conectar energia e construir um data center leva de 12 a 24 meses no mínimo. Já os clientes acompanham atualizações anuais de chips e buscam sempre a tecnologia mais recente disponível.
O desafio da Oracle é ainda maior porque ela é a única entre as grandes empresas de computação em nuvem a financiar a expansão principalmente com dívida, acumulando mais de US$ 100 bilhões (R$ 521 bilhões) em passivos. Em contraste, Google, Amazon e Microsoft utilizam o forte fluxo de caixa de seus negócios principais para financiar seus investimentos.
Leia também: Oracle rebate reportagem do FT sobre parceria em data center
Enquanto isso, a parceira da Oracle Blue Owl decidiu não financiar uma nova instalação adicional e planeja cortar até 30 mil empregos, segundo as informações disponíveis.
A Oracle divulgará seus resultados fiscais do terceiro trimestre na terça-feira (10), e investidores acompanharão de perto como a empresa pretende sustentar um plano de investimento de US$ 50 bilhões (R$ 260,5 bilhões) em capex, mesmo com fluxo de caixa livre negativo, além de avaliar se a estrutura de financiamento continuará viável.
As ações da Oracle já acumulam queda de 23% neste ano e perderam mais da metade do valor desde o pico registrado em setembro.
Além da situação da Oracle, a depreciação acelerada de GPUs representa um risco mais amplo para o mercado. Contratos de infraestrutura assinados hoje podem significar compromissos com hardware que se tornará ultrapassado antes mesmo de os data centers estarem plenamente conectados à rede elétrica.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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