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Vendas globais de celulares caem 20%, o nível mais baixo em 14 anos, em meio a crise de memória

Publicado 13/10/2026 • 11:20 | Atualizado há 43 minutos

KEY POINTS

  • Remessas globais de smartphones caem 20% no terceiro trimestre de 2026, atingindo o menor nível para o período em 14 anos.
  • Escassez de memória RAM e aumento dos custos de componentes elevam os preços dos celulares em até 20% desde o início do ano.
  • Samsung e Apple ampliam participação no mercado ao priorizar modelos premium, enquanto Xiaomi, OPPO e vivo registram quedas nas remessas.

REUTERS/Jeenah Moon

Uma pessoa segura um telefone Samsung Galaxy Z Fold 7 durante um evento em Nova York,

As remessas de smartphones diminuíram 20% globalmente durante o terceiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo assim o nível mais baixo de vendas dos últimos 14 anos, motivado pela crise da memória RAM, pela falta de oferta e por mudanças no comportamento dos usuários.

O setor de tecnologia vem enfrentando uma situação complexa em relação à memória RAM há vários meses, uma vez que se criou um cenário de escassez global que disparou os preços desses componentes, em parte, pelo boom da inteligência artificial (IA), que está levando à priorização da fabricação de memórias de alto desempenho para centros de dados.

Fabricantes de smartphones com maior participação no 3T26
Participação de mercado e variação das remessas na comparação anual
# Fabricante Participação no 3T26 Remessas ante o 3T25 Destaque
1 Samsung
23%
Queda de 3% Manteve a liderança e teve o maior ganho de participação entre os principais fabricantes
2 Apple
22%
Queda (percentual não informado) Passou de 20% de participação pela primeira vez em um terceiro trimestre
3 Xiaomi
10%
Queda de mais de 30% Registrou a maior retração de remessas entre as marcas citadas
4 OPPO
9%
Queda de 20% Perdeu participação com a redução das remessas
5 vivo
8%
Queda de 20% Perdeu participação com a redução das remessas
Fonte Counterpoint. Elaboração Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC

Como resultado, os fabricantes de equipamentos originais (OEM) ligados a produtos de consumo – tanto smartphones quanto consoles de videogame e computadores, entre outros setores – estão sendo obrigados a aumentar os preços de seus produtos para lidar com a falta de oferta de componentes.

As consequências dessa situação já estão se fazendo sentir e, de acordo com um estudo realizado pela Counterpoint Research, as remessas globais de smartphones atingiram um novo mínimo, com uma queda de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior no terceiro trimestre deste ano.

Essa queda representa o nível mais baixo de vendas globais para esse período desde 2012, conforme detalhado pela empresa em um comunicado, no qual também foi esclarecido que, devido ao aumento dos preços das memórias DRAM e NAND durante este trimestre, os fabricantes de equipamentos originais (OEMs) “repassaram o aumento dos custos dos componentes aos consumidores”, elevando os preços de venda ao público dos smartphones em até 20% no que vai do início do ano.

No entanto, a Counterpoint também atribuiu essa notável queda nas remessas a uma série de mudanças no comportamento dos consumidores, que agora mantêm seus aparelhos por mais tempo, além de optarem cada vez mais por aparelhos recondicionados e priorizarem aqueles de maior valor.

“Isso gera uma pressão maior no mercado de massa, enquanto a demanda pela linha de ponta permanece relativamente estável, ampliando a diferença entre os segmentos premium e os sensíveis ao preço”, afirmou a empresa de análise e pesquisa.

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Samsung e Apple seguem liderando

Levando tudo isso em consideração, de acordo com os dados coletados pela Counterpoint, neste trimestre a Samsung manteve sua posição de liderança no terceiro trimestre de 2026. Isso se deve ao fato de ter registrado apenas uma queda de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto sua participação de mercado aumentou para 23%, sendo o maior crescimento entre os principais fabricantes OEM.

Por sua vez, a Apple também registrou bons resultados durante esse período de 2026, já que ultrapassou 20% de participação de mercado pela primeira vez em um terceiro trimestre. Especificamente, atingiu 22% de participação, apesar da queda nas remessas.

Ambas as empresas de smartphones optaram por se concentrar em seus modelos mais avançados de dispositivos móveis, como a série Galaxy Z Fold8 ou o novo iPhone 18 Pro, e em aumentar os preços, apostando no segmento premium em detrimento da gama média.

A Xiaomi, por sua vez, registrou uma forte queda nas remessas de mais de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior durante o terceiro trimestre, o que levou a uma redução de 10% em sua participação de mercado. Quanto a outras marcas, como a OPPO e a vivo, também registraram quedas nas remessas de dispositivos. Nesse caso, com uma queda de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, resultando em uma redução da participação de mercado para 9% e 8%, respectivamente.

Levando tudo isso em consideração, a Counterpoint destacou que as empresas de tecnologia estão priorizando a lucratividade em detrimento do volume de remessas, principalmente devido ao aumento no custo dos componentes. Assim, espera-se que continuem passando por cortes na produção e redução na oferta de produtos, com foco na linha de ponta.

Leia mais: Smartphones devem ficar mais caros no mundo todo em 2026. Como a IA tem culpa nisso

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