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“O desafio é enorme”, diz Radamés Casseb, CEO da Aegea, sobre investimentos para universalização do saneamento no Brasil
Publicado 21/10/2026 • 21:53 | Atualizado há 37 minutos
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Publicado 21/10/2026 • 21:53 | Atualizado há 37 minutos
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“O desafio é enorme” para universalizar o saneamento no Brasil até 2033, afirmou Radamés Casseb, CEO da Aegea, em entrevista nesta quarta-feira (21) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Segundo o executivo, 100 milhões de pessoas ainda não têm acesso a esgoto tratado e quase 40 milhões vivem sem água tratada, apesar do avanço das concessões após a aprovação do Marco Legal do Saneamento.
Para Radamés Casseb, o país avançou na estruturação de projetos, na atuação regulatória e na atração de investidores, mas há municípios que sequer iniciaram a discussão sobre a expansão dos serviços. “Falta muito para fazer ainda”, disse o CEO, ao defender audiências públicas, planejamento de investimentos e ampliação das ligações domiciliares e das estações de tratamento.
A Aegea opera em mais de 890 cidades de 15 estados, segundo o executivo. O objetivo é antecipar, sempre que possível, a universalização prevista nos contratos. “O foco é investir, conectar, levar a água tratada, levar a conexão de esgoto”, ressaltou Radamés Casseb, ao explicar que a prioridade atual é transformar os compromissos das concessões em atendimento efetivo à população.
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A execução das obras depende de investimentos elevados e de longo prazo. Radamés Casseb explicou que os recursos são captados antes da conexão de novos clientes e que, em contratos de 30 anos, o amadurecimento de determinados projetos pode levar até 16 anos. Esse intervalo expõe o setor às oscilações de juros, inflação e câmbio, inclusive quando parte do financiamento vem do exterior.
O CEO destacou que os aportes dos acionistas sustentam a expansão das redes de água e esgoto. Na entrevista, mencionou R$ 2,2 bilhões em uma rodada de capital e um total de R$ 3,3 bilhões aportados no ano, conforme os valores apresentados por ele. “O foco principal dessa alocação é em novas redes, em cobertura de serviço, em levar esse atendimento na casa do cliente”, afirmou.
Os acionistas citados por Radamés Casseb incluem Equipav, Itaúsa e o fundo soberano de Singapura, GIC. O executivo afirmou que a governança da companhia prioriza integridade, cuidado com as pessoas e sustentabilidade. Também defendeu que concessões exigem paciência financeira: o retorno do capital pode levar muitos anos, enquanto as obras precisam chegar inclusive às comunidades mais vulneráveis.
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A inclusão de famílias de baixa renda é tratada como prioridade nas novas operações, segundo o CEO. Radamés Casseb afirmou que a companhia procura atender primeiro os consumidores vulneráveis e adaptar as soluções às condições de cada cidade. Para ele, o efeito vai além da infraestrutura: “Quando a conexão chega na casa de alguém, você transforma esse mundo individual”, disse, citando melhorias na saúde, na autoestima e na qualidade de vida.
No Rio de Janeiro, a Águas do Rio atende aproximadamente 10 milhões de pessoas em 27 municípios, conforme os dados mencionados na entrevista. A operação começou em novembro de 2021 e, segundo Radamés Casseb, emprega quase 10 mil profissionais, parte deles contratada nas próprias comunidades atendidas. O executivo citou a recuperação de áreas como a Lagoa Rodrigo de Freitas, a praia do Flamengo e praias da Ilha do Governador como exemplos dos efeitos do avanço do tratamento de esgoto.
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Siga o Times | CNBCUm dos principais indicadores da operação fluminense é a redução do desperdício. As perdas de água caíram de quase 70% para 45%, segundo o CEO, que estabeleceu como objetivo chegar a aproximadamente 20% em até quatro anos. Radamés Casseb afirmou que o próximo ciclo de investimentos dará ênfase às redes coletoras e às estações de tratamento na Baixada Fluminense, com impacto esperado sobre rios, praias e a Baía de Guanabara.
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Satélites, telemetria e inteligência artificial integram a estratégia de eficiência operacional da Aegea. Radamés Casseb explicou que a escala da concessão do Rio permitiu ampliar o uso de satélites para procurar perdas de água, além de ferramentas digitais para prever falhas, organizar equipes e antecipar atendimentos. As soluções desenvolvidas em operações maiores, afirmou, podem ser replicadas em municípios menores.
O executivo também descreveu o emprego de gêmeos digitais, representações virtuais das redes de distribuição de água e coleta de esgoto. “Com a inteligência artificial, a gente começou a raciocinar sobre contingências”, explicou Radamés Casseb, ao citar simulações de rompimentos de tubulações, mudanças de pressão, variações de consumo e cenários climáticos que exigem respostas preventivas.
No relacionamento com os consumidores, a IA apoia centrais de atendimento e o deslocamento de equipes para ocorrências. Radamés Casseb disse que a tecnologia ajuda a planejar a distribuição de recursos e a prestar serviços por diferentes canais. Ele afirmou que a empresa acompanha o cumprimento dos contratos e mantém, em suas operações, um ritmo de atendimento cerca de 20% acima das metas parciais previstas.
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Para medir o avanço da universalização, o CEO apontou três indicadores centrais: a proporção de imóveis conectados à rede de água, a cobertura de esgoto e a recuperação ambiental de rios, lagos e praias. O planejamento das obras, explicou, precisa reduzir os transtornos causados pela abertura de valas e manter canais de comunicação com os moradores, tanto para informar quanto para receber reclamações.
A companhia também está ampliando a atuação em resíduos sólidos por meio da Regenera e da aquisição de um aterro em Seropédica (RJ), segundo Radamés Casseb. A estratégia é combinar tratamento de resíduos, produção de gás e geração de energia com os serviços de água e esgoto, formando uma operação de economia circular. O executivo relacionou essa expansão ao desafio nacional de eliminar lixões.
Ao falar sobre liderança, Radamés Casseb destacou a importância de ouvir os profissionais que atuam nas ruas e nas estações de tratamento. Segundo o CEO, são esses trabalhadores que ajudam a aprimorar as soluções e a transmitir experiências entre concessões. “A liderança mais escuta, mais pega os exemplos de quem está em campo atendendo as pessoas”, afirmou, ao relacionar a gestão de longo prazo ao compromisso de ampliar o saneamento.
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