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Direitos regionais da MLB movimentam US$ 1,6 bilhão em meio à migração para o streaming

Publicado 20/10/2026 • 17:48 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Os direitos regionais de transmissão da MLB seguem movimentando bilhões em meio às mudanças no mercado esportivo.
  • A migração da TV por assinatura para o streaming transforma a distribuição dos jogos nos Estados Unidos.
  • A liga prepara mudanças estratégicas para o próximo ciclo de negociação de direitos de mídia, previsto para 2028.
Atleta de beisebol

Foto: Reuters

O mercado de transmissão esportiva dos Estados Unidos passa por uma transformação, e a Major League Baseball (MLB) tenta adaptar seu modelo de negócios às mudanças no consumo de conteúdo. Mesmo com a redução do número de assinantes de TV por assinatura, os direitos de transmissão regional dos jogos de beisebol devem movimentar US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 8,03 bilhões) em 2026, segundo estimativas da Ampere Analysis.

O valor representa uma parcela importante das receitas de mídia da liga. Do total de US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 18,57 bilhões) estimados em receitas com transmissões, cerca de US$ 2,1 bilhões (aproximadamente R$ 10,54 bilhões) vêm de contratos nacionais, enquanto os acordos regionais respondem por aproximadamente 43% do montante.

As redes esportivas regionais, conhecidas pela sigla RSNs, tradicionalmente pagam às equipes para transmitir partidas em mercados específicos. No entanto, o modelo enfrenta dificuldades com a perda de assinantes da televisão paga e a migração do público para plataformas digitais.

Queda da TV por assinatura pressiona o mercado

A Ampere Analysis estima que o número de domicílios norte-americanos com TV por assinatura cairá de 96 milhões, em 2016, para 65 milhões até o fim de 2026. No sentido contrário, as residências que utilizam serviços de streaming devem passar de 57 milhões para 112 milhões no mesmo intervalo.

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A mudança afetou diretamente as empresas responsáveis pelas transmissões regionais. Nos últimos quatro anos, 13 das 30 equipes da MLB perderam seus parceiros locais de mídia esportiva, incluindo 12 casos relacionados às falências da Diamond Sports e do Main Street Sports Group.

Diante desse cenário, a própria liga ampliou sua participação na distribuição dos jogos. Na temporada de 2026, o serviço MLB.tv passou a deter os direitos regionais de 14 equipes, permitindo que os torcedores acompanhem as partidas pela plataforma sem as restrições tradicionais de transmissão local.

A entrada da MLB na transmissão regional ajuda a preencher o espaço deixado pelas emissoras tradicionais, mas também modifica a forma como as equipes recebem pelos direitos de mídia. Nos contratos convencionais, os clubes costumavam contar com pagamentos previamente estabelecidos. No modelo do MLB.tv, a receita está vinculada ao número de assinantes, sem a mesma garantia de valores fixos dos acordos tradicionais.

Segundo as estimativas da Ampere Analysis, as 14 equipes cujos direitos regionais estão sob responsabilidade da MLB.tv representam aproximadamente 30% da receita regional total de televisão, excluindo publicidade. Antes da mudança, parte desses clubes contava com contratos considerados mais lucrativos com as redes regionais.

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A diferença entre os mercados também permanece relevante. Los Angeles Dodgers e New York Yankees, por exemplo, representam juntos cerca de 23% da receita total estimada com direitos regionais da liga. O tamanho de suas bases de torcedores e o potencial comercial de seus mercados contribuem para essa concentração.

MLB prepara mudanças para o ciclo de 2028

A próxima rodada de negociações de direitos de mídia, prevista para 2028, poderá ampliar a centralização das transmissões locais. A intenção da MLB é reunir os direitos regionais sob uma estrutura mais coordenada, o que abriria espaço para negociar pacotes de jogos com plataformas de streaming em escala nacional.

Um acordo desse tipo poderia oferecer aos distribuidores um volume expressivo de eventos esportivos ao vivo e dar à liga maior controle sobre a exibição das partidas. A estratégia também acompanha a mudança nos hábitos de consumo, com o streaming ganhando espaço diante da televisão tradicional.

A discussão sobre receitas também envolve a diferença financeira entre equipes de grandes e pequenos mercados. O fim do atual acordo coletivo entre a MLB e a Associação de Jogadores, previsto para o final de 2026, poderá abrir espaço para negociações sobre a distribuição de receitas e o equilíbrio econômico entre os clubes.

A tendência de migração para o streaming deve continuar. Para 2031, a Ampere Analysis projeta que o número de domicílios norte-americanos com TV por assinatura cairá para 58 milhões, enquanto as residências que utilizam serviços de streaming chegarão a 120 milhões.

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As mudanças na distribuição de direitos esportivos regionais não se limitam ao beisebol. Após a crise do Main Street Sports Group, 13 equipes da NBA também precisaram buscar novas soluções de transmissão para a temporada 2026/27. A plataforma DAZN adquiriu direitos regionais de streaming de diversas equipes da liga de basquete.

Na National Hockey League (NHL), a resposta inclui a ampliação de operações centralizadas de produção. A NHL Productions assumirá serviços de produção para Carolina Hurricanes, Columbus Blue Jackets, Minnesota Wild e St. Louis Blues. A liga de hóquei também promoveu mudanças na estrutura de gestão de mídia, com a nomeação de Rob McGlarry para liderar a estratégia de mídia local e supervisionar a expansão da operação centralizada.

O movimento das três ligas evidencia uma reestruturação do mercado esportivo norte-americano. Com o enfraquecimento da televisão paga, MLB, NBA e NHL buscam alternativas para preservar o valor de seus direitos, manter o acesso dos torcedores às partidas e adaptar suas receitas a um ambiente cada vez mais orientado pelo streaming.

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