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Como a MLB quer transformar o Brasil em seu próximo grande mercado de beisebol
Publicado 13/07/2026 • 14:19 | Atualizado há 4 dias
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Publicado 13/07/2026 • 14:19 | Atualizado há 4 dias
KEY POINTS
O investimento e o desenvolvimento de uma nova modalidade em um cenário onde a cultura esportiva é agressivamente dominada por um único esporte, o futebol, é uma tarefa complexa. Ela exige um planejamento de longo prazo, balizado por pequenas metas que deem visibilidade ao processo. É exatamente por este caminho que a Major League Baseball (MLB) planeja pavimentar a estrada que conecta os EUA ao Brasil através do beisebol.
Ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Jeremiah Yolkut, Vice-presidente Sênior de Eventos Globais da MLB, Rebecca Sessel, Vice-presidente de Operações Internacionais da liga, e Pedro Rego Monteiro, CEO da Effect Sport, agência parceira responsável por esse movimento, detalharam a estratégia para desenvolver uma base sólida no país, em um plano que envolve educação, valores e a descoberta de promessas na América Latina.
O beisebol moderno tomou forma no século 19, nos Estados Unidos, país que neste ano de 2026 celebra os seus 250 anos de independência. De lá para cá, a modalidade passou por profundas transformações. A Liga Nacional e a Liga Americana coexistiram de forma independente por quase um século, até a unificação administrativa formal sob o guarda-chuva da MLB em 2000.
De acordo com dados da Heavy.com, em 2024 a MLB gerou um recorde de 11,6 bilhões de dólares em receita, posicionando-se firmemente entre as ligas mais influentes do mundo. Para reforçar o sucesso da liga, Shohei Ohtani, que tem o maior salário da história da liga (US$ 700 milhões), é o atleta ativo que tem o maior ganho fora dos esporte desde Conor McGregor (UFC), registrado em 2021 pela Forbes.

Em solo brasileiro, os primeiros registros remetem ao início do século 20 com engenheiros norte americanos, mas foi com a imigração japonesa que o esporte fincou raízes profundas, tendo o município de Ibiúna, no interior de São Paulo, como seu grande templo moderno.
Antes de se tornar um esporte de nicho, o beisebol ocupou a vitrine mais nobre do esporte paulistano. Nas décadas de 1910 e 1920, o antigo Parque Antarctica — que viria a ser comprado e rebatizado como Estádio Palestra Itália em 1920 — era o grande palco de esportes da capital. Era ali que funcionários de empresas norte americanas, como a Light, realizavam partidas regulares da modalidade que atraíam a curiosidade pública.
A curadoria da Sociedade Esportiva Palmeiras compartilhou trechos de uma nota sobre a partida em que a equipe do Palestra (formada por elementos de ascendência britânica/americana) enfrentou uma equipe japonesa, em 1928.

Esse gramado histórico funcionou como uma ponte cultural. Foi assistindo e integrando os times formados por americanos no Palestra Itália que pioneiros da colônia japonesa começaram a praticar o esporte de forma organizada na capital. O beisebol, portanto, dividiu o berço com o próprio crescimento dos grandes clubes paulistas.
Desde o anúncio do aporte da liga no país, em 2026, com operação direta no Centro de Treinamento de Ibiúna, a MLB enxerga o mercado nacional sob a ótica de uma estratégia global de portfólio de investimentos. Os executivos em Nova York miram o potencial de consumo a longo prazo. Jeremiah Yolkut explica a tese de negócios por trás do investimento:
“Nossa abordagem ao crescimento internacional segue uma estratégia de ‘portfólio’. Partes do portfólio são também lugares onde o beisebol ainda não é popular, mas onde a oportunidade de mercado é grande e atraente, e onde as condições locais nos dão uma forte tese de que investimentos de longo prazo podem levar a retornos significativos em engajamento e receita. O Brasil e a Índia são grandes exemplos disso.”
Yolkut aponta que o momento macroeconômico do país é o principal catalisador para a sustentação dessa expansão:
“O primeiro e mais importante fator é o crescimento econômico contínuo do país. Mais famílias se movendo para a classe média, buscando mais opções de entretenimento além do que está radicionalmente disponível, mais renda disponível para gastar comprando um boné de beisebol.”
Essa construção de público tem um aliado curioso na moda urbana. Milhares de brasileiros consomem diariamente bonés e vestuário com as marcas das franquias americanas, notadamente o New York Yankees, associando o símbolo à cidade de Nova York. A estratégia da liga passa por capitalizar essa simpatia estética.
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Siga o Times | CNBC“Há toneladas de pessoas no Brasil agora usando um boné dos Yankees porque o associam com Nova York. Queremos converter esse amor pela iconografia americana em um amor semelhante pelo nosso esporte”, projeta Yolkut.
Desde os anos 90, alimentado fortemente pela cultura do hip-hop e da moda urbana, o choque cultural entre a Costa Leste e a Costa Oeste dos EUA se faz presente também no topo das vendas de produtos licenciados do beisebol. De acordo com o site oficial da MLB, o Los Angeles Dodgers — atual campeão da liga — lidera o ranking de camisas mais vendidas, impulsionado pelo fenômeno Shohei Ohtani na primeira posição, seguido de perto pelas camisas do arremessador Yoshinobu Yamamoto e do astro dos Yankees, Aaron Judge. No caso da franquia de Nova York, fica evidente que, mesmo após passar pelo Wild Card e cair na Série Divisional para os Blue Jays — finalistas daquela temporada —, a icônica marca do ‘NY’ vende por si só.

Consolidar a estrutura da maior liga de beisebol do mundo no Brasil exigiu mais do que aportes financeiros; demandou um “tradutor cultural” capaz de entender as nuances do mercado publicitário e do público local. A Effect Sport assumiu essa operação de transição da marca no país e Pedro Rego Monteiro (CEO da agência) destaca a responsabilidade do projeto:
“Apoiar o crescimento de uma propriedade como a MLB no Brasil significa assumir o papel de tradutor cultural. Não basta simplesmente importar o produto americano, precisamos construir uma ponte entre as histórias e os formatos que já funcionam aqui e a essência do beisebol. Do ponto de vista de gestão e governança, isso vem com uma responsabilidade real. Nos tornamos guardiões da marca MLB no mercado brasileiro.”
O principal desafio operacional é a barreira do desconhecimento, já que o beisebol ainda enfrenta baixa familiaridade do público geral quanto às suas regras. No entanto, para a agência parceira, o fato de a maioria das pessoas ainda não conhecer as regras ou os times é o cenário ideal para construir algo novo e engajar um público que se mostra interessado pelo ecossistema esportivo americano.
Nesta fase do projeto em solo nacional, a estratégia não envolve a realização de jogos oficiais imediatos, mas sim a criação de pontos de contato contínuos com o público. O planejamento prevê uma progressão que começa com watch parties e experiências para os fãs nos momentos mais importantes da temporada, como o All-Star Game e a World Series, para construir uma base de consumidores sólida antes de dar passos maiores.
No coração dessa engrenagem operacional está o Centro de Treinamento de Ibiúna, cuja localização estratégica aproveita a inteligência demográfica e cultural de São Paulo. A região abriga a maior população de ascendência japonesa fora do Japão e uma crescente comunidade venezuelana, grupos que já possuem afinidade natural com o jogo.
A estratégia desenhada pela liga funciona como um funil de investimentos: ao injetar recursos na base e na formação de jovens, a MLB cria um ciclo de sustentabilidade onde o sucesso esportivo individual atua como o principal motor de atração de novos consumidores. Rebecca Sessel detalha que essa abordagem integrada busca criar uma via de mão dupla para o esporte no país:
“Adotamos uma abordagem holística que se concentra tanto na academia de Ibiúna como um centro para o desenvolvimento de talentos de elite que possam se transferir para as Major Leagues nos Estados Unidos, quanto no crescimento do beisebol em geral no nível de participação juvenil em todo o país. Acreditamos que esses dois objetivos caminham juntos: jogadores de elite que treinam em Ibiúna e
seguem carreiras de sucesso motivam mais jovens brasileiros a jogar beisebol.”
No fim das contas, o grande objetivo desse funil de longo prazo é encontrar um ídolo global brasileiro, seguindo o exemplo de Shohei Ohtani no Japão ou Fernando Valenzuela no México, utilizando o ecossistema esportivo juvenil que o Brasil oferece para revelar essa primeira safra de estrelas nacionais.
Pedro Rego Monteiro conclui apontando para o forte vetor de transformação que essa estrutura representa para a vida dos jovens atletas em Ibiúna, oferecendo uma base de formação que vai muito além das linhas do campo e justifica o valor social do investimento:
“Um garoto selecionado para Ibiúna ganha moradia, escola, alimentação, aulas de inglês, suporte psicológico, uma base completa, além do desenvolvimento atlético de nível mundial. Mesmo para aqueles que nunca chegam à MLB, é uma oportunidade de mudança de vida para suas famílias.
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