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Bolsa nos 210 mil pontos ou euforia passageira: até quando o Ibovespa B3 vai segurar os recordes

Publicado 11/02/2026 • 21:08 | Atualizado há 28 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa B3 renova recordes puxado por fluxo estrangeiro, juros em queda e commodities fortes.
  • Analistas veem espaço para o índice buscar 200 mil pontos, mas alertam para risco fiscal e externo.
  • Bolsa ainda não está "cara", porém altas dependem de lucros acompanharem o rali e do capital externo seguir entrando.
montagem painel Ibovespa B3

Montagem Times Brasil Licenciado Exclusivo CNBC

O Ibovespa B3 fechou esta quarta-feira (11) em novo recorde histórico, aos 189.699,12 pontos. Ao longo do pregão, o principal índice da bolsa brasileira chegou a alcançar a marca inédita de 190 mil pontos, além de renovar o recorde intradiário.

O motor da alta foi novamente o fluxo estrangeiro, embalado por juros em perspectiva de queda, commodities sustentadas e resultados corporativos que dão suporte aos preços. Até aqui, o roteiro é conhecido. A dúvida do mercado é por quanto tempo esse filme continua e o que pode mudar o roteiro.

Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, a resposta começa por um diagnóstico que separa “preço” de “fundamento”. “A bolsa aqui no Brasil está batendo recordes não porque o Brasil mudou do dia para a noite, mas porque existe uma soma de fatores, com fluxo estrangeiro, com expectativa de queda de juros, com crescimento melhor, com inflação caindo, além do balanço das empresas e da bolsa ainda barata”, disse, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Na leitura de Agostini, o rali ganhou combustível adicional com a mudança de humor do investidor global, que passou a olhar mais para valor e mercados descontados, e menos para narrativas concentradas. Esse movimento, ele observa, tende a ser reforçado enquanto persistirem condições domésticas que reduzam a incerteza de inflação e juros e mantenham o apetite por ativos brasileiros.

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A questão é: o fluxo sustenta por quanto tempo?

Sergio Biz, analista de ações do GuiaInvest, chama atenção para a dependência do mercado em relação ao capital externo no curto prazo. “O Ibovespa hoje está dependendo muito do fluxo estrangeiro. Então, enquanto ele ficar, vai puxar o mercado e, por consequência, pode levar o índice para patamares ainda mais elevados”, pontuou.

Biz acrescenta que, embora o movimento atual tenha força, ele não elimina o risco de reversões rápidas se o motor do fluxo perder tração, por exemplo, em um cenário de deterioração fiscal ou de mudança brusca no humor externo.

Ele também aponta um componente estatístico do calendário que costuma ser usado como referência por investidores. “Se janeiro for positivo – como foi – a probabilidade do ano ser positivo aumenta bastante… A estatística mostra um retorno médio anual de 25% a 30% quando janeiro é positivo”. A partir desse tipo de inferência, ele menciona projeções que colocariam o índice em níveis mais altos ao longo de 2026.

Gabriel Uarian, analista CNPI da Cultura Capital, descreve 2026 como um ciclo de alta ainda sustentado por drivers claros, e com espaço para avançar se eles continuarem em pé. Na avaliação dele, o fluxo estrangeiro segue como um pilar, apoiado por rotação global e por múltiplos ainda atrativos no Brasil, mas uma virada poderia ocorrer com choque externo (como um Fed mais duro) ou piora relevante do fiscal doméstico. Uarian também trabalha com um cenário-base em que o Ibovespa B3 poderia buscar a região de 200 mil a 210 mil pontos até o fim do ano, com faixa mais alta em um cenário mais otimista.

A bolsa está “cara”, ou isso pode ser o novo normal?

Nesse ponto, o debate fica mais sensível porque passa do macro para valuation (avaliação) e expectativa de lucro. Biz observa que o índice está perto da média histórica em múltiplos. Atualmente o Ibovespa negocia a 11,5 vezes lucros, enquanto a média é de 10,8 vezes lucros.

“Isso sugere menos “gordura” para erro em alguns segmentos, ainda que o mercado não esteja necessariamente esticado”, aponta Biz. Para o analista, não dá para falar que a bolsa está barata, contudo caminha para ficar cara em breve, se continuar com essa tendência de recordes por fluxo estrangeiro.

Bruno Oliveira, do Vida de Acionista, faz um contraponto importante: mesmo que o rali tenha justificativas, parte do movimento é mais fluxo do que fundamento. “Esse movimento recente, para mim, é muito mais fluxo do que fundamentos”, afirmou. Na visão dele, a bolsa pode ficar cara se o preço continuar andando mais rápido do que os lucros, o que aumenta a chance de correções no meio do caminho.

Ainda assim, ele diz que a marca psicológica dos 200 mil pontos não está fora do mapa, embora não enxergue uma linha reta. “O Ibovespa pode seguir em alta e eu acredito que pode chegar perto dos 200 mil pontos ainda em 2026.” Ele ressalta, porém, que a trajetória depende do compasso do fluxo, da leitura de juros e do risco político, além de resultados corporativos que precisariam acompanhar o “re-rating” do mercado.

Agostini também trabalha com a hipótese de o índice encostar em patamares superiores se o ambiente permanecer favorável, mas com a ressalva de que a leitura muda rápido quando o tema é risco Brasil. “Se você tiver o fiscal piorando ou se você tiver ruído político mais forte, isso pode ser um gatilho para o mercado realizar”, disse.

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O que pode puxar além do fluxo estrangeiro

A narrativa do “só fluxo” não explica tudo, e os analistas apontam vetores adicionais que ajudam a sustentar o movimento quando ele ganha escala. Agostini cita a expectativa de queda de juros e a temporada de balanços como peças relevantes no quebra-cabeça.

Biz também reforça o papel da perspectiva da Selic mais baixa ao longo de 2026, ainda que em ritmo discutido pelo mercado. Segundo o último Boletim Focus, do Banco Central, a Selic deve cair dos atuais 15% para 12,25% ao final do ano.

Uarian acrescenta que commodities e resultados de exportadoras e bancos ajudam a dar lastro ao movimento em alguns setores, o que impede que o rali seja visto apenas como uma distorção de liquidez. Ao mesmo tempo, Oliveira lembra que, em ralis prolongados, correções são parte do jogo, e tendem a vir quando o mercado encontra algum choque que mexa com o prêmio de risco.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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