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Recorde engana? Bolsa encosta no topo real de 2008, mas segue longe do auge em dólar
Publicado 11/02/2026 • 22:15 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 11/02/2026 • 22:15 | Atualizado há 5 meses
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Bolsa de valores
Pixabay
O Ibovespa B3 voltou a bater recorde nesta quarta-feira (11), fechando aos 189.699,12 pontos e ultrapassando 190 mil pontos no intradiário, um feito que reforça a sensação de força do mercado brasileiro em 2026. Apenas neste ano, já são 11 recordes nominais.
Só que, por trás do número “de tela”, há um detalhe que muda o enquadramento do rali: nem todo recorde nominal é, necessariamente, um recorde histórico em termos econômicos.
Segundo um estudo da Elos Ayta Consultoria, o índice está muito perto de retomar o máximo histórico ajustado pela inflação, mas ainda distante do pico quando medido em moeda forte, que costuma ser a métrica mais relevante para o investidor global.
No recorte ajustado pelo IPCA, o Ibovespa B3 está a 3,24% de superar o topo real registrado em maio de 2008. Pelo cálculo do estudo, o máximo histórico real foi de 195.844 pontos (20/05/2008), contra 189.699 pontos no fechamento desta quarta-feira. Para o Einar Rivero, CEO da Elos Ayta, esse tipo de marca tem um significado diferente do recorde nominal. “Ultrapassar esse nível significaria algo simbólico e estrutural: geração líquida de valor real no longo prazo”.
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Siga o Times | CNBCJá na conversão para dólar, o retrato muda. O estudo aponta que o Ibovespa B3 ainda está 21,92% abaixo do pico em moeda americana: foram 44.616 pontos (19/05/2008) no máximo histórico em dólar, contra 36.596 pontos nesta quarta-feira. Na leitura do executivo, é nessa régua que aparece a distância entre o entusiasmo doméstico e o reposicionamento internacional do Brasil. “Estamos muito próximos de um recorde real. Mas ainda longe de um recorde global”, pontuou.
A diferença entre as duas medidas ajuda a separar o que é “momento” do que é “estrutura”. De um lado, o recorde nominal e a proximidade do topo real sugerem um mercado local mais confiante, embalado por fluxo, expectativas e resultados. De outro, a defasagem em dólar funciona como lembrete de que o Brasil ainda carrega, na visão do investidor estrangeiro, um prêmio de risco associado a câmbio, volatilidade e incertezas macro e fiscais. Esses fatores interferem diretamente no retorno em moeda forte.
Segundo o estudo, o Ibovespa B3 está a um passo de recuperar o poder de compra do auge pré-crise de 2008, mas precisa de uma reprecificação bem mais profunda — e, em geral, também de um real mais forte — para reencontrar o pico em dólar. “A distância entre 3% e 22% é, na prática, a diferença entre celebrar um recorde e consolidar um ciclo”, conclui Rivero.

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