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Ibovespa cai 1,06% com cautela fiscal no 2º turno; dólar dispara a R$ 5,09 na contramão do exterior
Publicado 15/10/2026 • 17:38 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 15/10/2026 • 17:38 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
O Ibovespa fechou em queda nesta quinta-feira (15), pressionado pelo aumento da cautela com o cenário fiscal e pela volatilidade típica da reta final do segundo turno. O movimento se intensificou durante a tarde, quando bolsa e câmbio se descolaram do desempenho positivo dos mercados internacionais.
O principal índice da bolsa brasileira recuou 1,06%, aos 204.324,26 pontos, depois de oscilar entre 203.110,43 e 206.520,28 pontos. O volume financeiro somou R$ 27,2 bilhões.
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No câmbio, o movimento foi ainda mais forte. O dólar à vista avançou 1,15%, a R$ 5,0868, após variar entre R$ 5,0380 e R$ 5,0983. Às 17h08, o contrato futuro para novembro subia 0,74%, a R$ 5,1015.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, afirmou que o mercado continua devolvendo parte da forte valorização observada após o primeiro turno, mas destacou que o fiscal voltou a ganhar peso nas decisões dos investidores.
Segundo ele, bolsa e dólar pioraram de forma mais acentuada no fim da tarde, em um momento de aumento do ruído em torno das propostas apresentadas durante a campanha.
“Esse momento de eleição gera muito ruído. Você tem muitas informações sendo divulgadas em diversos portais”, afirmou.
Corleta citou, entre os assuntos que circularam no mercado nesta quinta-feira, um rumor de que o governo Lula estudaria uma proposta de tarifa zero no transporte público como parte da estratégia para o segundo turno.
Para o analista, o ponto central é que propostas capazes de elevar despesas ou reduzir receitas começaram a aumentar a preocupação dos investidores com as contas públicas.
A cautela veio depois do Senado aprovar, na quarta-feira (14), em dois turnos, a PEC que põe fim à escala de trabalho 6×1. O texto recebeu 75 votos favoráveis e um contrário e segue para promulgação.
A medida reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Corleta afirmou que o mercado tenta calcular não apenas o impacto direto da mudança sobre empresas e inflação, mas também o efeito de uma sequência de propostas apresentadas pelas campanhas nesta reta final.
“Essas promessas eleitorais se acumulam e as contas públicas, do jeito que estão, ficam em segundo plano”, disse.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, o debate envolve desde o impacto da escala 6×1 até medidas tributárias e novas propostas de benefícios. O receio é de que a disputa por votos aumente a pressão sobre gastos sem que esteja claro como essas iniciativas seriam financiadas.
O Ibovespa operou em baixa durante boa parte da sessão, mas ampliou as perdas de forma brusca no fim do pregão.
Corleta relacionou a piora a uma combinação de realização dos ganhos recentes e aumento do ruído político e fiscal. Para ele, o comportamento desta quinta-feira mostrou um mercado mais sensível às notícias da campanha depois da forte valorização registrada na semana anterior.
Ao mesmo tempo, o analista ressaltou que a avaliação sobre os preços da bolsa depende diretamente das perspectivas para juros e contas públicas nos próximos anos.
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Na visão de Corleta, um cenário de queda consistente da Selic e melhora da trajetória fiscal poderia justificar múltiplos mais altos para as ações brasileiras. Em um cenário de deterioração fiscal e juros persistentemente elevados, porém, o espaço para valorização seria mais limitado.
O câmbio reforçou a percepção de que fatores domésticos dominaram a sessão. Enquanto o dólar subiu 1,15% contra o real, a moeda americana perdeu força diante de outras divisas.
O índice DXY recuava 0,51%, aos 102,034 pontos. O euro avançava 0,55%, a US$ 1,1215, enquanto a libra ganhava 0,66%, a US$ 1,3277.
Operadores não identificaram um único gatilho para a aceleração do dólar, mas apontaram a maior cautela com o cenário eleitoral e a expectativa pela nova rodada do Datafolha.
O instituto prevê divulgar nesta quinta-feira uma nova pesquisa do segundo turno, realizada entre os dias 13 e 15 de outubro, com 2.520 eleitores e margem de erro de dois pontos percentuais.
Corleta avaliou que a disputa presidencial tende a continuar dominando os preços até a votação, agora combinada com dúvidas sobre a política fiscal dos dois candidatos.
Para o analista, o mercado passou de uma fase de forte reprecificação após o primeiro turno para uma etapa em que propostas, pesquisas e declarações de campanha ganham capacidade maior de provocar oscilações.
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