CNBC

CNBCMais três navios são atingidos no Golfo Pérsico enquanto o Irã alerta para petróleo a US$ 200

Bolsa de Valores

Ibovespa despenca e fecha no patamar de 179 mil pontos com inflação e risco geopolítico

Publicado 12/03/2026 • 17:03 | Atualizado há 27 minutos

KEY POINTS

  • A bolsa brasileira sofreu uma correção severa e consolidou a perda de patamares importantes conquistados durante a semana.
  • O pessimismo foi alimentado por uma inflação doméstica acima do esperado e pela continuidade das tensões militares que mantêm o preço da energia em níveis críticos.
  • Com a incerteza sobre o abastecimento mundial de petróleo, o mercado encerra o dia em sinal de alerta máximo para as decisões de juros da próxima semana.

O Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (12) em forte queda de 2,55%, aos 179.284,49 pontos, registrando uma perda expressiva de 4.684,86 pontos.

O pregão foi marcado por um pessimismo generalizado que fez o índice brasileiro acompanhar o movimento negativo das bolsas europeias, devolvendo os ganhos da semana e rompendo novamente o importante suporte dos 180 mil pontos.

O cenário global foi severamente impactado pela escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã. Embora Donald Trump, presidente dos EUA, tenha afirmado que o conflito terminará “em breve”, as declarações de lideranças iranianas defendendo a continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz mantiveram o mercado em alerta.

O petróleo Brent disparou mais de 9%, ultrapassando a marca de US$ 100, refletindo o ceticismo sobre a eficácia da liberação de reservas estratégicas sem um cronograma de entrega definido.

No cenário doméstico, o principal gatilho para a queda foi a divulgação do IPCA de fevereiro, que subiu 0,70%, vindo acima das projeções de 0,63%. O dado reforçou o temor de que a inflação brasileira esteja acelerando mesmo antes de sentir o impacto total da recente alta dos combustíveis. Esse movimento consolidou as apostas do mercado de que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deve adotar uma postura mais rígida na próxima semana, reduzindo o ritmo de cortes da Selic para apenas 0,25 ponto percentual.

Além da pressão inflacionária e energética, o mercado reagiu à notícia de que a China proibiu exportações de combustíveis refinados para evitar escassez interna, o que eleva a incerteza sobre a cadeia de suprimentos mundial.

Somou-se a isso o anúncio de novas investigações comerciais de Washington contra a União Europeia, reacendendo temores de um protecionismo global que prejudica o fluxo de comércio das economias emergentes.

No setor corporativo, o dia foi de forte estresse para empresas cíclicas e sensíveis ao crédito. O setor bancário, representado por ITUB4 e BBDC4, sofreu quedas superiores a 2%, enquanto o aumento da aversão ao risco drenou liquidez de ativos de renda variável. A única barreira que impediu um recuo ainda maior do índice foi, novamente, o desempenho das petroleiras, que capturaram a valorização da commodity.

Desempenho das ações

Maiores altas do Ibovespa

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
SLC AgrícolaSLCE34,34R$ 17,56
MarfrigMBRF33,16R$ 16,99
PetrobrasPETR31,45R$ 49,65
BraskemBRKM51,33R$ 12,20
PetrobrasPETR40,45R$ 45,00
Caixa SeguridadeCXSE30,33R$ 18,11
PrioPRIO30,25R$ 59,50
Fonte: TradeMap

Entre as poucas altas do dia, o setor de agronegócio e energia predominou. A SLCE3 liderou com alta de 4,34%, beneficiada pelo câmbio e demanda por commodities. As ações da Petrobras serviram como o principal porto seguro do índice: a PETR3 subiu 1,45% e a PETR4 avançou 0,45%.

A MBRF3 também fechou no azul com ganho de 3,16%, enquanto a BRKM5 registrou leve valorização de 1,33%.

EmpresaCódigoVariação no dia (%)Fechamento (R$/ação)
YduqsYDUQ3-14,83R$ 10,28
CSNCSNA3-14,45R$ 6,10
EmbraerEMBJ3-11,02R$ 74,73
VibraVBBR3-7,48R$ 29,18
VivaraVIVA3-7,21R$ 26,37
CognaCOGN3-6,92R$ 2,96
Brava EnergiaBRAV3-6,72R$ 18,32

Na ponta negativa, um dos destaques foi a CSNA3, que desabou 14,45%, reagindo a balanços e ao cenário adverso para metais. Foi a maior queda do papel em 6 anos, desde 9 de março de 2020, quando caiu 25,29% O setor de educação também sofreu perdas pesadas, com a YDUQ3 sofrendo a maior queda desde 14 de agosto de 2023 e despencando 14,83%.

A EMBJ3 recuou 11,02%, maior baixa da ação desde 10 de março de 2022, refletindo o temor com cadeias logísticas globais. A VBBR3 perdeu 7,48%, sendo penalizada pela incerteza sobre margens de distribuição de combustíveis.

Dólar

O dólar comercial encerrou a sessão de hoje em forte alta de 1,62%, cotado a R$ 5,242 para venda. A moeda norte-americana operou com pressão compradora durante todo o dia, atingindo a máxima de R$ 5,249, impulsionada pela busca global por segurança.

A valorização da divisa refletiu o diferencial de juros e a cautela com a inflação global. O avanço da moeda ante economias emergentes ligadas a commodities foi acentuado pela instabilidade no Oriente Médio.

No Brasil, o dado do IPCA acima do esperado contribuiu para a deterioração do real, à medida que investidores ajustam suas posições antes das decisões de política monetária nos EUA e no Brasil.

Análise

O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, observa que a alta do dólar reflete a deterioração do ambiente externo, impulsionada pela escalada no Oriente Médio e pelo petróleo operando na faixa de US$ 100. Esse cenário de novos ataques no Golfo e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz leva investidores a buscarem proteção na moeda americana.

Em paralelo, o mercado promove uma reprecificação das expectativas monetárias nos Estados Unidos, adiando o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve para setembro, o que fortalece o dólar globalmente.

No plano doméstico, o movimento ganha fôlego com o IPCA de fevereiro registrando 0,70%, resultado que superou as projeções e reforçou a cautela com a desinflação. Esse dado provocou a abertura da curva de juros no Brasil, fazendo com que o mercado reduzisse as apostas em cortes mais intensos da Selic pelo Copom.

Em síntese, os ativos de risco são penalizados por uma combinação de choque geopolítico, petróleo elevado e maior vigilância com a inflação local, mantendo os investidores em modo defensivo.

De acordo com o especialista Gabriel Brondi, sócio da The Link Investimentos, embora a escalada do conflito no Oriente Médio e a alta de quase 10% no petróleo tenham beneficiado papéis como Petrobras e Prio, o pessimismo interno foi alimentado por um dado de inflação de fevereiro que veio acima das expectativas do mercado.

A análise destacou uma “estranheza” na dinâmica dos juros domésticos. Brondi observou que, enquanto os rendimentos dos títulos americanos (Treasuries) oscilaram pouco, as taxas de juros futuras no Brasil (DI) subiram cerca de 25 pontos base. Ele pontuou que é alarmante observar a inflação superando o consenso em um cenário onde a taxa Selic já se encontra em 15%.

“É muito estranho. Selic muito alta e inflação acima do consenso abre um alerta”, afirmou o especialista, sugerindo que o Banco Central terá que ser extremamente cauteloso para não comprometer sua reputação com uma necessidade futura de nova alta de juros.

Por fim, a expectativa se volta para a Super Quarta (18), com as reuniões do Copom e do Federal Reserve. Brondi destacou que o mercado já está dividido entre um corte de apenas 0,25 pontos percentuais ou até a manutenção da taxa Selic, descartando quase totalmente o corte de 0,50 esperado anteriormente.

Ele concluiu alertando que os dados americanos de sexta-feira (13), como o núcleo do PCE e os pedidos de bens duráveis, serão fundamentais para ditar o ritmo das negociações e o humor dos investidores na abertura da próxima semana.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Bolsa de Valores

;