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Ibovespa despenca e fecha no patamar de 179 mil pontos com inflação e risco geopolítico
Publicado 12/03/2026 • 17:03 | Atualizado há 41 minutos
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Publicado 12/03/2026 • 17:03 | Atualizado há 41 minutos
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Reprodução
Ibovespa teve queda acentuada na sexta-feira
O Ibovespa fechou a sessão desta quinta-feira (12) em forte queda de 2,55%, aos 179.284,49 pontos, registrando uma perda expressiva de 4.684,86 pontos.
O pregão foi marcado por um pessimismo generalizado que fez o índice brasileiro acompanhar o movimento negativo das bolsas europeias, devolvendo os ganhos da semana e rompendo novamente o importante suporte dos 180 mil pontos.
O cenário global foi severamente impactado pela escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã. Embora Donald Trump, presidente dos EUA, tenha afirmado que o conflito terminará “em breve”, as declarações de lideranças iranianas defendendo a continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz mantiveram o mercado em alerta.
O petróleo Brent disparou mais de 9%, ultrapassando a marca de US$ 100, refletindo o ceticismo sobre a eficácia da liberação de reservas estratégicas sem um cronograma de entrega definido.
No cenário doméstico, o principal gatilho para a queda foi a divulgação do IPCA de fevereiro, que subiu 0,70%, vindo acima das projeções de 0,63%. O dado reforçou o temor de que a inflação brasileira esteja acelerando mesmo antes de sentir o impacto total da recente alta dos combustíveis. Esse movimento consolidou as apostas do mercado de que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deve adotar uma postura mais rígida na próxima semana, reduzindo o ritmo de cortes da Selic para apenas 0,25 ponto percentual.
Além da pressão inflacionária e energética, o mercado reagiu à notícia de que a China proibiu exportações de combustíveis refinados para evitar escassez interna, o que eleva a incerteza sobre a cadeia de suprimentos mundial.
Somou-se a isso o anúncio de novas investigações comerciais de Washington contra a União Europeia, reacendendo temores de um protecionismo global que prejudica o fluxo de comércio das economias emergentes.
No setor corporativo, o dia foi de forte estresse para empresas cíclicas e sensíveis ao crédito. O setor bancário, representado por ITUB4 e BBDC4, sofreu quedas superiores a 2%, enquanto o aumento da aversão ao risco drenou liquidez de ativos de renda variável. A única barreira que impediu um recuo ainda maior do índice foi, novamente, o desempenho das petroleiras, que capturaram a valorização da commodity.
Maiores altas do Ibovespa
| Empresa | Código | Variação no dia (%) | Fechamento (R$/ação) |
| SLC Agrícola | SLCE3 | 4,34 | R$ 17,56 |
| Marfrig | MBRF3 | 3,16 | R$ 16,99 |
| Petrobras | PETR3 | 1,45 | R$ 49,65 |
| Braskem | BRKM5 | 1,33 | R$ 12,20 |
| Petrobras | PETR4 | 0,45 | R$ 45,00 |
| Caixa Seguridade | CXSE3 | 0,33 | R$ 18,11 |
| Prio | PRIO3 | 0,25 | R$ 59,50 |
Entre as poucas altas do dia, o setor de agronegócio e energia predominou. A SLCE3 liderou com alta de 4,34%, beneficiada pelo câmbio e demanda por commodities. As ações da Petrobras serviram como o principal porto seguro do índice: a PETR3 subiu 1,45% e a PETR4 avançou 0,45%.
A MBRF3 também fechou no azul com ganho de 3,16%, enquanto a BRKM5 registrou leve valorização de 1,33%.
| Empresa | Código | Variação no dia (%) | Fechamento (R$/ação) |
| Yduqs | YDUQ3 | -14,83 | R$ 10,28 |
| CSN | CSNA3 | -14,45 | R$ 6,10 |
| Embraer | EMBJ3 | -11,02 | R$ 74,73 |
| Vibra | VBBR3 | -7,48 | R$ 29,18 |
| Vivara | VIVA3 | -7,21 | R$ 26,37 |
| Cogna | COGN3 | -6,92 | R$ 2,96 |
| Brava Energia | BRAV3 | -6,72 | R$ 18,32 |
Na ponta negativa, um dos destaques foi a CSNA3, que desabou 14,45%, reagindo a balanços e ao cenário adverso para metais. O setor de educação também sofreu perdas pesadas, com a YDUQ3 despencando 14,83%.
A EMBJ3 recuou 11,02%, refletindo o temor com cadeias logísticas globais. A VBBR3 perdeu 7,48%, sendo penalizada pela incerteza sobre margens de distribuição de combustíveis.
O dólar comercial encerrou a sessão de hoje em forte alta de 1,62%, cotado a R$ 5,242 para venda. A moeda norte-americana operou com pressão compradora durante todo o dia, atingindo a máxima de R$ 5,249, impulsionada pela busca global por segurança.
A valorização da divisa refletiu o diferencial de juros e a cautela com a inflação global. O avanço da moeda ante economias emergentes ligadas a commodities foi acentuado pela instabilidade no Oriente Médio.
No Brasil, o dado do IPCA acima do esperado contribuiu para a deterioração do real, à medida que investidores ajustam suas posições antes das decisões de política monetária nos EUA e no Brasil.
O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, observa que a alta do dólar reflete a deterioração do ambiente externo, impulsionada pela escalada no Oriente Médio e pelo petróleo operando na faixa de US$ 100. Esse cenário de novos ataques no Golfo e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz leva investidores a buscarem proteção na moeda americana.
Em paralelo, o mercado promove uma reprecificação das expectativas monetárias nos Estados Unidos, adiando o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve para setembro, o que fortalece o dólar globalmente.
No plano doméstico, o movimento ganha fôlego com o IPCA de fevereiro registrando 0,70%, resultado que superou as projeções e reforçou a cautela com a desinflação. Esse dado provocou a abertura da curva de juros no Brasil, fazendo com que o mercado reduzisse as apostas em cortes mais intensos da Selic pelo Copom.
Em síntese, os ativos de risco são penalizados por uma combinação de choque geopolítico, petróleo elevado e maior vigilância com a inflação local, mantendo os investidores em modo defensivo.
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