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Ibovespa tem viés positivo sustentado por fluxo estrangeiro e diferencial de juros
Publicado 18/04/2026 • 13:11 | Atualizado há 6 meses
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Publicado 18/04/2026 • 13:11 | Atualizado há 6 meses
KEY POINTS
Reprodução/Canva
O Ibovespa mantém viés positivo sustentado pelo fluxo líquido de capital estrangeiro, mesmo com investidores domésticos ainda contidos pela atratividade da renda fixa. A avaliação é compartilhada por estrategistas e analistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Bruno Takeo, estrategista da Potenza, avalia que o investidor internacional segue com percepção favorável sobre o Brasil. “O estrangeiro vê o Brasil com bons olhos, mesmo com a eleição”, afirma. Para ele, o mercado externo tende a acompanhar mais a direção da política econômica do que o nome do vencedor em 2026. “Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, é mais do mesmo. Se mudar, pode melhorar.”
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Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, vê espaço para o Ibovespa buscar a faixa entre 220 mil e 225 mil pontos, com a proximidade dos 200 mil pontos como referência. Segundo ele, o índice vive um bull market iniciado por volta de maio de 2025, sem sinais claros de reversão, ainda que em meio a volatilidade elevada.
O principal vetor, na leitura de Mollo, é o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Com a taxa doméstica ainda em patamar alto, investidores internacionais têm direcionado capital ao País em busca de remuneração. “O dinheiro tem saído dos EUA para o Brasil”, resume. Parte desse capital fica em renda fixa; outra parcela migra para a Bolsa.
O peso do petróleo na composição do Ibovespa também aparece como fator relevante. Com a alta da commodity, o mercado brasileiro — bastante exposto a empresas do setor, como Petrobras e companhias de exploração e produção — tende a capturar parte desse movimento.
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Siga o Times | CNBCAo mesmo tempo, a valorização do petróleo tem contribuído para a desvalorização do dólar futuro no Brasil, o que influencia o posicionamento de investidores, segundo o analista.
No cenário doméstico, Mollo destaca que o País tem se diferenciado de outros emergentes ao combinar crescimento do PIB, desemprego baixo e inflação relativamente próxima da meta. Esse conjunto coloca o Brasil como uma espécie de porto seguro relativo dentro do universo emergente, especialmente enquanto persistirem as incertezas externas.
Para a política monetária, Mollo espera um corte de 0,25 ponto percentual, mas chama atenção para a possibilidade de o Banco Central sinalizar pausa para reavaliar os impactos do petróleo sobre a inflação. Se o diferencial de juros entre Brasil e economias desenvolvidas permanecer elevado por mais tempo, a tendência é de que o fluxo estrangeiro continue favorecendo o mercado brasileiro.
A eleição de 2026 aparece no radar como fator relevante, mas não como o principal ponto de estresse no curto prazo. Apesar de acirrada e polarizada, a disputa tem apresentado volatilidade menor do que em outros anos, com dois candidatos vistos como mais moderados. O tema decisivo para o investidor, na avaliação de Mollo, será o fiscal. Qualquer que seja o vencedor, será necessário apresentar uma solução concreta para a trajetória da dívida pública.
Mollo também chama atenção para uma possível rotação setorial na B3. Em caso de mudança no quadro político ou de percepção sobre estatais, a Petrobras poderia sofrer realização mais intensa e parte do capital migraria para setores domésticos ainda defasados, como construção civil, varejo e bancos.
Para bancos, os juros altos podem pesar, mas tendem a ser compensados pela melhora do spread. Já o varejo ainda não apresentou movimento mais consistente e deve reagir com mais força quando os juros começarem a ceder, movimento que, na visão do analista, depende da redução das incertezas globais.
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