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“O gringo comanda a festa”: Investimento estrangeiro em janeiro já supera todo o ano de 2025 na B3

Publicado 27/01/2026 • 18:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • O mercado financeiro brasileiro atravessa um momento de euforia nesta terça-feira (27), com o Ibovespa B3 renovando recordes históricos.
  • Em entrevista ao Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, Marcos Moreira, sócio da Garten Capital, disse que o cenário atual é definido por uma dominância clara do investidor internacional, que parece enxergar no Brasil uma oportunidade de diversificação que o investidor doméstico ainda hesita em abraçar.
  • Segundo ele, "essa alta vem impulsionada por um fluxo muito expressivo de capital estrangeiro que vem entrando na Bolsa brasileira", destacando que o otimismo da última semana resultou em uma valorização dolarizada superior a 10%.

O mercado financeiro brasileiro atravessa um momento de euforia nesta terça-feira (27), com o Ibovespa B3 renovando recordes históricos impulsionado por um fluxo massivo de recursos externos. Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Marcos Moreira, sócio da Garten Capital, disse que o cenário atual é definido por uma dominância clara do investidor internacional, que parece enxergar no Brasil uma oportunidade de diversificação que o investidor doméstico ainda hesita em abraçar.

O especialista ressaltou que o movimento observado nos primeiros dias do ano é sem precedentes recentes. Segundo ele, “essa alta vem impulsionada por um fluxo muito expressivo de capital estrangeiro que vem entrando na Bolsa brasileira”, destacando que o otimismo da última semana resultou em uma valorização dolarizada superior a 10%. Esse apetite estrangeiro tem sido o único motor real dos ativos de risco no país até agora.

Ao comparar o desempenho atual com o histórico recente, Moreira trouxe dados que impressionam pela magnitude. Ele explicou que, “quando analisamos até o último dado divulgado pelo Banco Central, nós já tivemos um volume de capital estrangeiro em 2026, já em janeiro, muito maior do que ao longo de todo o ano de 2025”. Esse dado engloba tanto o mercado à vista quanto o mercado futuro de ações.

Enquanto o capital externo entra com força, o investidor local, tanto institucional quanto pessoa física, permanece cauteloso. Para Moreira, essa timidez doméstica ocorre devido às incertezas políticas e ao cenário eleitoral que se avizinha. Ele pontuou que “aparentemente o gringo tem comandado toda essa festa no índice Bovespa até o momento”, já que os brasileiros ainda se sentem pressionados pelo nível elevado de incerteza nacional.

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As taxas de juros elevadas também desempenham um papel fundamental na retenção do capital local na renda fixa. No entanto, o sócio da Garten Capital observa que o mercado financeiro funciona como um sistema de antecipação. Mesmo com a Selic ainda em patamares altos, o preço das ações já começa a refletir a expectativa de um novo ciclo de afrouxamento monetário previsto para os próximos meses.

Sobre o futuro da política monetária, Moreira indicou que o início dos cortes de juros é esperado para março. Ele detalhou que o mercado já precificou esse movimento inicial, portanto, o simples começo das quedas pode não gerar novos saltos no índice. O que realmente importa agora para os analistas é a velocidade e a extensão desse ciclo de cortes ao longo do ano.

Nas projeções da Garten Capital, o cenário base contempla uma sequência de reduções moderadas. Marcos Moreira afirmou que “nós projetamos cinco cortes de meio ponto percentual ao longo de 2026, onde nós chegaríamos ao final do ano com a Selic de 12,5”. Ele acredita que, se a taxa cair abaixo desse patamar, surgirá um novo gatilho de valorização que poderá finalmente atrair o investidor local de volta à Bolsa.

A sustentabilidade desse movimento de recordes também passa pela análise do valor real das empresas brasileiras, o chamado valuation. O entrevistado enfatizou que o Brasil passou um longo período de subvalorização extrema. Segundo ele, “ao longo dos últimos três anos, a Bolsa vem negociando a níveis historicamente muito descontados”, o que justifica o interesse estrangeiro mesmo após as altas recentes.

O risco de uma reversão brusca reside na possibilidade de a Selic não cair conforme o esperado ou de o cenário eleitoral trazer ruídos excessivos. Como o capital estrangeiro é altamente fluido, qualquer mudança nas expectativas de rentabilidade ou segurança jurídica pode estancar o fluxo. Contudo, por enquanto, a leitura é de que o valor justo da Bolsa ainda permite margem para novos avanços técnicos.

A estratégia de alocação para os próximos meses deve, portanto, equilibrar o entusiasmo com os recordes e a vigilância sobre os indicadores domésticos. Com o gringo no comando, o Ibovespa B3 segue testando novos limites, mas a consolidação definitiva dessa alta dependerá da convergência entre o fluxo externo e a confiança do investidor brasileiro na economia real a partir de março.

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