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Guerra, juros e bolsa: a Super Quarta que pode definir o rumo do Ibovespa
Publicado 14/03/2026 • 19:11 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 14/03/2026 • 19:11 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
Foto: canva
A próxima Super Quarta deve reforçar uma divergência entre Brasil e Estados Unidos na condução da política monetária. Ao mesmo tempo, a guerra no Oriente Médio aumenta a cautela dos bancos centrais e eleva a incerteza sobre o fôlego do Ibovespa nos próximos meses.
Entre os analistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, a avaliação predominante é de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve manter os juros inalterados na próxima semana, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) deve iniciar o ciclo de cortes no Brasil, embora com mais dúvidas sobre o ritmo à frente.
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o corte da Selic na próxima reunião ainda faz sentido porque esse movimento já vinha sendo preparado antes da escalada geopolítica e, até aqui, o choque do petróleo ainda não provocou um efeito relevante na economia brasileira.
“No Brasil [o juro] cai, porque é um momento em que já estava programado e que até agora a alta do petróleo não teve um efeito negativo ainda na economia brasileira”, afirmou.
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A Austin Rating mantém seu cenário-base de queda de 0,5 ponto percentual, apostando que o conflito deve encontrar algum tipo de cessar-fogo mais adiante. Na leitura do economista, o Copom ainda terá tempo para reavaliar os próximos passos nas reuniões seguintes, caso o quadro externo piore.
Agostini também pondera que, mesmo com algumas semanas de conflito pela frente, o impacto inflacionário no Brasil ainda pode ser limitado. “A gente acredita que pode continuar um conflito sem grandes efeitos na economia brasileira, em termos de inflação principalmente”, disse.
Na mesma linha, Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, avalia que o início do ciclo de cortes no Brasil segue como cenário principal, embora a guerra tenha tornado o debate mais sensível.
“No Brasil, a gente ainda tem expectativa do início do ciclo de corte de juros”, afirmou. Para ele, o ponto de atenção é o comportamento do petróleo nos próximos dias e semanas. “Essa discussão vai ficar mais nervosa se essas condições de choque de petróleo continuarem”, disse.
Na visão de Jayme, o Copom já deve mencionar esse risco no comunicado, mas os primeiros cortes ainda tendem a acontecer porque esse movimento já está incorporado às expectativas do mercado.
Nos Estados Unidos, a leitura é mais conservadora. Agostini afirma que o Fed não deve cortar juros agora e vê uma eventual flexibilização apenas mais adiante, se houver redução da intensidade do conflito. “Se cair, talvez caia lá em junho, caso, obviamente, a gente tenha uma menor intensidade de conflito contra o Irã”, disse o sócio-fundador do Hub do Investidor.
A visão é parecida com a de Alex André, economista e head de Corporate Access da MZ Group, que vê o banco central americano em compasso de espera, sem espaço para afrouxar a política monetária em meio ao novo choque inflacionário.
“Estados Unidos, por enquanto, deve ficar mais on hold”, afirmou. Segundo ele, a tendência é de uma postura mais restritiva, em linha com um ambiente de maior cautela. “O mercado deve segurar isso”, disse.
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Se do lado dos juros a leitura predominante é de Copom ainda cortando e Fed mais travado, no mercado de ações o cenário está mais dividido.
Em tese, juros menores seguem sendo um vetor positivo para a bolsa, ao reduzir o custo de capital e melhorar o ambiente para empresas mais sensíveis ao crédito. Mas os analistas ponderam que boa parte desse movimento já foi precificada, o que reduz a chance de um novo rali automático só com o início do ciclo de queda da Selic.
Jayme Simão diz que o corte esperado para as próximas reuniões do Copom já está incorporado aos preços. “O corte de juros para as próximas reuniões do Copom já está muito bem precificado”, afirmou.
“O que mexe o ponteiro é, na verdade, ou um direcional mais dovish por parte do Banco Central brasileiro (…) ou então uma reprecificação da curva futura de juros média para longa”, disse.
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Seguir no GoogleAlex André segue o mesmo raciocínio. Segundo ele, o Ibovespa já embutiu boa parte do cenário benigno de juros, o que limita novas altas no curto prazo, especialmente com o petróleo acima de US$ 100 e o aumento da aversão ao risco.
“Para a bolsa subir mais, os juros iam ter que cair mais do que o esperado, porque o que está precificado na curva, o mercado já precificou na bolsa”, afirmou.
Na avaliação do economista, se houver uma descompressão mais à frente, tanto no cenário externo quanto no doméstico, a bolsa pode voltar a ganhar tração. Mas, por ora, o investidor ainda convive com fatores que limitam o apetite, como guerra, petróleo em alta e riscos eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos.
Agostini também adota um tom mais cauteloso para a renda variável. Para ele, a lógica tradicional continua válida, mas o mercado está submetido a um nível de imprevisibilidade que enfraquece qualquer projeção mais linear.
“A gente sabe que quanto mais cai a taxa de juros, mais é o incentivo para investimento em renda variável. Essa é a lógica num cenário comum, num cenário normal. O problema é que a gente não está nesse cenário”, afirmou.
O economista lembra que, antes da escalada da guerra, havia condições para o Ibovespa buscar níveis mais altos ainda em março. “No final de fevereiro a gente achava que o Ibovespa poderia em março chegar a superar 200 mil pontos. Tinha todas as condições. Claro, num cenário normal”, disse.
Para Hugo Queiroz, sócio da L4 Capital, a discussão sobre entrar ou não na bolsa não deveria depender apenas da Super Quarta. Na visão dele, a alocação em ações precisa levar em conta principalmente os fundamentos das empresas, valuation e horizonte de longo prazo.
Segundo Hugo, o investidor deve manter alguma exposição estrutural à bolsa e calibrar esse peso conforme a trajetória dos juros. Se o cenário de cortes se confirmar e ganhar profundidade, faz sentido aumentar essa exposição. Se houver redução no ritmo do afrouxamento, a tendência é de uma posição mais conservadora.
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