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O que analisar ao investir em bancos? Especialistas citam 5 indicadores

Publicado 03/02/2026 • 23:40 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Temporada de balanços dos bancões começa nesta quarta-feira (4), com divulgações de Santander Brasil, Itaú Unibanco; Bradesco e Banco do Brasil publicam sues números nos próximos dias.
  • Especialistas ouvidos pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC indicam quais números realmente ajudam a avaliar risco, rentabilidade e sustentabilidade do lucro.
  • Métricas de retorno, qualidade do crédito e eficiência operacional costumam pesar mais na reação das ações do que o lucro isolado.

Reprodução/Instagram/Itaú

A temporada de balanços dos grandes bancos começa nesta quarta-feira (4), com Santander Brasil e Itaú Unibanco abrindo a rodada de resultados do 4º trimestre.  Bradesco e Banco do Brasil publicam os números no dia 05 e 11 de fevereiro, respectivamente.

Em meio ao volume de relatórios e indicadores, entender o que realmente importa em um balanço bancário pode fazer diferença para separar lucro pontual de desempenho sustentável. A pedido do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, especialistas destacam cinco pontos que ajudam a fazer essa leitura sem cair em armadilhas.

1) Quanto você ganha pelo preço que paga na ação

Para Pedro Ávila, analista de ações da Varos Research, o ponto de partida é olhar o retorno em relação ao valor de mercado do banco.

“O que eu mais gosto de olhar é o earnings yield, que é calculado como lucro/valor de mercado.”

A ideia é simples: o investidor compra a ação pelo preço de tela, não pelo valor contábil do banco.

“Imagina um banco que possui um valor patrimonial por ação de R$ 10, um valor de mercado da ação de R$ 5 e apresenta um lucro por ação de R$ 1. O ROE é de 10%. Faz mais sentido avaliar o retorno pelo valor que eu pagaria ao investir no banco hoje. Aí nesse caso eu dividiria R$ 1 por R$ 5, e chegaria num Earnings Yield de 20%”, explica.

Segundo ele, esse número ganha ainda mais peso no setor bancário, que costuma distribuir uma parcela elevada do lucro aos acionistas, o que tende a transformar lucros maiores em mais dividendos.

“Esse indicador é especialmente importante para bancos, pois a natureza do setor é de um payout (parcela do lucro destinada a proventos) alto, então, em algum momento, um Earnings Yield alto acaba se transformando em dividend yield (retorno em dividendos) alto.”

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2) ROE continua sendo um termômetro importante

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) segue como uma das métricas mais usadas para medir rentabilidade.

“O ROE ele mensura o lucro líquido dividido sobre o patrimônio do banco”, explica Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor.

Mas, isoladamente, o indicador pode não contar toda a história, especialmente quando o banco negocia muito acima do valor patrimonial. Isso acontece porque o ROE olha para o patrimônio contábil, mas o investidor compra a ação pelo preço de mercado. Quando o papel está muito acima do valor patrimonial, o ROE pode soar ótimo, mas não garante retorno alto para quem compra a ação hoje.

3) Inadimplência é o verdadeiro termômetro do risco

Se há um número que costuma mexer com as ações, é o atraso no pagamento de empréstimos. Já que, em bancos, o crédito é o principal motor do resultado.

“Na inadimplência, 70%, 80% do resultado de um banco é crédito”, afirma Jayme Simão.

Quando a inadimplência aumenta, o banco tende a separar mais dinheiro para cobrir possíveis calotes- as chamadas provisões para devedores duvidosos ou PDD – o que pode reduzir o lucro do trimestre. Além disso, piora a leitura de risco para os próximos meses, e isso costuma pesar na reação do mercado, mesmo que o resultado venha “ok” no curto prazo.

O mercado costuma acompanhar de perto os atrasos mais longos, que indicam maior chance de perda.

“Quem atrasou mais de 90 dias é considerado como inadimplente”, acrescenta Simão.

Pedro Ávila reforça que esse é o ponto mais sensível na temporada. “Em relação ao que mais deve pesar no balanço agora, sem dúvida, eu acho que é a inadimplência.”

4) Provisões mostram o “colchão” contra perdas

Outro ponto essencial é quanto o banco separa de dinheiro para cobrir possíveis calotes — uma espécie de “colchão” de segurança.

“A PDD é o quanto que você provisiona para devedores duvidosos”, diz Jayme Simão.

Na prática, quando o banco aumenta essa reserva, ele reconhece que parte do crédito pode não voltar. Esse valor sai do resultado do período e reduz o lucro do trimestre, mesmo que o dinheiro ainda não tenha sido efetivamente perdido. Por outro lado, quando a PDD fica baixa demais em um momento de inadimplência alta, o mercado tende a enxergar risco de “conta” mais pesada no futuro. com novas provisões e pressão sobre o lucro adiante.

Por isso, mais do que olhar se a PDD subiu ou caiu, investidores comparam esse número com a inadimplência e com a evolução da carteira para entender se o banco está sendo conservador, realista ou otimista demais.

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5) Eficiência: quanto custa gerar lucro

Nem todo lucro de banco vem só de cobrar juros mais altos. Parte importante do desempenho está em quanto o banco consegue ganhar na operação e quanto custa manter essa operação de pé.

“Ou você faz margem financeira via spread, ou você faz via eficiência”, resume Jayme Simão.

Na prática, spread é a diferença entre o juro que o banco paga para captar dinheiro e o juro que ele cobra nos empréstimos. Quando essa diferença aumenta, a rentabilidade melhora. Já eficiência é o quanto o banco consegue gerar de receita gastando menos, com despesas administrativas, tecnologia, rede de agências, pessoal e provisões operacionais.

Por isso, além do lucro, vale observar se o banco está melhorando a relação entre receitas e custos. Um resultado pode vir forte em um trimestre por causa de um evento pontual, mas se as despesas seguem subindo e a eficiência piora, o mercado tende a ler como um ganho pouco sustentável.

Também importa como o crédito está crescendo. Expandir em linhas mais arriscadas pode acelerar o lucro no curto prazo, mas costuma aumentar inadimplência e provisões mais adiante. Já crescer em linhas com garantia ou público de menor risco pode trazer um avanço mais lento, porém mais estável.

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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