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CNI: Acordo Mercosul-UE amplia acesso do Brasil a 36% do comércio mundial
Publicado 19/01/2026 • 07:49 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 19/01/2026 • 07:49 | Atualizado há 2 meses
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Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
comércio
A entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia deve elevar de 8% para 36% o acesso do Brasil ao comércio mundial, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A avaliação foi divulgada no último sábado (17), após a assinatura do pacto em Assunção, no Paraguai, e aponta ganhos imediatos de comércio, com transição tarifária mais longa para a indústria brasileira.
O estudo mostra que os acordos preferenciais do Brasil hoje cobrem apenas 8% das importações globais. Com o acordo Mercosul-UE, essa fatia sobe para 36%, considerando que a União Europeia respondeu por 28% do comércio mundial em 2024. Para a CNI, trata-se de uma mudança estrutural na inserção do país no comércio internacional.
Do lado europeu, 54,3% dos produtos negociados — mais de cinco mil itens — terão imposto zerado assim que o acordo entrar em vigor. Já no Mercosul, o Brasil terá prazos entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos, cerca de 4,4 mil itens. Na média, o país contará com oito anos adicionais de adaptação em relação ao cronograma europeu, preservando previsibilidade no comércio bilateral.
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Segundo a CNI, o acordo foi firmado em um momento estratégico para o Brasil, após mais de 25 anos de negociações. Além de reduzir tarifas, o tratado incorpora regras que ampliam previsibilidade regulatória, reduzem custos e estimulam investimentos, inovação e geração de empregos ligados ao comércio exterior.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o impacto é direto sobre a competitividade. “O acordo garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil na diversificação de parceiros”, afirmou.
Na prática, 82,7% das exportações brasileiras para a União Europeia passarão a entrar no bloco sem tarifa desde o início da vigência. Em contrapartida, o Brasil zerará imediatamente tarifas de apenas 15,1% das importações europeias.
Apenas 0,9% das exportações brasileiras ao bloco terão prazo de até 10 anos para alcançar tarifa zero, enquanto 56,7% das importações europeias terão redução apenas após 10 ou 15 anos, reforçando o ganho relativo no comércio.
Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para a UE foram criados 21,8 mil empregos, com R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. No mesmo ano, a UE foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, 14,3% do total, e respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações, 17,9%.
A indústria sustenta essa relação: 98,4% das importações brasileiras vindas da UE são produtos industrializados, enquanto 46,3% das exportações ao bloco também têm origem industrial. Essa complementaridade reforça a modernização do parque produtivo e a competitividade no comércio internacional.
O acordo também abre espaço para cooperação tecnológica e ampliação de investimentos europeus no Brasil. Projetos conjuntos em P&D voltados à sustentabilidade, descarbonização industrial, hidrogênio de baixa emissão, motores híbrido-flex e reciclagem de baterias ganham escala.
A UE já é o principal investidor estrangeiro no país, com 31,6% do estoque de investimento produtivo em 2023, e a retomada desse fluxo tende a fortalecer cadeias industriais ligadas ao comércio exterior.
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