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Aposta tarifária de Trump contra o Irã pode colocar em risco acordo comercial entre EUA e China
Publicado 13/01/2026 • 07:05 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 13/01/2026 • 07:05 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Andrew Caballero / AFP
Donald Trump e Xi Jinping durante encontro na Coreia do Sul, em 30/10/205
A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de 25% a países que façam negócios com o Irã elevou o risco de descarrilar o frágil acordo comercial entre Washington e Pequim, maior parceiro comercial de Teerã.
Trump afirmou na noite de segunda-feira, nos Estados Unidos, que o país começará a cobrar uma tarifa de 25% sobre importações provenientes de países que mantenham negócios com o Irã. A medida é “efetiva imediatamente”, escreveu o presidente em uma publicação na rede Truth Social.
As duas maiores economias do mundo haviam fechado um acordo comercial provisório no fim de outubro, que previa a redução de tarifas punitivas impostas pelos EUA à China, enquanto Pequim suspendia seus amplos controles sobre exportações de terras raras.
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Em resposta à ameaça tarifária de Trump, a China afirmou que “se opõe firmemente a quaisquer sanções unilaterais ilícitas e à jurisdição de longo alcance”, além de alertar que tomará “todas as medidas necessárias” para defender seus interesses, segundo uma publicação no X feita por um porta-voz da Embaixada da China nos EUA.
Se Trump levar adiante a tarifa de 25%, “isso representa uma escalada maciça em relação aos níveis atuais de tarifas”, disse Deborah Elms, chefe de política comercial da Fundação Hinrich.
Ela alertou que a situação pode facilmente evoluir para novas rodadas de retaliações mútuas, além de frustrar quaisquer expectativas de exportações de soja dos EUA para a China. “Da última vez que jogamos esse jogo, acabamos com tarifas de 145%.”
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Como maior importadora de petróleo do mundo, Pequim há muito tempo compra petróleo bruto do Irã e de outros países sancionados pelos EUA, oferecendo uma linha vital de sustentação econômica ao regime do Oriente Médio, pressionado por restrições ocidentais.
Os embarques de petróleo bruto iraniano para a China mais que dobraram entre 2017 e 2024, em termos diários, para mais de 1,2 milhão de barris, segundo estimativas de Muyu Xu, analista sênior da empresa de inteligência de commodities Kpler.
Em 2022, combustíveis responderam por mais da metade das importações chinesas provenientes do Irã, de acordo com os dados mais recentes do Banco Mundial.
No entanto, desde então, a China reduziu seu comércio com o país em meio ao endurecimento das sanções dos EUA. As importações do Irã caminhavam para o quarto ano consecutivo de queda em 2025, recuando 28% no período de janeiro a novembro em relação ao ano anterior, segundo dados oficiais compilados pela Wind Information. A China deve divulgar os dados completos de comércio do ano na quarta-feira.
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Pequim não reduzirá sua cooperação econômica com o Irã por causa da ameaça tarifária de Trump, disse Cui Shoujun, professor de estudos internacionais da Universidade Renmin da China, a jornalistas na manhã de terça-feira.
“A situação no Irã certamente entrou em um período muito perigoso. Todos devemos prestar mais atenção”, afirmou Cui em mandarim, em declaração traduzida pela CNBC. Ele atribuiu o interesse de Trump no Irã aos recursos energéticos — mais produção de petróleo do que a Venezuela — justamente no momento em que a demanda por eletricidade nos EUA cresce para atender à expansão da inteligência artificial.
Embora tenha evitado comentar diretamente as implicações para as relações entre EUA e China, Cui disse que reuniões presenciais são um importante indicador.
Após Trump se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, na Coreia do Sul no outono passado, os dois lados concordaram com uma trégua comercial de um ano. As tarifas sobre exportações chinesas para os EUA permaneceriam em torno de 47,5%, abaixo do pico de mais de 100% registrado durante o auge das tensões comerciais na primavera.
Espera-se que o presidente dos EUA visite Pequim em abril, seguido por uma visita recíproca de Xi mais tarde no ano.
“Trump está corroendo a frágil confiança construída em torno da trégua comercial”, disse Dan Wang, diretor para a China do Eurasia Group. “Trump já era amplamente visto pelo público e pelo governo chineses como inconsistente.”
Estados Unidos e China têm um histórico de intensificar pressões para ganhar vantagem antes de grandes encontros diplomáticos. As tensões haviam se agravado fortemente antes da reunião entre Trump e Xi em outubro, quando Pequim ampliou controles de exportação sobre terras raras e iniciou investigações antitruste contra a fabricante americana de chips Qualcomm, enquanto Washington supostamente planejava restringir softwares de design de chips para a China.
“Provavelmente haverá várias rodadas semelhantes de retaliações mútuas até a reunião de abril”, afirmou Wang.
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Segundo ele, a China poderia responder com sanções a empresas americanas ligadas a vendas de armas para Taiwan ou com investigações antitruste contra companhias de tecnologia dos EUA que operam no país, descartando, no entanto, novas restrições às terras raras.
Ainda não está claro até que ponto as tarifas se concretizarão. A Suprema Corte dos EUA pode decidir na quarta-feira sobre a legalidade do uso de tarifas por Trump.
A ameaça de tarifas contra parceiros comerciais do Irã parece ter sido motivada pelo “foco de atenção constantemente mutável de Trump, e não como parte de uma estratégia deliberada para obter nova vantagem sobre a China antes da provável cúpula de abril”, disse Scott Kennedy, assessor sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Ainda assim, “a China não hesitará em retaliar de uma forma que imponha custos significativos aos EUA [e] se preparou para uma variedade de cenários, incluindo este”, acrescentou Kennedy.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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