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Economia da China cresce 4,8% no trimestre, mas investimento recua pela primeira vez desde a pandemia
Publicado 20/10/2025 • 07:37 | Atualizado há 11 meses
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Publicado 20/10/2025 • 07:37 | Atualizado há 11 meses
KEY POINTS
A economia da China cresceu 4,8% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com as projeções de analistas. No entanto, o dado expôs uma desaceleração em relação ao crescimento de 5,2% registrado entre abril e junho.
O principal ponto de atenção foi o recuo no investimento em ativos fixos, que caiu 0,5% nos primeiros nove meses do ano — um resultado classificado por analistas como “raro e alarmante”.
De acordo com a Pinpoint Asset Management, a última vez que a China havia registrado uma contração desse tipo foi em 2020, no auge da pandemia. “Essa queda é preocupante e indica que o PIB no quarto trimestre pode enfrentar pressão adicional”, disse o economista Zhiwei Zhang.
A retração reflete o enfraquecimento contínuo do setor imobiliário, que voltou a cair 13,9% até setembro, após uma queda de 12,9% nos oito primeiros meses do ano. O analista Bruce Pang, da CUHK Business School, avaliou que a fraqueza do setor pode durar mais do que o esperado e representar uma mudança estrutural: “É possível que o investimento imobiliário nunca volte aos níveis anteriores. A China precisa encontrar novas fontes de investimento para preencher essa lacuna.”
Excluindo o mercado imobiliário, o investimento total cresceu 3% entre janeiro e setembro, mas também desacelerou frente aos 4,2% até agosto. O investimento privado fora do setor imobiliário aumentou 2,1%, ritmo mais fraco que os 3% do mês anterior.
Para o economista Eswar Prasad, da Universidade Cornell, o cenário evidencia uma queda na confiança empresarial. “A fraqueza do investimento, especialmente o privado, mostra falta de confiança nas perspectivas de crescimento da economia e nas políticas do governo para sustentá-lo”, afirmou.
A produção industrial, por outro lado, avançou 6,5% em setembro, superando as expectativas de 5% e acelerando frente aos 5,2% do mês anterior. Já as vendas no varejo cresceram 3%, em linha com as projeções, mas abaixo do ritmo de agosto (3,4%). Um dos sinais de desaceleração do consumo veio das vendas de eletrodomésticos, que subiram apenas 3,3% no mês, contra um salto de 25,3% no acumulado do ano — reflexo da perda de fôlego do programa de subsídios ao consumo do governo.
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Siga o Times | CNBCO mercado de trabalho apresentou leve melhora, com a taxa de desemprego urbano caindo para 5,2%, ante 5,3% em agosto. A renda disponível ajustada pela inflação aumentou 4,5% nas cidades e 6% nas áreas rurais.
No front macroeconômico, a inflação geral caiu 0,3% em setembro, contrariando as previsões e reforçando a pressão deflacionária, enquanto o índice de preços ao consumidor subjacente — que exclui alimentos e energia — teve o maior avanço desde fevereiro de 2024.
Apesar dos sinais mistos, Pequim manteve as taxas básicas de empréstimo inalteradas pelo sexto mês consecutivo: 3% para o crédito de um ano e 3,5% para cinco anos.
Nesta semana, os principais líderes chineses se reúnem em Pequim para discutir metas econômicas e prioridades do novo plano de cinco anos. O foco do governo é aumentar o consumo interno e fortalecer a produção tecnológica doméstica, em meio à pressão das restrições impostas pelos Estados Unidos.
Segundo Ting Lu, economista-chefe do Nomura para a China, o país ainda depende fortemente do setor imobiliário, que representa cerca de 18% da receita dos governos locais e metade da riqueza das famílias. “O governo precisará resolver o desequilíbrio do setor entre 2026 e 2030”, disse. Ele também alertou que o excesso de investimentos em setores emergentes, como veículos elétricos, começa a se tornar contraproducente.
Mesmo com a resiliência nas exportações em meio à disputa comercial com Washington, os números do trimestre mostram que a China enfrenta um desafio duplo: equilibrar a reestruturação de sua economia enquanto tenta manter o crescimento acima de 4,5% — patamar considerado mínimo para sustentar o mercado de trabalho e o consumo interno.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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