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Comprar a Groenlândia pode custar até US$ 700 bilhões aos EUA
Publicado 14/01/2026 • 14:34 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/01/2026 • 14:34 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Pixabay
Groenlândia
Os Estados Unidos poderiam desembolsar até US$ 700 bilhões caso levem adiante o objetivo do presidente Donald Trump de adquirir a Groenlândia, segundo três pessoas familiarizadas com estimativas de custo citadas pela imprensa americana.
O valor foi calculado por acadêmicos e ex-autoridades dos EUA no contexto de estudos internos sobre a ambição de Trump de transformar a ilha, com cerca de 800 mil km², em um amortecedor estratégico no Ártico contra rivais como Rússia e China. A estimativa equivale a mais da metade do orçamento anual do Departamento de Defesa dos EUA, elevando o grau de preocupação entre aliados europeus e no Congresso americano.
A Groenlândia é um território semiautônomo do Dinamarca e não está à venda. Autoridades dinamarquesas e groenlandesas rejeitaram publicamente as declarações de Trump de que os EUA obteriam o controle da ilha “de uma forma ou de outra”. Ainda assim, um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o secretário de Estado Marco Rubio foi instruído a apresentar, nas próximas semanas, uma proposta formal de compra, tratada internamente como “prioridade máxima”.
Nesta quarta-feira, Rubio e o vice-presidente JD Vance devem se reunir com representantes da Dinamarca e da Groenlândia em Washington, em meio à escalada diplomática provocada pelas declarações do presidente americano.
Leia também: Trump diz que Groenlândia é ‘vital’ para sistema de defesa aérea dos EUA
A reação do governo groenlandês tem sido firme. A chanceler Vivian Motzfeldt afirmou que a Groenlândia “não quer ser possuída, governada ou integrada aos Estados Unidos” e reiterou que o território pretende permanecer como parte do Reino da Dinamarca.
A ministra de Negócios e Recursos Minerais, Naaja Nathanielsen, afirmou que o tom das mensagens vindas de Washington tem causado ansiedade entre os moradores. “As pessoas estão tendo dificuldade para dormir. A pressão é enorme”, disse, acrescentando que não há intenção de se tornar americana.
Leia também: A cartilha de Trump sobre Groenlândia, Venezuela e Irã para enfrentar a China
Embora Trump tenha mantido aberta a possibilidade de uso da força, integrantes do governo e aliados externos consideram mais provável uma solução por meios diplomáticos ou econômicos. Entre as opções avaliadas está um acordo de associação livre, modelo semelhante ao mantido pelos EUA com países como Ilhas Marshall, Micronésia e Palau, envolvendo ajuda financeira em troca de presença militar.
Especialistas apontam que essa alternativa seria bem mais barata do que a compra direta — estimada entre US$ 500 bilhões e US$ 700 bilhões – e reduziria o risco de ruptura dentro da OTAN.
O interesse americano na Groenlândia também está ligado ao temor de que uma eventual independência do território abra espaço para influência chinesa ou russa ao longo de seus 27 mil km de litoral, segundo analistas e depoimentos de ex-autoridades ao Congresso.
Pesquisas indicam, no entanto, que cerca de 85% dos groenlandeses rejeitam a ideia de se tornarem parte dos Estados Unidos.
Leia também: Groenlândia e Dinamarca se preparam para confronto diplomático na Casa Branca
As declarações de Trump provocaram reação bipartidária no Senado. Um projeto de lei apresentado nesta semana busca proibir o uso de recursos do Pentágono para assumir o controle de território soberano de um país membro da OTAN sem autorização explícita do próprio país ou do Conselho do Atlântico Norte.
Para analistas como Ian Lesser, do German Marshall Fund, a retórica agressiva pode ter como objetivo pressionar negociações, mas o uso da força seria improvável. “Seria desnecessário e poderia provocar tensões insustentáveis dentro da OTAN”, afirmou.
(*com informações da NBC)
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