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Condenada, líder da direita francesa busca reverter decisão para concorrer em 2027
Publicado 13/01/2026 • 08:59 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/01/2026 • 08:59 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A líder de extrema direita da França, Marine Le Pen
A líder de extrema direita Marine Le Pen volta a pôr em jogo, a partir desta terça-feira (13), sua candidatura às eleições presidenciais francesas de 2027, durante um julgamento em recurso em Paris por desvio de recursos públicos europeus.
Em março, um tribunal de primeira instância a condenou a cinco anos de inabilitação imediata, uma decisão que agitou o tabuleiro político e que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou uma “caça às bruxas”.
“Espero poder convencer os magistrados da minha inocência”, disse à imprensa na segunda-feira a política de 57 anos, cuja “única linha de defesa” será “dizer a verdade”. “Espero que me escutem melhor do que na primeira instância”, apontou.
Leia também: Líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen condena ataque à Venezuela
O julgamento em recurso, que começará às 13h30 locais (9h30 em Brasília) e durará até 11 de fevereiro, ocorre quando Le Pen ou seu herdeiro político, Jordan Bardella, lideram as pesquisas para suceder o centrista Emmanuel Macron em 2027.
Além de Marine Le Pen, outras 23 pessoas entre ex-eurodeputados, membros e funcionários do outrora Frente Nacional (FN), rebatizado Reagrupamento Nacional (RN), também foram condenadas, além do próprio partido, que recorreu da sentença com 13 condenados.
A presidência da França é seu objetivo desde que, em 2011, herdou a liderança do FN, partido histórico da extrema direita do seu pai Jean‑Marie Le Pen, cuja imagem extremista conseguiu suavizar.
No entanto, o Tribunal Correcional de Paris afastou-a da corrida em março ao condená-la a dois anos de prisão, 100 mil euros (628 mil reais na cotação atual) de multa e, sobretudo, à inabilitação imediata.
Os juízes justificaram a decisão pela necessidade de “zelar para que os cargos eletivos (…) não se beneficiem de um regime de favores, incompatível com a confiança que os cidadãos buscam na vida política”.
O tribunal declarou-a culpada de ter armado um “esquema” entre 2004 e 2016 para que assessores do seu partido no Parlamento Europeu, pagos pela instituição, trabalhassem “na realidade” para a formação, algo proibido.
A Justiça francesa não revelou qualquer enriquecimento pessoal neste caso e, em primeira instância, determinou que os condenados devolvessem 3,2 milhões de euros (19,9 milhões de reais) ao Parlamento Europeu.
Leia também: Negociem sobre o orçamento ou derrubaremos vocês, diz extrema-direita da França ao governo
Em vez de negar, os advogados da líder de extrema direita, Rodolphe Bosselut e Sandra Chirac-Kollarik, optarão agora por destacar que ela não teve a intenção de cometer os atos imputados, segundo várias pessoas próximas.
O objetivo dessa estratégia é que, em caso de condenação, a pena de inabilitação ou de prisão lhe permita apresentar-se à eleição presidencial de 2027, à qual Macron já não pode concorrer, e fazer campanha.
Em caso de nova condenação, um último recurso pode ser solicitado ao Tribunal de Cassação. Seu primeiro presidente, Christophe Soulard, assegurou que, nesse cenário, tentariam decidir antes da eleição, “se possível”.
“Seria muito preocupante para a democracia que a Justiça privasse os franceses de uma candidata à eleição presidencial que já se classificou duas vezes para o segundo turno e hoje surge como favorita”, disse Bardella na segunda-feira.
Nove meses após sua condenação, a imagem da finalista nas presidenciais de 2017 e 2022 enfraqueceu perante a opinião pública, e seu protegido de 30 anos surge cada vez mais como provável candidato.
Segundo uma pesquisa da Verian para o jornal Le Monde publicada no domingo, 49% dos franceses estimam que, entre ambos, Jordan Bardella, presidente do RN, tem “mais possibilidades de vencer a presidencial”.
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