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Conflito no Oriente Médio

Conflito no Irã amplia riscos globais e pressiona economia mundial

Publicado 29/03/2026 • 14:35 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Guerra no Irã eleva preços de energia, desorganiza cadeias globais e aumenta riscos de inflação e recessão, com impacto direto sobre países emergentes e consumidores.
  • Bloqueio do Estreito de Ormuz e ataques a infraestrutura energética reduzem oferta global e provocam a maior disrupção já registrada no mercado de petróleo.
  • Escassez de fertilizantes, gás e insumos industriais ameaça produção agrícola, encarece alimentos e amplia efeitos econômicos negativos em escala global.

Os efeitos econômicos da guerra envolvendo o Irã, após ataques de Estados Unidos e Israel, estão se intensificando e deteriorando as perspectivas para a economia global, com impactos que vão de alta nos preços de energia à pressão sobre países em desenvolvimento, que já enfrentam racionamento de combustível e subsídios emergenciais.

A escalada do conflito, com ataques e contra-ataques a refinarias, oleodutos e campos de gás no Golfo Pérsico, indica que os efeitos negativos podem se prolongar por meses ou até anos, ampliando a incerteza sobre o cenário econômico internacional.

Segundo Christopher Knittel, economista de energia do MIT, a destruição de infraestrutura muda o horizonte do impacto: “as consequências dessa guerra serão duradouras”, afirmou, ao destacar que o cenário atual é mais grave do que o previsto semanas atrás.

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O Irã atingiu o terminal de gás Ras Laffan, no Catar, responsável por cerca de 20% do GNL mundial, reduzindo em 17% a capacidade de exportação do país, com reparos estimados em até cinco anos. Paralelamente, o país reagiu fechando, na prática, o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo global.

A interrupção levou exportadores como Kuwait e Iraque a cortar produção, resultando na perda de 20 milhões de barris por dia, descrita pela Agência Internacional de Energia como a maior interrupção de oferta da história do petróleo.

Os preços reagiram rapidamente: o Brent subiu para US$ 105,32 (R$ 553,98), ante cerca de US$ 70 (R$ 368,20) antes da guerra, enquanto o petróleo americano chegou a US$ 99,64 (R$ 524,11). Historicamente, choques dessa magnitude estão associados a recessões globais, alertou Knittel.

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O cenário reacende o risco de estagflação, combinação de inflação elevada e baixo crescimento. Para Carmen Reinhart, da Harvard Kennedy School, o conflito aumenta simultaneamente o risco de inflação mais alta e desaceleração econômica.

A economista Gita Gopinath estima que o crescimento global, projetado em 3,3%, pode cair entre 0,3 e 0,4 ponto percentual caso o petróleo atinja média de US$ 85 (R$ 447,10) por barril em 2026.

Escassez e alta de fertilizantes prejudicam agricultores

O impacto também atinge a agricultura, já que o Golfo Pérsico responde por cerca de um terço da ureia e um quarto da amônia exportadas globalmente, insumos essenciais para fertilizantes.

Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passam até 40% das exportações de fertilizantes nitrogenados, os preços da ureia subiram 50% e os da amônia, 20%. O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes, está entre os países mais vulneráveis.

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O encarecimento dos insumos deve elevar os preços dos alimentos e reduzir a produção, especialmente em países mais pobres, onde o impacto sobre o consumo tende a ser mais severo.

Além disso, o conflito interrompeu o fornecimento de hélio, insumo essencial para chips, foguetes e exames médicos, já que o Catar responde por cerca de um terço da oferta global.

Racionamento de gás e limitação do ar-condicionado

Especialistas alertam que os efeitos serão generalizados. “Nenhum país ficará imune”, afirmou Fatih Birol, da Agência Internacional de Energia.

Países mais pobres devem enfrentar maior escassez, segundo Lutz Kilian, do Fed de Dallas, por terem menor capacidade de competir por petróleo e gás disponíveis.

Na Ásia, destino de mais de 80% do petróleo e GNL que passam por Ormuz, governos já adotam medidas de contenção. Nas Filipinas, repartições operam quatro dias por semana e limitam o ar-condicionado a 24°C; na Tailândia, servidores são orientados a evitar elevadores.

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Na Índia, o governo prioriza o uso doméstico de gás liquefeito de petróleo (GLP) e absorve parte dos custos, enquanto restaurantes reduzem atividades devido à escassez. A Coreia do Sul também impôs restrições ao consumo de energia.

Crise atinge uma economia dos EUA vulnerável

Apesar de serem exportadores de petróleo, os Estados Unidos não estão imunes. O aumento do preço da gasolina pressiona consumidores, com o galão próximo de US$ 4 (R$ 21,04), ante US$ 2,98 (R$ 15,67) um mês antes.

A economia americana já apresentava sinais de fraqueza, com crescimento anualizado de 0,7% no fim do ano, queda no ritmo de criação de empregos e cortes de 92 mil vagas em fevereiro.

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O economista Gregory Daco, da EY-Parthenon, elevou a probabilidade de recessão para 40%, acima dos 15% em condições normais.

A recuperação levará tempo

Apesar da resiliência recente diante de crises como pandemia e guerra na Ucrânia, o cenário atual reduz o otimismo quanto à capacidade de absorver novos choques.

Danos à infraestrutura energética, como as instalações de GNL no Catar, devem levar anos para serem reparados, segundo especialistas, prolongando os efeitos negativos.

Não há nenhum ganho econômico no conflito com o Irã”, afirmaram analistas, destacando que as incertezas agora giram em torno da duração da guerra e da extensão dos danos econômicos globais.

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