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Crise de chips de memória pressiona preços de eletrônicos no Brasil
Publicado 28/01/2026 • 11:08 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 28/01/2026 • 11:08 | Atualizado há 2 horas
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Diversos chips na imagem
Laura Ockel/Unsplash
A crise global de chips de memória começa a gerar impactos diretos nos preços de eletrônicos no Brasil. A prioridade dada por fabricantes de semicondutores à produção de memórias de alta largura de banda (HBM), utilizadas em servidores de inteligência artificial, tem reduzido a oferta de componentes destinados a celulares, computadores e televisores, segundo executivos da indústria ouvidos pela CNBC.
O movimento já provocou uma escalada nos preços das memórias e deve resultar em reajustes ao consumidor final ao longo de 2026 e 2027, em um cenário que combina custos elevados, dólar volátil e demanda mais sensível a preços.
Segundo projeções da Counterpoint Research, os preços globais dos chips de memória devem subir entre 40% e 50% no primeiro trimestre de 2026, com nova alta de cerca de 20% no segundo trimestre. A elevação já afeta diretamente a memória DRAM, componente essencial para dispositivos eletrônicos. Os custos desse insumo aumentaram:
A consultoria estima que esse movimento deve provocar uma queda de 2,1% nas vendas globais de smartphones em 2026.
No mercado brasileiro, os reajustes já começaram a aparecer. Fabricantes repassaram aumentos de preços de pelo menos 20% em PCs e celulares vendidos ao varejo no fim de 2025, refletindo a alta dos custos de memória e a pressão cambial, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).
Para a indústria, o cenário atual é estrutural e tende a se prolongar com a expansão acelerada dos data centers de inteligência artificial ao longo dos próximos anos, avaliam representantes do setor de semicondutores (Abinee e Abisemi).
A adaptação da indústria de semicondutores à nova demanda é lenta e exige investimentos de longo prazo. A americana Micron anunciou, na quarta-feira (27), um investimento de US$ 24 bilhões, ao longo de dez anos, para ampliar a produção de wafers de silício — matéria-prima essencial para a fabricação de memórias — em sua fábrica de Cingapura. O início da produção está previsto apenas para 2028.
Enquanto isso, os preços da matéria-prima seguem em forte alta, pressionando toda a cadeia de eletrônicos. O peso das memórias no custo total de computadores e celulares dobrou, passando para algo entre 15% e 20%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi).
Samsung, SK Hynix e Micron concentram a maior parte da produção global de memórias. Embora essas empresas tenham planos de expansão, a indústria enfrenta limitações estruturais. “É necessário um prazo mínimo de dois anos para que novas capacidades entrem em operação”, afirmou Ghazi a CNBC, ao explicar por que a escassez deve persistir.
A americana Micron Technology anunciou um investimento de US$ 24 bilhões, ao longo de dez anos, para ampliar a produção de wafers de silício em sua fábrica de Cingapura, com início de produção previsto apenas para 2028.
“Agora é um momento de ouro para as empresas de memória”, disse Ghazi, ao classificar o atual ciclo como diferente dos movimentos tradicionais do setor.
Leia também: Escassez de chips de memória deve durar até 2027, diz executivo do setor de semicondutores
Uma das estratégias adotadas pelas fabricantes para mitigar os impactos é a redução da quantidade de memória embarcada nos produtos. O mercado deve registrar maior oferta de computadores com 8 GB de RAM, em detrimento de modelos com 16 GB, como forma de equilibrar preços, de acordo com a Abisemi e fabricantes do setor.
Esse movimento de “downgrade” pode, mais adiante, gerar um efeito inverso, com desaceleração da demanda por memórias. No curto prazo, porém, a corrida por estoques segue intensa, com empresas ampliando significativamente seus níveis de armazenamento como proteção contra novas altas.
Para o Brasil, o cenário é ainda mais desafiador. Em 2025, as vendas de celulares recuaram 4% em unidades, enquanto o mercado de computadores permaneceu praticamente estagnado, segundo a IDC. A alta global nos preços de memória adiciona pressão a um setor já afetado por juros elevados, inflação e volatilidade cambial.
Mesmo com a expectativa de um ciclo de troca de computadores adquiridos durante a pandemia, o ambiente de preços mais altos tende a levar consumidores e empresas a adiar decisões de compra, avalia a IDC América Latina.
A demanda adicional por TVs e celulares impulsionada pela Copa do Mundo de futebol também aumenta a pressão sobre a cadeia produtiva, especialmente em um momento de oferta restrita de memórias e componentes essenciais, segundo associações do setor.
Apesar do cenário adverso, a indústria nacional busca reagir. A Zilia Technologies anunciou investimento de R$ 1 bilhão até 2030 para ampliar sua capacidade produtiva no país, incluindo memórias HBM. A Adata prevê aplicar R$ 400 milhões em pesquisa e desenvolvimento no Brasil no mesmo período
Apesar disso, fabricantes globais sinalizam confiança no repasse de custos. Winston Cheng, diretor financeiro da Lenovo a CNBC, afirmou que “veremos os preços da memória subirem” e disse estar confiante de que o ciclo atual permitirá o repasse dos custos, embora os aumentos devam atingir primeiro os produtos de entrada.
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