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Dólar despenca mais de 4% após 1º turno das eleições e volta aos R$ 5,00

Publicado 05/10/2026 • 17:47 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • Dólar à vista caiu 4,12%, a R$ 5,0018, depois de oscilar entre R$ 4,9540 e R$ 5,0073.
  • Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47% dos votos, contra 45% de Lula, resultado mais forte do que indicavam as pesquisas e que provocou forte reprecificação dos ativos brasileiros.
  • Investidores passaram a precificar maior possibilidade de ajuste fiscal e queda mais rápida da Selic em um eventual novo governo.
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Foto: Unsplash

O dólar despencou diante do real nesta segunda-feira (5), no primeiro pregão depois das eleições, em uma das reações mais fortes do câmbio brasileiro dos últimos anos. A moeda voltou à região de R$ 5 depois que Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente do presidente Lula (PT), contrariando as pesquisas que indicavam vantagem do petista.

O dólar à vista fechou em queda de 4,12%, a R$ 5,0018, após oscilar entre R$ 4,9540 e R$ 5,0073.

Às 17h05, o contrato futuro para novembro recuava 4,28%, a R$ 5,0280.

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A valorização do real ocorreu na contramão do exterior. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de moedas, avançava 0,21%, aos 102,146 pontos. O euro recuava 0,30%, a US$ 1,1218, enquanto a libra perdia 0,16%, a US$ 1,3221.

Resultado das urnas provoca reprecificação

Flávio terminou o primeiro turno com 47% dos votos, dois pontos percentuais à frente de Lula, com 45%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro. O resultado contrariou os levantamentos divulgados antes da votação, que em sua maioria apontavam Lula à frente ou os dois candidatos tecnicamente empatados.

A surpresa provocou uma reação imediata nos ativos brasileiros. Além da valorização superior a 4% do real, o Ibovespa disparou e os juros futuros recuaram, enquanto bancos internacionais passaram a revisar suas recomendações para o Brasil.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, definiu o movimento como uma mudança importante na precificação do cenário político e econômico.

“O mercado está reprecificando o futuro.”

Segundo Corleta, os preços passaram a refletir a expectativa de parte dos investidores de que aumentou a possibilidade de mudança na condução da política fiscal e monetária a partir do próximo ano.

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“O mercado hoje precifica que a Selic vai cair mais rápido, o mercado hoje precifica que o governo vai gastar menos e que o quadro fiscal tende a melhorar. É isso que você está vendo os preços dizerem hoje”, afirmou.

Real ignora alta do dólar no exterior

A força do movimento doméstico ficou mais evidente porque o dólar avançou contra outras moedas nesta segunda-feira.

Enquanto o DXY subia 0,21%, o dólar chegou a cair no Brasil para R$ 4,9540 na mínima do dia, rompendo a barreira de R$ 5 durante o pregão.

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O movimento também foi acompanhado pela entrada de investidores em outros ativos brasileiros. O J.P. Morgan elevou a recomendação para ações do país a overweight, sinalizando preferência por exposição acima da média ao mercado local diante do novo cenário político.

Fiscal passa ao centro das atenções

A continuidade da valorização do real, porém, dependerá das sinalizações econômicas apresentadas durante o segundo turno.

Corleta afirmou que investidores agora vão buscar detalhes sobre propostas para gastos públicos, dívida e reformas.

“Essa lua de mel não deve acabar tão rápido”, disse. “Difícil projetar se amanhã o mercado sobe, se corrige um pouco esse movimento todo, mas a reprecificação tem fundamento.”

Segundo o analista, o mercado deverá acompanhar principalmente a composição da equipe econômica e eventuais propostas para reduzir despesas e alterar regras fiscais.

O fortalecimento da direita no Congresso também entrou nessa conta. O PL ampliou sua representação nas duas Casas, resultado interpretado pelo mercado como um fator que poderia facilitar a aprovação de medidas econômicas em um eventual governo Flávio.

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