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Eleição presidencial em Portugal segue indefinida; extrema-direita avança até que ponto?

Publicado 18/01/2026 • 09:30 | Atualizado há 2 horas

AFP

KEY POINTS

  • Esta seria a primeira vez em quatro décadas que um candidato não vence por maioria absoluta logo no primeiro turno, o que exige mais de 50% dos votos.
  • Entre o recorde de 11 candidatos na disputa, apenas cinco têm chances reais de chegar à votação decisiva em 8 de fevereiro para suceder o atual presidente conservador, Marcelo Rebelo de Sousa.
  • Institutos de pesquisa preveem que qualquer um dos quatro rivais potenciais de Ventura o derrotaria com folga em um segundo turno.

Portugal começou a votar neste domingo (18) no primeiro turno de uma eleição presidencial na qual um candidato de extrema-direita poderá, pela primeira vez, chegar ao segundo turno, embora o resultado final seja difícil de prever.

As pesquisas indicam que André Ventura, líder do partido de extrema-direita Chega, pode liderar o primeiro turno, mas perderia na segunda rodada, independentemente de qual dos outros candidatos enfrentasse.

Esta seria a primeira vez em quatro décadas que um candidato não vence por maioria absoluta logo no primeiro turno, o que exige mais de 50% dos votos.

Entre o recorde de 11 candidatos na disputa, apenas cinco têm chances reais de chegar à votação decisiva em 8 de fevereiro para suceder o atual presidente conservador, Marcelo Rebelo de Sousa.

Além de Ventura (43 anos), os candidatos são: o socialista António José Seguro (63); o deputado liberal do Parlamento Europeu João Cotrim Figueiredo (64); o candidato do governo de direita Luís Marques Mendes (68); e Henrique Gouveia e Melo, almirante reformado que liderou a campanha de vacinação contra a Covid em Portugal.

Institutos de pesquisa preveem que qualquer um dos quatro rivais potenciais de Ventura o derrotaria com folga em um segundo turno.

As seções eleitorais abriram às 8h (horário local), e as pesquisas de boca de urna serão anunciadas às 20h.

O Chega obteve 22,8% dos votos e 60 cadeiras nas eleições legislativas de maio passado, superando os socialistas e tornando-se o maior partido da oposição.

Membro da União Europeia e da zona do euro, Portugal tem quase 11 milhões de habitantes e representa cerca de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) da UE.

O presidente de Portugal não possui poderes executivos, mas pode, em tempos de crise, dissolver o Parlamento, convocar eleições ou demitir um primeiro-ministro.

Teste de popularidade da extrema-direita em Portugal

Ventura vê a votação de domingo principalmente como um teste de sua popularidade, segundo especialistas, que acreditam que ele planeja eventualmente governar o país como primeiro-ministro.

“André Ventura está concorrendo para manter sua base de eleitores”, disse António Costa Pinto, cientista político da Universidade de Lisboa.

Uma extrema-direita mais forte aumentaria a pressão sobre o governo minoritário do direitista Luís Montenegro, que depende do Chega para implementar algumas de suas políticas.

“Outro resultado sólido para a extrema-direita confirmaria seu domínio sobre o cenário político”, afirmou a consultoria Teneo em nota.

Ventura, que prometeu colocar Portugal “em ordem”, instou os outros partidos de direita a não colocarem “obstáculos” em seu caminho caso ele venha a enfrentar o candidato socialista, Seguro, no segundo turno.

Seguro, por sua vez, afirmou ser o único capaz de derrotar o “extremismo” de Ventura.

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