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França vai ampliar arsenal nuclear e envolver aliados europeus

Publicado 02/03/2026 • 21:56 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • França expandirá arsenal nuclear diante de riscos geopolíticos.
  • Aliados europeus participarão de exercícios nucleares franceses.
  • França e Alemanha criam grupo diretor para cooperação em dissuasão.
A França ampliará seu arsenal nuclear e poderá permitir que parceiros europeus hospedem suas aeronaves em missões de dissuasão nuclear, afirmou o presidente Emmanuel Macron nesta segunda-feira (2), sinalizando uma mudança relevante na doutrina francesa e no equilíbrio estratégico do continente.

A França ampliará seu arsenal nuclear e poderá permitir que parceiros europeus hospedem suas aeronaves em missões de dissuasão nuclear, afirmou o presidente Emmanuel Macron nesta segunda-feira (2), sinalizando uma mudança relevante na doutrina francesa e no equilíbrio estratégico do continente.

Embora França e Reino Unido sejam potências nucleares, a maioria dos países europeus tem dependido principalmente dos Estados Unidos para dissuadir potenciais adversários um pilar histórico da segurança transatlântica há décadas.

A reaproximação de Donald Trump com a Rússia no contexto da guerra na Ucrânia e sua postura mais dura em relação a aliados tradicionais abalaram governos europeus. Alguns países manifestaram interesse em saber como Paris poderia protegê-los ao estender seu “guarda-chuva nuclear”.

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Estamos vivendo um período de turbulência geopolítica repleto de riscos”, afirmou Macron, em discurso feito a partir de uma base de submarinos na Bretanha, acrescentando que é necessário endurecer o modelo francês de dissuasão.

Ao anunciar a atualização da doutrina nuclear francesa – um ritual realizado uma vez por mandato presidencial Macron prometeu maior cooperação com aliados europeus interessados.

Alemanha, Grécia, Polônia, Holanda, Bélgica, Dinamarca e Suécia poderão participar de simulações e exercícios nucleares franceses. “Acredito que posso dizer que nossos parceiros estão prontos”, declarou Macron.

Ainda assim, o presidente não detalhou como a expansão nuclear será financiada, deixando claro que a decisão sobre um eventual ataque nuclear continuará exclusivamente nas mãos do presidente francês.

Armando-se juntos

O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou, em declaração conjunta com Macron, que França e Alemanha criaram um grupo diretor nuclear para discutir questões de dissuasão e iniciar cooperação concreta ainda neste ano.

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Isso incluirá a participação de forças convencionais alemãs em exercícios nucleares franceses, visitas conjuntas a instalações estratégicas e o desenvolvimento de capacidades não nucleares com a França e outros parceiros europeus.

O primeiro-ministro polonês Donald Tusk afirmou na rede X que a Polônia está em negociações com a França e um grupo de aliados europeus próximos sobre um programa avançado de dissuasão nuclear. “Estamos nos armando junto com nossos amigos para que nossos inimigos jamais ousem nos atacar”, acrescentou.

O líder francês afirmou que será possível estabelecer, em circunstâncias ainda não especificadas, ativos estratégicos em outros países europeus, como parte de uma nova doutrina de “dissuasão avançada”. “Nossas forças aéreas estratégicas poderão se espalhar profundamente pelo continente europeu”, disse Macron, sem fornecer mais detalhes.

Embora o tamanho do arsenal francês seja baseado em uma estratégia de “suficiência estrita”, o número de ogivas nucleares francesas será aumentado, afirmou o presidente.

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A França gasta cerca de 5,6 bilhões de euros (US$ 6,04 bilhões – R$ 31,29 bilhões) por ano para manter seu estoque de 290 armas lançadas por submarinos e aeronaves – o quarto maior arsenal nuclear do mundo. O Reino Unido possui 225 ogivas nucleares. Rússia e Estados Unidos têm mais de 5.000 cada.

Macron afirmou que os laços estreitos com o Reino Unido na dissuasão nuclear continuarão. Ele também disse que a revisão da doutrina nuclear francesa foi feita com total transparência em relação a Washington e é complementar à missão nuclear da Otan.

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