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Groenlândia vira o novo epicentro do risco global para mercados, comércio e investimentos; entenda
Publicado 18/01/2026 • 11:03 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 18/01/2026 • 11:03 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Scopio
A Gronelândia se transformou no mais novo ponto de fricção geopolítica entre Estados Unidos e Europa, depois que o presidente Donald Trump voltou a defender abertamente a aquisição do território dinamarquês como parte da estratégia de segurança nacional americana.
Após a operação americana na Venezuela, em 3 de janeiro, Washington passou a adotar uma postura ainda mais assertiva, elevando a tensão com aliados históricos. Líderes europeus demonstram perplexidade, mas ainda não conseguiram formular uma resposta coordenada ao que muitos classificam como quebra de confiança estratégica.
O movimento expõe uma ruptura histórica na relação transatlântica e inaugura um novo ciclo de incerteza estrutural para o mercado global, com impactos diretos sobre comércio, investimentos, moedas, energia, tecnologia e defesa.
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Para a Dinamarca, o risco vai além do território: uma eventual intervenção dos EUA pode quebrar a política de câmbio fixo da Dinamarca com o euro, em vigor desde 1982, com impacto direto em mercados, juros, comércio e investimentos.
É importante lembrar que, desde o 11 de setembro de 2001, o país foi um dos parceiros mais fiéis dos EUA, participando das invasões do Afeganistão e do Iraque. A guinada à direita levou o país a priorizar o alinhamento transatlântico em detrimento da integração europeia.
Com a invasão russa da Ucrânia em 2022, esse cálculo mudou. A Dinamarca passou a reforçar sua integração à política de defesa da União Europeia e à OTAN, aproximando-se de Finlândia e Suécia.
Agora, com Trump de volta, Copenhague busca apoio europeu para enfrentar a pressão americana sobre a Groenlândia.
No paradigma do realismo, cada país age de acordo com seu interesse nacional. Trump reposiciona os EUA como uma potência que disputa território, recursos naturais e rotas estratégicas no Ártico para conter China e Rússia. Nesse cenário, a Groenlândia deixa de ser apenas um território remoto e passa a ser um ativo geopolítico crítico, com implicações diretas para mineração de terras raras, energia, semicondutores, logística polar e defesa.
Para o mercado, isso significa mais volatilidade, risco político e reprecificação de ativos globais.
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Por trás da retórica política, a disputa revela o peso de interesses econômicos e corporativos.
Groenlândia e Venezuela entram no radar por concentrarem minerais críticos, petróleo, gás e rotas estratégicas, essenciais para a transição energética, inteligência artificial e indústria de defesa. O conflito deixa claro que geopolítica e negócios se fundiram: quem controla os recursos controla a próxima fase do crescimento global.
Para investidores, setores como mineração, energia, defesa, semicondutores e infraestrutura passam a carregar um prêmio geopolítico cada vez maior.
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A crise simboliza o enfraquecimento da ordem multilateral, baseada em ONU, direito internacional e regras comerciais previsíveis. Desde a reeleição de Trump, EUA e UE já colidiram em tarifas, tecnologia, redes sociais, clima e agricultura – e agora entram em choque também na segurança territorial. O resultado é um mundo mais fragmentado, com blocos econômicos rivais e cadeias produtivas redesenhadas.
Para o mercado, isso significa menos previsibilidade, mais protecionismo e maior custo de capital.
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A Groenlândia está no centro da crise climática e do aquecimento global, com impactos diretos sobre nível do mar, ecossistemas e migração climática. Os groenlandeses defendem uma economia baseada em resiliência, sustentabilidade e autonomia, enquanto as grandes potências enxergam o território como um ativo estratégico. Aqui, clima, geopolítica e economia deixam de ser temas separados e passam a formar um único risco sistêmico global.
Para o longo prazo, sustentabilidade e segurança deixam de ser “ESG” e viram variáveis centrais de valuation.
(*conteúdo adaptado do The Conversation)
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