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Hotéis e restaurantes vazios no Japão; entenda as consequências da crise diplomática do país com a China

Publicado 05/01/2026 • 15:45 | Atualizado há 2 dias

KEY POINTS

  • Declaração da primeira-ministra do Japão sobre Taiwan foi o estopim da crise.
  • Conforme detalha o Nikkei Asia, o sofrimento desse setor econômico é uma consequência direta da disputa que atinge as relações comerciais e o trânsito de viajantes entre os dois países.
  • O impacto dessa crise é visível em restaurantes chineses de áreas turísticas, agora praticamente desertos, e em hospedagens que viram suas placas de "lotado" serem substituídas por uma onda de cancelamentos em massa.

A crise diplomática entre Japão e China foi um golpe cruel com setor de turismo japonês, com hotéis passando de lotação máxima para cancelamentos e restaurantes vazios. Por conta do desentendimento entre os dois países da Ásia, a China pediu a seus cidadãos que não viajassem para o Japão, e eles foram obedientes.

A declaração que motivou a crise foi feita em 9 de novembro de 2025 por Sanae Takaichi, primeira-ministra japonesa, de que um ataque chinês a Taiwan seria “uma situação que ameaça a sobrevivência”. do Japão.

O esvaziamento de restaurantes chineses em zonas de grande circulação e o cancelamento em massa de reservas em hospedagens que antes estavam lotadas marcam o momento crítico vivido por empresas japonesas dependentes do turismo chinês. Conforme detalha o Nikkei Asia, o sofrimento desse setor econômico é uma consequência direta da disputa que atinge as relações comerciais e o trânsito de viajantes entre os dois países.

A velocidade com que o desgaste diplomático entre China e Japão se converte em prejuízos financeiros reais é um reflexo direto da dependência japonesa do turismo chinês. Esse mercado deu origem à indústria “yitiao long” — ou “um dragão” —, um modelo de negócio que gerencia o fluxo de visitantes e que, estima-se, movimente R$ 350 bilhões anualmente. O impacto dessa crise é visível em restaurantes chineses de áreas turísticas, agora praticamente desertos, e em hospedagens que viram suas placas de “lotado” serem substituídas por uma onda de cancelamentos em massa.

Empresas de donos chineses controlam uma rede de serviços no Japão que abrange desde roteiros turísticos e entretenimento até hospedagem e transporte para seus compatriotas. Para facilitar a experiência do visitante e evitar a troca de moedas, o atendimento é feito exclusivamente em língua chinesa e utiliza métodos de pagamento próprios da China. Entretanto, o fato de o ecossistema ter sido desenhado de forma tão restrita a esse público impede que esses estabelecimentos consigam se ajustar rapidamente para receber turistas de outras partes do mundo.

As declarações do primeiro-ministro japonês provocaram reações da China que vão além da recomendação para que seus cidadãos evitem viajar ao país vizinho. O governo chinês deu continuidade a manobras aéreas em tom de ameaça e tomou a decisão estratégica de deixar os zoológicos do Japão sem pandas — uma medida que, apesar de parecer superficial, carrega um profundo peso diplomático. Essas ações demonstram que Pequim está utilizando múltiplas frentes de retaliação em resposta ao governo japonês.

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