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Índia considera “profundamente ofensivos” comentários de JD Vance sobre imigrantes

Publicado 09/10/2026 • 13:30 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • A Índia acusou o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, de usar uma “terminologia que carrega conotações dolorosas de um legado histórico e colonial”, considerada “profundamente ofensiva”.
  • Vance alertou empresas na quinta-feira que elas “não podem demitir trabalhadores americanos e depois substituí-los por trabalhadores estrangeiros contratados em regime de servidão”.
  • Cerca de 70% dos beneficiários do visto H-1B em 2025 nasceram na Índia, segundo dados oficiais.

Foto: AFP

A Índia classificou como “profundamente ofensivos” os comentários do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, sobre imigrantes indianos, em um comunicado oficial divulgado pelo governo nesta sexta-feira.

Na quinta-feira, Vance afirmou que o governo Trump quer que empresas estrangeiras e americanas “empreguem trabalhadores americanos” e declarou que elas “não podem demitir trabalhadores americanos e depois substituí-los por trabalhadores estrangeiros contratados em regime de servidão”.

A declaração foi feita no mesmo dia em que o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos anunciou a suspensão da participação da Microsoft, da Adobe e de diversas grandes empresas indianas de tecnologia da informação no programa de Certificação Permanente de Trabalho. Com a medida, essas companhias ficam impedidas de solicitar residência permanente para funcionários que possuem vistos H-1B.

Cerca de 70% dos beneficiários do visto H-1B em 2025 nasceram na Índia, segundo dados oficiais.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Índia acusou Vance de utilizar uma “terminologia que carrega conotações dolorosas de um legado histórico e colonial”.

“Essas descrições são injustificadas e ignoram o fato de que os profissionais indianos nos Estados Unidos são altamente qualificados e contribuem significativamente para a economia e o ecossistema de inovação do país”, afirmou o comunicado.

O gabinete de Vance não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da CNBC.

O vice-presidente também criticou a Microsoft, acusando a empresa de substituir 6 mil funcionários demitidos por profissionais com vistos H-1B.

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O Ministério das Relações Exteriores da Índia assegurou aos cidadãos do país que as medidas anunciadas pelos Estados Unidos não afetarão a validade dos vistos H-1B existentes nem a situação dos titulares desses vistos e de seus dependentes.

“A mobilidade de talentos agrega valor às economias dos dois países”, afirmou o ministério, acrescentando que as suspensões “não contribuem para as ambições compartilhadas entre os dois países”.

Leia também: Representante comercial dos EUA diz que acordo com a Índia não é ‘iminente’ após conversa entre Modi e Trump

Empresas ampliam contratações nos Estados Unidos

Entre as empresas indianas afetadas pela suspensão estão Cognizant, Infosys, Capgemini, Tata Consultancy Services, Wipro e HCL.

A NASSCOM, associação do setor de tecnologia da informação da Índia, afirmou em comunicado que as empresas indianas de tecnologia “reduziram significativamente sua dependência dos vistos H-1B” nos últimos anos e estão ampliando as contratações locais de profissionais para suas operações nos Estados Unidos.

A Tata Consultancy Services, maior empresa indiana de tecnologia da informação, afirmou que o número de solicitações de vistos H-1B ficou na casa de um dígito nos últimos dois anos. A companhia também declarou que pretende contratar mais 15 mil pessoas nos Estados Unidos nos próximos cinco anos.

Em junho, um juiz federal bloqueou a taxa de US$ 100 mil para vistos H-1B que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia imposto no ano passado. A medida havia sido anunciada em setembro de 2025. Leia mais sobre o impacto da taxa para a Índia.

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