Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Como o colapso de um dos maiores bancos privados do Irã acelerou a crise econômica e escalou a onda de protestos
Publicado 14/01/2026 • 20:55 | Atualizado há 2 horas
IA de Elon Musk entra na mira da Justiça dos EUA; entenda
Cerebras fecha megacontrato com OpenAI e aquece corrida por chips de IA
Ataques de Trump ao Fed colocam em risco a estabilidade financeira global, alerta ex-presidente do BCE
A cartilha de Trump sobre Groenlândia, Venezuela e Irã para enfrentar a China
Ford amplia linha de SUVs de alto desempenho com modelo ‘mais acessível’
Publicado 14/01/2026 • 20:55 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Stringer/WANA (West Asia News Agency)
Iranianos participam de um comício pró-governo em Teerã, Irã, em 12 de janeiro de 2026.
O colapso do Ayandeh Bank, uma das maiores instituições privadas do Irã, já é considerado um marco da deterioração do sistema financeiro do país e teria acelerado o agravamento da crise econômica que alimentou uma nova onda de protestos.
O Ayandeh acumulava perto de US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26,85 bilhões, na cotação atual) em perdas. A instituição quebrou no fim de 2025 e, para evitar um impacto maior, o governo a incorporou a um banco estatal e recorreu à impressão de moeda para absorver o rombo.
A intervenção conteve o choque imediato, mas não resolveu. O episódio também expôs problemas de solvência e liquidez no sistema bancário iraniano.
Leia mais:
Trump sinaliza trégua no Irã, elogia nova líder da Venezuela e faz ofensiva contra “cidades-santuário”
Bancos dos EUA resistem à proposta de Trump de reduzir as taxas de juros de cartões de crédito
A dissolução do Ayandeh e a incorporação do negócio ao Bank Melli (o maior banco estatal do país) foram registradas pela imprensa internacional em outubro de 2025, quando autoridades e parlamentares intensificaram a pressão pelo encerramento das atividades do banco. O caso também colocou em evidência a avaliação de economistas e autoridades de que outras instituições do país podem enfrentar situação parecida.
A resposta do governo ao colapso ocorreu em um momento em que a economia iraniana já lidava com perda de poder de compra e instabilidade cambial. Após a intervenção, a autoridade monetária elevou a emissão de moeda para acomodar as perdas, o que reforçou um ciclo inflacionário que há anos pressiona o país.
Um ambiente marcado pela desvalorização do rial, alta de preços e uma inflação anual de alimentos que em dezembro chegou a 72% foram combustíveis para a insatisfação popular. Em 2025, o rial perdeu 84% do valor.
Em um artigo do The Wall Street Journal (WSJ), a deterioração econômica é relatada como forte fator para a tomada das ruas nas últimas semanas. Comerciantes do bazar de Teerã, grupo historicamente relevante para a política iraniana, aderiram a manifestações motivadas por perdas econômicas, volatilidade de preços e desvalorização do rial. O movimento tem se espalhado por outras cidades desde o fim de dezembro.
O colapso do Ayandeh intensificou a percepção de que o sistema econômico favorece grupos conectados ao poder, o que aprofundou o sentimento de injustiça em meio ao encarecimento do custo de vida. No plano fiscal, o jornal afirma que, ao mesmo tempo em que arcava com o custo de absorver o rombo do banco, o governo avançou com medidas de ajuste no orçamento, incluindo redução de apoios e mudanças em mecanismos de subsídios — e isso contribuiu para elevar a tensão social.
O Ayandeh foi fundado em 2013 por Ali Aliakbar Ansari, empresário associado a círculos políticos conservadores. A instituição oferecia algumas das maiores taxas de juros do país para atrair depositantes e, ao mesmo tempo, recorria a financiamento do banco central — dinâmica que economistas apontam como inflacionária.
Dias após a crise ganhar tração, o Reino Unido sancionou Ansari em outubro de 2025, afirmando que o executivo forneceu apoio financeiro a atividades vinculadas à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Um dos símbolos do caso, segundo o WSJ, foi o Iran Mall, megaprojeto em Teerã associado ao Ayandeh e frequentemente citado como exemplo de gastos suntuosos em contraste com a estagnação do restante da economia. O jornal relata que economistas e autoridades iranianas apontaram indícios de “autoempréstimo”, quando o banco teria financiado projetos ligados ao próprio controlador e concentrado parcela elevada dos recursos em empreendimentos sob influência da instituição.
O debate sobre a atuação do Ayandeh se arrastou por anos no Irã. Reportagem da Al Jazeera afirma que o banco vinha sendo criticado por políticos de diferentes correntes por problemas de governança e supervisão, em um sistema bancário afetado por sanções e fragilidades regulatórias. A crise do Ayandeh escancarou um sistema bancário sob pressão de sanções e dependente do Estado. Esse cenário dificulta o controle da inflação e da queda do rial.
—
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings
Mais lidas
1
Flamengo: por que o clube ficou fora da Copinha 2026?
2
O que muda para quem já tem visto válido, após EUA congelarem concessão de vistos do Brasil?
3
Como o Brasil pode ser afetado pelo congelamento de vistos dos EUA?
4
EUA suspendem processamento de vistos: Brasil está na lista
5
Banco Master: demora do FGC nos pagamentos é irregular pela lei? Entenda