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Mais valorizado que prata e ouro: veja quem está superando a alta do preço dos metais

Publicado 19/01/2026 • 16:04 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Alta de quase 200% em 12 meses. Esse resultado espetacular é o dos contratos futuros da prata, que batem maior patamar nominal da sua história a 95 dólares a onça.
  • O ouro também renova seus ganhos: valorização de 70% em 12 meses e patamar recorde de 4.678 dólares.
  • Mas os analistas do mercado apontam para quem está rendendo mais que esses metais em muitos casos. E são as empresas que produzem as commodities metálicas.

Fernando Gutierrez-Juarez/dpa via Reuters Connect

Alta de quase 200% em 12 meses. Esse resultado espetacular é o dos contratos futuros da prata, que batem maior patamar nominal da sua história nesta segunda-feira (19), a 95 dólares a onça. O ouro também renova seus ganhos: valorização de 70% em 12 meses e patamar recorde de 4.678 dólares.

Mas os analistas do mercado apontam para quem está rendendo mais que esses metais em muitos casos. E são as empresas que produzem as commodities metálicas. A Aura (AURA33) por exemplo subiu 340% em 12 meses.

Os BDRs da Aura se beneficiam dos ganhos principalmente do ouro, mas também da prata e do cobre, metais produzidos em menor quantidade durante a exploração do ouro. A empresa também surfou a onda de valorização do real contra o dólar.

A mineradora canadense tem o brasileiro Rodrigo Barbosa no comando e boa parte das suas minas estão no Brasil. A companhia viu seu custo de extração cair ao mesmo tempo que o preço do ouro disparou, o que ampliou suas margens de lucro.

A empresa tem se beneficiado da valorização dos metais acima da de outras mineradoras maiores, como a Newmoton Mining, que avançou 130% no mesmo período.

A disparada da prata

Para Leonardo Netto, private banker da Guardian Capital, o que está acontecendo com a prata não é explicado somente por fundamentos do metal, mas também por mecânica de mercado.

“Quando as corretoras aumentam as chamadas ‘margens’, elas estão basicamente exigindo mais dinheiro como garantia de quem está operando alavancado (operando com mais dinheiro do que tem depositado na corretora)”, explica.

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Assim, quando a margem sobe, todos os investidores que estavam vendidos (apostando na queda) precisam colocar mais dinheiro pra se adequar às novas exigências ou fechar a posição, que significa recomprar o que vendeu. “Essa compra forçada empurra o preço ainda mais pra cima, criando um efeito em cadeia chamado “short squeeze”, quanto mais o preço sobe, mais gente é forçada a comprar, e o movimento se acelera”, acrescenta Netto.

Metais x moedas

Alguns analistas apontam que existe uma desvalorização gradual de algumas das principais moedas do mundo. O dólar em 2025 teve queda no cenário global, especialmente contra os metais preciosos.

Mas não se trata só do dólar. A principal valorização da prata foi na relação contra o iene, a moeda japonesa. O Japão enfrenta há algum tempo um problema fiscal, com uma das maiores dívidas públicas do mundo.

O endividamento crescente da França também coloca dúvidas sobre a saúde do euro.

No paralelo, há a já comentada migração das reservas chinesas do dólar e das treasuries para outros ativos, com destaque para as estrelas do momento: ouro e prata.

O varejo e a faca de dois gumes

O preço do ouro e da prata ajudaram a elevar também as ações da Vivara (VIVA3) na bolsa brasileira: alta de mais de 40% em 1 ano. Ainda assim, a situação da Vivara parece merecer uma análise mais cuidadosa.

A empresa fez compras robustas de ouro e prata em 2025 já antecipando a valorização dos metais nos meses seguintes. Acertou em cheio, mas há riscos no horizonte.

A companhia precisa que a demanda no varejo permaneça alta para poder elevar as vendas e realizar os lucros.

Por enquanto, o que a Vivara possui é um estoque que se disparou de preço nos últimos meses. Agora, precisa transformar esse ouro e essa prata em grana. O arrefecimento da economia local e da renda do brasileiro em específico em 2026 pode ser um entrave.

Por enquanto, a aposta com relação à empresa tem sido positiva. “Um dos grandes diferenciais estratégicos da Vivara foi ter comprado e formado estoque de ouro quando o preço ainda estava bem mais baixo. Isso hoje gera três efeitos muito importantes: proteção de margem, vantagem competitiva e menor volatilidade nos resultados, tendo em vista que funciona como um “hedge operacional”, trazendo mais previsibilidade ao lucro”, avalia Netto.

Ele pondera que, no curto prazo, a ação passa por uma correção técnica depois de ter subido mais de 40% nos últimos 12 meses.

O Citi Bank divulgou relatório e manteve a Vivara como uma das suas principais ações para compra, indicando a resiliência do crescimento do setor de jóias nos últimos cinco anos, descorrelação com o PIB brasileiro – que deve desacelerar em 2026 – e perspectivas positivas para o retorno sobre capital próprio. O banco recomenda compra e prevê ações valendo R$38. O valor hoje está na casa dos R$27

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