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Metas climáticas são insuficientes e planeta caminha para aquecimento de 2,6 °C até o fim do século, diz ONU

Publicado 21/10/2026 • 14:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • ONU projeta aquecimento global de até 2,6 °C até 2100, mesmo com o cumprimento dos compromissos climáticos atuais.
  • Emissões de gases de efeito estufa permanecem próximas de níveis recordes, dificultando o cumprimento das metas do Acordo de Paris.
  • Relatório aponta necessidade de reduzir as emissões em 6% ao ano até 2035 e acelerar a expansão das energias renováveis.
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O planeta poderá registrar um aumento de 2,6 °C na temperatura média até o fim deste século, mesmo que os países cumpram integralmente seus compromissos atuais de redução das emissões de gases de efeito estufa. A projeção foi divulgada nesta quarta-feira (21) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e indica que as medidas adotadas pelos governos ainda são insuficientes para enfrentar as mudanças climáticas.

Os dados fazem parte do Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026, documento que analisa a diferença entre as reduções de poluentes prometidas pelos países e aquelas necessárias para limitar o aquecimento global.

O cenário apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) está distante dos objetivos estabelecidos pelo Acordo de Paris, que prevê manter o aumento da temperatura média mundial bem abaixo de 2 °C em relação ao período pré-industrial, com esforços para não ultrapassar 1,5 °C.

Segundo o levantamento, a falta de medidas suficientes ao longo das últimas décadas comprometeu a possibilidade de manter o aquecimento dentro do limite mais seguro no curto prazo.

Temperatura global se aproxima de limite crítico

A temperatura média do planeta já está aproximadamente 1,4 °C acima dos níveis registrados antes da industrialização. Conforme as projeções científicas, o patamar de 1,5 °C poderá ser ultrapassado nos próximos anos.

A elevação representa um risco porque pequenas diferenças na temperatura global podem intensificar fenômenos climáticos extremos, como secas prolongadas, chuvas intensas, ondas de calor e incêndios florestais.

Os pesquisadores também alertam para a possibilidade de alterações ambientais irreversíveis, com consequências para os ecossistemas, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e as condições de vida da população.

Em comunicado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que os efeitos do aquecimento já provocam mortes, prejuízos econômicos e agravamento das desigualdades sociais. Segundo ele, as populações que menos contribuíram para as emissões frequentemente estão entre as mais atingidas.

“Inundações mortais, ondas de calor brutais, incêndios florestais devastadores, vidas perdidas, economias paralisadas, desigualdades cada vez mais profundas, e aqueles que têm menos responsabilidade são os que sofrem primeiro e com maior intensidade”, alertou o secretário-geral.

Emissões globais permanecem próximas de níveis recordes

O relatório mostra que a quantidade de gases de efeito estufa lançada na atmosfera em 2025 praticamente não apresentou alteração em comparação com 2024, ano em que as emissões alcançaram níveis recordes.

Entre os seis maiores emissores mundiais, os dados preliminares indicam crescimento das emissões nos Estados Unidos, na China e na Indonésia. Em contrapartida, Índia, Rússia e União Europeia registraram reduções.

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O aumento mais expressivo ocorreu nos Estados Unidos, com 133 megatoneladas adicionais de dióxido de carbono equivalente. O resultado foi associado principalmente à maior demanda por eletricidade e à ampliação da geração de energia a partir do carvão.

A Turquia apresentou o segundo maior crescimento absoluto das emissões entre os países analisados. O país será sede da próxima conferência climática das Nações Unidas, programada para ocorrer entre 9 e 20 de novembro.

A avaliação do Pnuma também se tornou mais preocupante em relação ao relatório anterior. De acordo com a pesquisadora Anne Olhoff, uma das autoras do estudo, a revisão das estimativas históricas de emissões e a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris contribuíram para a piora das projeções.

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Redução anual de 6% seria necessária para limitar aquecimento

O documento apresenta uma alternativa para que a temperatura global retorne ao patamar de 1,5 °C até 2100, embora esse cenário dependa de mudanças profundas nas políticas ambientais.

Para alcançar esse resultado com 50% de probabilidade, seria necessário limitar temporariamente o aquecimento a um pico de aproximadamente 1,8 °C em 2050 e, posteriormente, retirar grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera.

O plano exigiria uma redução imediata de 6% nas emissões mundiais a cada ano até 2035, além da adoção de tecnologias e medidas capazes de remover carbono do ambiente.

Essas exigências mostram a dimensão do esforço necessário para reverter a trajetória atual. Quanto maior a demora na redução dos poluentes, mais difícil se torna estabilizar a temperatura mundial.

Países vulneráveis cobram ações dos maiores poluidores

As conclusões do estudo ampliaram as críticas à atuação dos governos, principalmente por parte de países em desenvolvimento que enfrentam riscos elevados relacionados às mudanças climáticas.

Essas nações argumentam que os maiores emissores não estão adotando medidas compatíveis com as responsabilidades assumidas nas negociações internacionais.

O diretor adjunto de programas do Greenpeace Internacional, Jasper Inventor, afirmou à agência AFP que o levantamento representa outro alerta sobre a urgência climática, mas que decisões importantes continuam sendo adiadas.

Mohamed Adow, diretor do centro de estudos Power Shift Africa, também criticou a resposta política ao problema. Para ele, o conhecimento científico disponível há décadas não foi acompanhado por ações governamentais proporcionais à gravidade da situação.

A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, ressaltou que nenhum país está livre dos impactos das alterações climáticas, independentemente de sua localização ou condição econômica.

Expansão das energias renováveis ainda não é suficiente

Apesar das projeções negativas, o relatório identifica avanços na utilização de fontes renováveis de energia.

A capacidade mundial de geração renovável cresceu em ritmo três vezes superior ao previsto anteriormente, enquanto a expansão da energia solar fotovoltaica foi sete vezes maior que as estimativas iniciais.

Esses resultados demonstram o crescimento das alternativas de geração elétrica com menores emissões, mas ainda não representam uma transformação suficiente para atingir os objetivos climáticos internacionais.

Entre os principais obstáculos estão a continuidade do uso de carvão, petróleo e gás natural e a dificuldade de conter o desmatamento. Segundo Anne Olhoff, as mudanças nesses setores permanecem abaixo da velocidade necessária para reduzir o impacto das atividades humanas sobre o clima.

Inger Andersen defendeu a ampliação da capacidade global de energia limpa e recomendou que os governos acrescentem 5 mil gigawatts de geração renovável nos próximos cinco anos.

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