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Milhares de pessoas protestam em Paris apesar de restrições impostas pelas autoridades

Publicado 22/10/2026 • 20:11 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Milhares de pessoas protestam em Paris, apesar das restrições impostas pelas autoridades, após decisão judicial favorável à realização do ato.
  • Macron defende medidas de segurança e possíveis novas proibições, após confrontos, saques e incêndios registrados no fim de semana anterior.
  • Mobilização estudantil amplia as reivindicações, incluindo mais recursos para escolas, contratação de funcionários, mudanças no acesso às universidades e medidas contra o aumento do custo de vida.

TONNY LINKE/NURPHOTO/NURPHOTO VIA AFP

Milhares de pessoas participaram de uma manifestação em Paris nesta quinta-feira (22), apesar das restrições impostas pelas autoridades aos atos públicos. O protesto reuniu principalmente jovens em uma área do sudeste da capital francesa e ocorreu de forma pacífica, sob forte presença policial. Durante o ato, os participantes entoaram palavras de ordem e exibiram uma faixa com a frase: “Não precisamos de gás lacrimogêneo para que nosso futuro pareça sombrio”.

Os organizadores afirmaram que um tribunal administrativo havia derrubado a proibição policial após recurso apresentado por eles. A decisão judicial ainda não havia sido divulgada publicamente. Os responsáveis pela manifestação também assinaram um documento policial no qual se comprometeram a manter o ato em um local fixo, diante do risco de violência.

As restrições foram adotadas após os confrontos registrados no fim de semana anterior, quando grupos de jovens mascarados entraram em confronto com policiais, saquearam estabelecimentos comerciais e incendiaram carros. A polícia de Paris justificou a proibição com base no risco de novos episódios violentos. As medidas também atingiram manifestações previstas para esta quinta-feira em Lyon, Lille e Grenoble. Algumas pessoas consideraram as proibições uma violação do direito de manifestação, garantido pela Constituição francesa.

O presidente Emmanuel Macron defendeu as restrições após uma reunião extraordinária de segurança no Palácio do Eliseu. A estratégia apresentada previa impedir atos solicitados por pessoas ou grupos considerados sem legitimidade para organizá-los. Macron recomendou que não fossem realizadas manifestações nos dias seguintes e orientou que, no caso de protestos organizados por sindicatos, os prefeitos propusessem trajetos alternativos. O presidente também sinalizou a possibilidade de novas proibições.

Macron atribuiu os distúrbios do fim de semana a grupos radicais de extrema esquerda que, segundo ele, pretendiam derrubar a República. Também responsabilizou criminosos que teriam aproveitado a situação para realizar saques.

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A onda de violência levou ao reforço das forças de segurança e à adoção de toques de recolher noturnos em algumas áreas de Paris e em outras cidades francesas. Segundo as informações disponíveis, a situação havia voltado à normalidade nas localidades em que as medidas foram adotadas. Na capital, a presença policial permanecia reforçada durante a manifestação desta quinta-feira.

Os protestos começaram no mês anterior, em uma escola de ensino médio de Créteil, no sudeste de Paris, após reclamações sobre a falta de funcionários. A mobilização se ampliou com paralisações de aulas, bloqueios e manifestações em outros subúrbios da capital e, posteriormente, chegou a cidades francesas de diferentes portes.

Entre as reivindicações dos estudantes estão o aumento dos recursos destinados às escolas, a recuperação das instalações escolares e a contratação de funcionários, especialmente em bairros de menor renda. Os manifestantes também pedem mudanças no sistema de ingresso nas universidades, considerado complexo e injusto por muitos estudantes.

Apesar do início do recesso escolar de outono naquela semana, grupos de estudantes do ensino médio e universitários anunciaram que manteriam a mobilização. As reivindicações educacionais deram lugar a protestos mais amplos contra o aumento do custo de vida, em um contexto no qual o governo não conseguiu atender às demandas apresentadas pelos estudantes.

A ampliação das manifestações ocorre poucos meses antes da eleição presidencial francesa, prevista para o ano seguinte, que definirá o sucessor de Emmanuel Macron.

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