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O efeito dominó do fechamento do Estreito de Ormuz

Publicado 03/03/2026 • 06:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O Estreito de Hormuz pode ser considerado "uma arma secreta do Irã", desde a Revolução Islâmica de 1979.
  • Atualmente, a passagem garante o abastecimento de pelo menos 20% do petróleo global e sua interrupção prejudica os mesmos países que o regime dos aiatolás contra-atacou nos últimos dias.
  • O apresentador e analista do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC Marcelo Favalli, explica como o Irã utiliza o controle deste Estreito como arma geopolítica e econômica e como o Irã evitou que seu fechamento prejudicasse a ele mesmo.

O Estreito de Hormuz pode ser considerado “uma arma secreta do Irã”, desde a Revolução Islâmica de 1979. Atualmente, a passagem garante o abastecimento de pelo menos 20% do petróleo global e sua interrupção prejudica os mesmos países que o regime dos aiatolás contra-atacou nos últimos dias.

O apresentador e analista do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC Marcelo Favalli, explica como o Irã utiliza o controle deste Estreito como arma geopolítica e econômica e como o Irã evitou que seu fechamento prejudicasse a ele mesmo.

O primeiro ponto para a análise dos acontecimentos recentes são os alvos da coalizão Estados Unidos e Israel, até o momento, e a retaliação do Irã. Favalli aponta que “houve uma extrapolação”, já que alguns dos alvos caíram no Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, inclusive em áreas civis e não nas bases militares que eles pretendiam atingir.

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Importância de Ormuz

Um recorte importante para o entendimento deste confronto armado é a importância do Estreito de Ormuz e como o Irã o controla. Com uma largura de apenas 53,5 km, os navios precisam que passam por ali podem ser facilmente atingidos pelas forças iranianas.

“É uma abertura muito pequena em que os navios, literalmente, se apertam para passar simultaneamente e, com qualquer capacidade de tiro mediana, o Irã consegue afundar”, explica ele.

Dessa forma, quando a Guarda Revolucionária do Irã, que é o exercito do país, decide fechar o Estreito, eles disparam contra qualquer embarcação que tenta passar. Já há relatos de três embarcações atingidas, duas delas sendo petroleiros.

O destino do petróleo também é um ponto chave para a análise. Todos os dias, cerca de 21 milhões de barris de petróleo passam pelo Estreito de Ormuz e, cerca de 33% desse volume é destinado para a China. O segundo maior destino deste petróleo é a Índia, seguida pelo Japão.

Dessa forma, uma possível motivação dos ataques de Donald Trump é acabar com o fornecimento de um petróleo “mais barato do que a cotação internacional” para um de seus maiores rivais. “Nas entrelinhas, a gente consegue imaginar que é uma maneira de estrangular a recepção da China de um petróleo barato.

“O Irã é muito sancionado, principalmente no Ocidente. Não pode vender petróleo para cá ou tem negócios restritos. [O Irã] acabou encontrando na China um ótimo comprador e a China, claro, teve vantagem nessa compra, comprando o produto abaixo do preço do mercado”, explica Favalli.

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O fechamento pode prejudicar o próprio Irã?

O Irã possui a terceira maior reserva de petróleo do mundo e só escoa cerca de 9% através do Estreito de Ormuz. Isso acontece porque o país sabia que o fechamento do Estreito poderia ser “uma carta na manga” durante disputas globais.

Por isso, o país construiu um enorme oleoduto terrestre, completamente em território iraniano, como alternativa para a via marítima. Por essa rota, estima-se que o Irã consiga trasnportar entre 300 mil e 700 mil barris por dia

“Prevendo um ataque, o que o Irã faz? Já, provavelmente, encheu petroleiros antecipadamente e os fez passar pelo Estreito de Hormuz antes dessas semanas de tensão”.

O efeito dominó nas rotas globais

Além do impacto na região, o fechamento de Ormuz também desencadeia uma série de prejuízos para o transporte global de combustíveis. Como o Estreito é o caminho mais curto da região para a América do Norte, o bloqueio da passagem faz com que a carga tenha que ser levada por um caminho que contorna a África do Sul.

Além de levar mais tempo, a mudança de rota tem um custo estimado de US$ 3,5 milhões (cerca de R$ 18,1 milhões) a mais, apenas em combustíveis, sem considerar o encarecimento do tempo da tripulação, custo da viagem, do frete e de seguros.

“Então é um enorme prejuízo e isso acaba gerando um efeito global, uma espécie de efeito dominó… isso tem abastecimento de petróleo, energia e todo tipo de contêiner que tem que atravessar por ali. Ou seja, isso vai haver um custo a mais de inflação para o resto do mundo, em maior ou menor escala”, finaliza ele.

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