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Carlo Pereira: O mundo não vive uma desglobalização, mas um rearranjo geopolítico
Publicado 04/01/2026 • 13:00 | Atualizado há 19 horas
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Publicado 04/01/2026 • 13:00 | Atualizado há 19 horas
KEY POINTS
O ano de 2026 será definido por uma transição do debate ideológico para uma abordagem fundamentada em realidades físicas e pragmáticas, especialmente no que tange à geopolítica e ao ambiente de negócios.
O especialista em sustentabilidade e comentarista do Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Carlo Pereira detalhou os quatro pilares interdependentes que devem guiar o mercado global: o rearranjo geopolítico, a inteligência artificial, as transformações demográficas e a crise climática.
Carlo Pereira contesta o termo “desglobalização”, defendendo que o mundo atravessa, na verdade, um rearranjo das cadeias de suprimento. Segundo o especialista, a interdependência entre as nações não deixará de existir, mas mudará de formato através do nearshoring e do friendshoring, priorizando parcerias entre países com alinhamento político e proximidade geográfica.
Ele destaca a disparidade de ritmo entre as grandes potências nesse processo de transição: “O que vemos são países preferindo colocar suas cadeias de suprimento perto de seus territórios ou em nações com alinhamento político ideológico mais próximo. Na questão energética, a China coloca em meses de energia solar o que os Estados Unidos colocam em um ano inteiro. Esse é um ponto de inflexão fundamental para entendermos quem ditará o ritmo da economia sustentável”.
A explosão da inteligência artificial trouxe uma consequência física inevitável: uma demanda massiva por energia para alimentar os novos data centers. Carlo Pereira observa que esse movimento forçou grandes corporações a revisarem compromissos ambientais assumidos anteriormente, evidenciando um conflito entre o avanço tecnológico e as metas de descarbonização.
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“A inteligência artificial vai para um outro patamar e demanda uma infraestrutura de data centers que exige muita energia. Vimos empresas de tecnologia que tinham estabelecido metas de pico de emissões ou neutralidade de carbono recuarem desses compromissos com o advento da IA. A necessidade de processamento é tamanha que as metas climáticas acabaram ficando em segundo plano diante da urgência física de fazer esse ‘cérebro’ funcionar”, pontuou.
Com a população mundial atingindo 8,3 bilhões de pessoas em dezembro, a pressão por recursos naturais e energia tornou-se o grande catalisador de tensões em 2026. O especialista ressalta o abismo de consumo entre nações desenvolvidas e países em desenvolvimento, destacando que a busca por ascensão social de bilhões de pessoas pressiona diretamente a matriz energética global.
“Imagina que esse bilhão de pessoas em países desenvolvidos consome por volta de 55 mil kilowatt-hora de energia equivalente, enquanto as pessoas em países mais pobres consomem apenas mil. O Brasil está na faixa de 10 a 15 mil. Essas pessoas querem ascender, o que gera várias pressões decorrentes. Como 80% das emissões de gases de efeito estufa provêm da geração de energia, temos que trabalhar simultaneamente na mitigação e na adaptação, pois a demanda não vai parar de crescer”, detalhou Carlo.
A interdependência entre esses fatores culmina em uma disputa estratégica por matérias-primas. Para o analista, o controle das terras raras e dos minerais de transição energética será o fiel da balança na geopolítica de 2026, influenciando desde a fabricação de semicondutores até a viabilidade das energias renováveis.
“Existe uma briga clara por terras raras, mineração e minerais críticos de transição energética. Esses recursos são necessários para todos os movimentos que discutimos, desde a IA até a infraestrutura verde. Além disso, a água passa a ter um papel fundamental. São esses grandes movimentos que permitem entender como e por que as cadeias produtivas estão se deslocando agora”, concluiu.
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