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Perguntas e respostas: China tem mesmo “poder” na Groenlândia, como afirma Trump?
Publicado 13/01/2026 • 11:53 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 13/01/2026 • 11:53 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de tomar a Groenlândia da Dinamarca, sob o argumento de conter a influência da China no Ártico, reacenderam o debate geopolítico sobre a região.
Apesar do tom alarmista, análises de especialistas indicam que a presença chinesa na ilha é limitada e ocorre principalmente por meio de pesquisa científica, interesses comerciais e cooperação com a Rússia e não por uma ocupação militar direta.
Entenda melhor a relação entre China e Groenlândia.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderia tomar a Groenlândia à força da Dinamarca, aliada dos EUA na OTAN, para impedir que a ilha caísse sob influência da China.
Segundo Trump, sem a intervenção americana, a Groenlândia poderia se tornar palco de presença militar chinesa, com navios de guerra e submarinos operando na região.
Não. Especialistas afirmam que não há presença militar chinesa significativa na Groenlândia.
“O cenário descrito por Trump não corresponde à realidade”, afirma Paal Sigurd Hilde, do Instituto Norueguês de Estudos de Defesa, classificando a ideia de navios chineses espalhados pela região como “absurda”.
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A presença militar chinesa no Ártico é limitada e indireta.
Ela ocorre principalmente por meio da cooperação com a Rússia, que se intensificou após a invasão da Ucrânia em 2022. Desde então, China e Rússia ampliaram operações conjuntas, incluindo patrulhas aéreas próximas ao Alasca.
A China opera:
Pequim afirma que essas operações têm finalidade científica, embora analistas alertem que o mapeamento do fundo do mar pode ter uso militar futuro.
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Sim, mas de forma gradual e desigual.
Segundo analistas do Instituto Mercator de Estudos Chineses, a China tem ambições claras de ampliar sua influência no Ártico, embora enfrente resistência política e regulatória em vários países.
Lançada em 2018, a Rota da Seda Polar é o braço ártico da Iniciativa Cinturão e Rota da China.
O objetivo é transformar o país em uma “grande potência polar” até 2030, conectando a Ásia à Europa por rotas marítimas mais curtas, favorecidas pelo derretimento do gelo no Ártico.
A China mantém:
A Rússia é hoje o principal parceiro chinês na região.
Sim, mas com sucesso limitado.
Tentativas de compra de ativos estratégicos, como uma base naval abandonada e projetos de mineração, fracassaram diante de preocupações ambientais, políticas e de segurança.
Em 2019, a Groenlândia também decidiu não utilizar tecnologia da Huawei em suas redes 5G, após pressão internacional.
A Groenlândia possui uma das maiores reservas mundiais de terras raras, essenciais para:
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o território concentra a oitava maior reserva global desses minerais críticos.
Não.
Projetos ligados à China foram barrados ou redirecionados. Um grande depósito em Kvanefjeld foi suspenso em 2021 por razões ambientais, e outro ativo minerário foi vendido em 2024 a uma empresa sediada em Nova York.
Não.
A Rota Marítima do Norte, desenvolvida por China e Rússia, passa ao longo da costa russa e não atravessa a Groenlândia, o que enfraquece a justificativa de Trump sobre navios chineses na ilha.
Potencialmente, sim.
Em 2024, um navio chinês chegou ao Reino Unido pelo Ártico em 20 dias, metade do tempo da rota tradicional via Canal de Suez.
Ainda assim, a navegação é complexa, exige navios especiais e, até agora, o volume é limitado.
Não há indícios concretos.
Segundo Jesper Willaing Zeuthen, professor da Universidade de Aalborg, não existem sinais de presença militar chinesa na Groenlândia ou em suas águas territoriais.
“Os atuais riscos de segurança são difíceis de identificar”, afirma.
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