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Com Ormuz bloqueado, nem 400 milhões de barris de reserva seguram alta do petróleo
Publicado 14/03/2026 • 11:00 | Atualizado há 8 minutos
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Publicado 14/03/2026 • 11:00 | Atualizado há 8 minutos
KEY POINTS
Jacques Descloitres, MODIS Land Rapid Response Team, NASA/GSFC via Wikimedia
O estreito de Ormuz visto do espaço
A maior liberação de reservas de petróleo da história não foi suficiente para acalmar o mercado. Desde que a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou, na quarta-feira, a liberação emergencial de 400 milhões de barris por mais de 30 países, o preço do Brent subiu 17% e fechou acima de US$ 100 pelo segundo dia consecutivo na sexta-feira.
Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, nenhuma política de alívio resolve o problema na raiz.
O novo líder supremo do Irã prometeu manter o estreito bloqueado. Petroleiros seguem sob ataque no Golfo Pérsico.
E cerca de 9 milhões de barris por dia, o equivalente a 10% do suprimento global, continuam presos na região sem rota de saída.
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Os Estados Unidos lideram o esforço com a liberação de 172 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo, o equivalente a 43% do total anunciado pela AIE.
Mas os números revelam a dimensão do problema. O volume americano será liberado ao longo de 120 dias, o que representa 1,4 milhão de barris por dia, apenas 15% do suprimento perdido com o fechamento de Ormuz.
Além disso, os barris levam 13 dias para chegar ao mercado após a autorização de Trump.
“Compra tempo, mas não resolve a crise”, disseram analistas da Bernstein em nota a clientes na quinta-feira.
Tom Liles, vice-presidente sênior de pesquisa upstream da consultoria Rystad Energy, reforçou o diagnóstico. “Até que o trânsito seja reativado, esse tipo de anúncio vai ter impacto limitado”, afirmou. Liles explicou que Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos exportavam cerca de 14 milhões de barris por dia antes da guerra.
Desse total, entre 5 e 6 milhões de barris podem sair por dutos que terminam no Mar Vermelho e no Golfo de Omã. O restante, cerca de 9 milhões de barris diários, só pode passar por Ormuz.
Os 400 milhões de barris cobririam, em tese, cerca de 40 dias do suprimento perdido. Mas Liles alertou que a realidade é mais complexa. “Não é como se 400 milhões de barris aparecessem imediatamente no mercado”, disse.
A Rystad projeta que uma guerra de dois meses empurrará o Brent a US$ 110 por barril até abril. Um conflito de quatro meses pode elevar o preço a US$ 135 até junho. Tamas Varga, analista da corretora londrina PVM, resumiu o estado do mercado: petroleiros sob ataque, Ormuz bloqueado e o novo líder iraniano irredutível na posição de manter o estreito fechado.
A operação também expõe os países membros da AIE a um risco adicional: o esgotamento dos próprios estoques. Os 400 milhões de barris representam 33% do total de 1,2 bilhão de barris mantidos pelos países membros.
No caso americano, os 172 milhões planejados equivalem a 41% dos 415 milhões atualmente na Reserva Estratégica.
O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou na quarta-feira que o governo pretende repor os barris liberados com 200 milhões adicionais no prazo de um ano, sem custo para o contribuinte.
Além do petróleo, o fechamento de Ormuz afeta 20% das exportações globais de gás natural liquefeito, usado na geração de eletricidade e aquecimento, e que também não consegue chegar ao mercado enquanto o estreito permanecer bloqueado.
Para Tobin Marcus, chefe de política americana da Wolfe Research, os estoques aliviam parcialmente o choque, mas não dispensam a reabertura do estreito. “Não acreditamos que muito mais ajuda virá depois disso”, afirmou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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