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Mercado tem até segunda-feira para aderir ao programa que parcela reajuste do querosene de aviação
Publicado 03/04/2026 • 12:25 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 03/04/2026 • 12:25 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Petrobras Aviation QAV
Petrobras eleva preço do querosene de aviação em 55% e pressiona aéreas brasileiras
As distribuidoras de querosene de aviação têm até segunda-feira (6) para aderir ao mecanismo criado pela Petrobras para suavizar o impacto do reajuste de 54,8% no QAV. O termo de adesão, disponibilizado pela estatal, permite que as empresas que atendem a aviação comercial paguem apenas 18% de aumento em abril. A diferença será parcelada em seis vezes, com a primeira parcela a partir de julho de 2026.
A medida foi anunciada na noite de quarta-feira, horas depois de a Petrobras confirmar o maior reajuste mensal do QAV desde junho de 2022, reflexo direto da disparada do petróleo impulsionada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.
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O mecanismo foi desenhado para evitar que o reajuste integral provoque ruptura no abastecimento ou pressão imediata sobre as tarifas aéreas. A Petrobras afirma que a iniciativa preserva a neutralidade financeira da companhia ao mesmo tempo em que protege a saúde financeira dos clientes.
A estatal atribuiu a alta do QAV à elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O parcelamento funciona, na prática, como um amortecedor entre a volatilidade externa e o mercado doméstico, abrindo espaço para que distribuidoras e companhias aéreas ajustem suas operações de forma gradual.
A Petrobras sinalizou que o mecanismo poderá ser oferecido também em maio e junho, com parâmetros ainda a serem calculados. A decisão dependerá do comportamento das cotações internacionais e do cenário geopolítico nos próximos meses.
O querosene de aviação responde por cerca de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil. Reajustes abruptos no QAV têm impacto direto sobre a precificação das passagens e sobre a rentabilidade do setor.
Ao distribuir o aumento ao longo de meses, a Petrobras reduz o risco de repasse imediato ao passageiro. Associações do setor estimam que, sem mecanismos de mitigação, o reajuste integral poderia elevar as tarifas entre 20% e 30%. O Ministério de Portos e Aeroportos também estuda medidas complementares, incluindo corte de PIS e Cofins sobre o QAV e redução do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves.
A aviação brasileira opera com três tipos de combustível, cada um destinado a um segmento diferente da frota.
O querosene de aviação (QAV), comercializado sob o padrão internacional JET A-1, abastece toda a aviação comercial do país – jatos, turboélices e turbofans das companhias aéreas. É o combustível que representa mais de 30% dos custos operacionais das aéreas e o afetado pelo reajuste de 55% anunciado pela Petrobras.
A gasolina de aviação (AVGAS), identificada pela coloração azul e comercializada no tipo GAV-100 LL (baixo teor de chumbo), é o combustível dos aviões de pequeno porte com motor a pistão. Move mais de 11.000 aeronaves no Brasil, entre aviação agrícola, instrução de pilotos, táxi aéreo e ligações com comunidades remotas. Tem tabela de preços própria e não é afetada pelo reajuste do QAV.
O combustível sustentável de aviação (SAF), alternativa de baixo carbono produzida a partir de fontes renováveis como óleos vegetais e resíduos agrícolas, ainda não existe em escala comercial no Brasil. Em dezembro do ano passado, a Petrobras fez suas primeiras entregas de SAF no Galeão – volume equivalente a apenas um dia de consumo nos aeroportos do Rio de Janeiro. A obrigação legal de uso começa em 2027, com meta inicial de 1% de redução de emissões, avançando até 10% em 2037.
Por enquanto, qualquer choque no preço do QAV afeta a totalidade da frota comercial – sem alternativa disponível em escala para amortecer o impacto.
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